Uma verdadeira onda de mulheres com mais de 50 que brilham

Glenn Close, 71, derrotou quatro mulheres mais jovens e ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz, por seu papel em A Esposa, embora não tenha levado o Oscar

Maya Santana, 50emais

Uma reportagem muito boa de Jessica Bennett para o jornal The New York Times – traduzida por O Globo – sobre o número cada vez maior de mulheres com mais de 50 anos que chega a cargos importantes nos Estados Unidos. Há pouco tempo, causou sensação a notícia da eleição de Nancy Pelosi, aos 78 anos, para presidente da Câmara dos Representantes (pela segunda vez) o que faz dela a parlamentar mais poderosa da história do país. A reportagem cita vários exemplos de mulheres mais velhas fazendo sucesso no topo de suas profissões, como a atriz Glenn Close que, aos 72 anos, concorreu ao Oscar de Melhor Atriz, pelo seu brilhante desempenho no filme A Esposa. Ou a deputada Maxine Waters, primeira mulher e afro-americana a liderar a Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, aos 79 anos. Nunca os Estados Unidos tiveram tantas mulheres com idade acima dos 50 anos.

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Quando Susan Zirinsky assumir a CBS News em março, será a primeira mulher a ocupar o cargo. E também será a pessoa mais velha a assumi-lo, aos 66 anos.

Sua nomeação foi anunciada apenas alguns dias depois que Nancy Pelosi, 78 anos, foi reeleita líder da Câmara dos Deputados – tornando-se a parlamentar mais poderosa na história dos EUA –, e a deputada Maxine Waters se tornou a primeira mulher, e afro-americana, a liderar a Comissão de Serviços Financeiros, aos 79 anos.

As notícias da promoção de Zirinsky vieram na mesma noite em que Glenn Close, de 71 anos, derrotou quatro mulheres mais jovens e ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz.

Parece que as mulheres mais velhas, por muito tempo invisíveis ou postas de lado, estão vivendo uma sensação desconhecida: o poder.

Há mais mulheres com mais de 50 anos nos Estados Unidos hoje do que em qualquer outro momento da história, de acordo com dados do Departamento do Censo Americano. Elas são mais saudáveis, trabalham há mais tempo e têm uma renda maior do que as gerações anteriores.

Susan Zirinsky, aos 66 anos, será a primeira mulher a assumir o cargo de presidente da rede de TV CBS

Isso está criando um progresso modesto, mas real em sua visibilidade e estatura.

– A idade – não se preocupe com isso – é um estado de espírito – disse Zirinsky quando perguntada sobre como poderia influir em seu novo emprego. – Tenho tanta energia que minha equipe interveio quando tentei tomar um Red Bull.

Os homens, claro, assumiram grandes organizações quando já tinham mais de 70 ou 80 anos, conservando seu poder e destaque. Mas o movimento #MeToo derrubou alguns deles, desde Charlie Rose, de 77 anos, até Les Moonves, de 69, que foi demitido da chefia da CBS após múltiplas alegações de má conduta sexual, criando vagas inesperadas para a promoção das mulheres.

E Susan Douglas, professora de Estudos de Comunicação da Universidade de Michigan, que está escrevendo um livro sobre o poder das mulheres mais velhas, disse que “uma revolução demográfica” estava ocorrendo – tanto no número de mulheres que estão trabalhando aos 60 e 70 anos quanto na percepção de sua capacidade e valor, após o #MeToo.

Deputada Maxine Waters se tornou a primeira mulher, e afro-americana, a liderar a Comissão de Serviços Financeiros da Câmara Federal americana, aos 79 anos.

– As mulheres mais velhas estão dizendo agora: ‘Não, ainda estou na batalha, ainda tenho muito a oferecer, e não vou ser condenada à invisibilidade.’ Elas estão reinventando o significado de ser uma mulher mais velha.

Em 2016, a expectativa de vida média das mulheres nos Estados Unidos era de 81,1, e a dos homens, de 76,1. Quase um terço das mulheres entre 65 e 69 anos trabalha hoje, bem acima dos 15 por cento no fim da década de 1980, de acordo com análises recentes de Claudia Goldin e Lawrence Katz, economistas de Harvard. Quase 18 por cento das mulheres entre 70 e 74 anos trabalham, 8 por cento a mais.

Curiosamente, trabalhar por mais tempo é mais comum entre as mulheres com ensino superior e poupança, enquanto as que não trabalham têm maior propensão a ter a saúde comprometida e poupança limitada e a ser dependentes da seguridade social.

– Posso garantir que não gostei – na verdade até me deu um calafrio – quando o ‘The Times’ escreveu sobre minha nova empresa, e lá estava, preto no branco: ‘Christiane Amanpour, 60 anos’ – disse Amanpour, que substituiu Rose na PBS no ano passado, e recentemente completou 61 anos. – Mas então pensei: ‘Não! Isso é legal! – Tenho 60 anos e outro capítulo da minha vida está começando.’ Clique aqui para ler mais.

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