Trajetória de um ícone: Santa Luzia, Rio, Paris, Pequim, Nova York

Elisinha, elegantíssima, como sempre, e o marido Walther Moreira Salles

Maya Santana, 50emais

Como sou de Santa Luzia, cresci ouvindo histórias incríveis de Elisinha Moreira Salles. Tenho um grande amigo, Wagner Penna, que conhece em minúcias a vida da grande dama, mãe dos cineastas João e Walthinho Moreira Salles. Elisa Margarida Vianna Gonçalves casou-se com o empresário, banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles e ganhou o mundo. Tornou-se símbolo de sofisticação e foi, nas décadas de 1950 e 1960, uma das poucas brasileiras a frequentar o jet set internacional. Cultíssima e politizada, ela figurava na lista das mulheres mais chiques do mundo ao lado de Jacqueline Kennedy. No ano que vem, completa 30 anos da sua morte, em 1988. Separada de Walther desde o início dos anos de 1970, ela se suicidou aos 59 anos. O filho mais jovem, João, fez esta belíssima homenagem à mãe: o documentário No Intenso Agora, comentado neste artigo, publicado no jornal O Tempo, pela professora de História da UFMG e escritora Heloisa Starling.

Leia:

Não há, creio, quem não tenha passado pela vida sem alguma grande frustração. Eu gostaria de ter escrito a biografia de Elisinha Gonçalves, que veio a ser esposa do embaixador Walther Moreira Salles. Elisinha era mineira, nasceu em Santa Luzia. Quando para lá mudei, em 1953, seguindo meu pai em seu ofício de juiz de direito, ela já estava casada, havia pouco, com o famoso banqueiro. Era um mito. Bela, elegante e muito ilustrada – como, finalmente, pude constatar –, causava furor. As páginas de “O Cruzeiro”, que eu devorava nos degraus de nossa casa na rua Direita, traziam-na estampada, com frequência, em suas reportagens. No lusco-fusco das lembranças, nem mesmo sei dizer se cheguei a vê-la pessoalmente ou saber quem era um menino que morava na casa de seus parentes… Nunca consegui encontrar fontes para escrever sobre ela. Mas, agora, sinto-me reconfortada.

Conduzida pela direção de seu filho, João Moreira Salles, pude assistir ao delicado “patchwork” cinematográfico que ele empreendeu em homenagem a sua mãe: “No Intenso Agora”. Muitos anos passados da trágica morte de Elisinha, seu filho logrou, agora, lidar com essa dor de forma… intensa. E o conforto por meu fracasso veio acompanhado de um alumbramento indizível. É que assisti ao documentário no Instituto Moreira Salles, localizado na belíssima mansão que servia de residência da família, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Que, aliás, serve de cenário para algumas cenas do filme. Já ouvira falar dessa edificação em “Santiago”, também dirigido por João Moreira Salles, pela voz e pela emoção do mordomo argentino que havia prestado serviços à família por muitos anos. Por aqueles salões passaram banqueiros, empresários, políticos e artistas em banquetes e festas memoráveis. Hoje, esses mesmos salões acolhem uma magnífica exposição fotográfica sobre os momentos mais conflitivos da história do Brasil no período republicano.

Leia também:
Elisinha, um dos maiores ícones de estilo do País, vira documentário pelas mãos do filho

João parte das imagens que sua mãe gravara em uma viagem à China, em 1966, no início da Revolução Cultural – ocasião em que, no seu dizer, ela teria sido mais feliz –, para discutir o tormentoso dilema dos que, tendo gozado daquilo que a vida burguesa proporciona de bom e de melhor, se propõem a pensar, como diria Gonzaguinha, que “a vida devia ser bem melhor, e será”. Mas para todos.

Veja o trailer do documentário No Intenso Agora:

Um comentário

  1. Hairton antonii da costa

    O documentário e uma Farma de omenagear a dona Eliza ela era uma mulher muito gentil doce amave com todos eu trabalhei com ela algum anos foi muito boa comigo tenho muitas saudades dela parabéns p vc jao por omenagear sua mãe

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*