“Velhas seremos todas, na melhor das hipóteses”

Envelhecer não é bom. A gente não pode subir, não pode descer, não pode vestir, não pode comer, é tanta proibição, minha filha, mas fazer o quê?

Maya Santana, 50emais

Maria da Luz Miranda tem um blog no jornal O Globo – “Depois dos 50” -, no qual, da mesma maneira como fazemos no 50emais, trata de assuntos e questões relacionadas às pessoas que já passaram dos 50 anos. Recentemente, ela publicou o texto abaixo – intitulado originalmente “Pelo direito de exibir o corpo e a idade que se tem” -, falando dessa mania de certas mulheres de esconder a idade e de fazer o impossível para se manterem jovens. Mesmo sendo a velhice inevitável, há um verdadeiro pavor do avanço do tempo. Isso porque ainda vivemos em uma sociedade que preza a juventude mais do que tudo e rejeita com toda força o envelhecimento.

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Mãe, quantos anos você tem? 39. Mãe, quantos anos você tem? 39. De novo? Maria Emília inventa histórias e reluta e resiste em dizer à menina que já tem 40 anos há cinco. Mas a filha, esse espelho, está crescendo. E teima em perguntar: Mãe, você não fica velha? Eu não vou ficar velha? A vovó não é velha?

A pequena Júlia, de cinco anos de idade, exige resposta. Da mãe, que vai à academia de ginástica todos os dias e compra lotes de produtos que prometem eliminar quaisquer traços de envelhecimento, instantaneamente. Não é só vaidade, ela diz. É a cobrança que sente nos olhos dos outros.

Envelhecer não é bom. A gente não pode subir, não pode descer, não pode vestir, não pode comer, é tanta proibição, minha filha, mas, fazer o quê?, constata dona Laura, de 75 anos recém-completados. Ficar velho não tem de ser tão ruim, ela completa. Afinal, o contrário disso a gente sabe qual é e esse final a gente quer mais é deixar para depois, diz ela, que é mãe da Maria Emília e avó da Júlia.

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Envelhecer não é bom. Aos olhos da Maria Emília, que não dá atenção ao consolo da mãe e diz viver apavorada como tantas outras mulheres com os discursos que circulam por aí e só corroboram a estratégia das marcas que fazem questão de associar seus nomes e produtos a juventude e beleza, que têm de andar juntas, como se nada tivessem de subjetividade.

Viver, nessas condições, é perder o direito a usufruir do tempo e dos efeitos dele como bem se escolher, queixa-se Maria Emília, que é advogada e parece não estar mesmo sozinha. Tanto que circula um abaixo-assinado que pede que marcas de beleza parem de usar o termo ‘anti-idade’, em suas campanhas e rótulos. É direcionado a duas marcas específicas e está disponível para quem quiser assinar e amplificar a petição.

Antiidade é um termo vil pelo seu uso. A pequena pequena Júlia merece resposta. E não temer a idade. Maria Emília, a mãe que resiste a declarar a idade, também carece de uma rotina menos aflita. Em tempos de discursos pró-sororidade e menos opressão, vale bradar por respeito ao direito que temos a rugas e pouca elasticidade. Velhas seremos todas, na melhor das hipóteses. Sãs, de preferência.

2 comentários

  1. Eliana Melo Pereira De Freitas

    JANDA, eu não tenho medo de ficar VELHA.
    Eu nunca me cuidei depois de casada.
    Deixei acontecer.
    Estou hoje com 68 anos.
    Muitos não me dão essa idade.
    Já tomei muito Sol,muito freezer muito fogão industrial.
    MUITAS noites sem dormir,E muito stress.
    Quanto mais você cuida ,aparece as rugas.
    Eu não tenho nem pe de galinhas.,Não tenho varizes vou te contar uma coisa,tenho muito LIBIDO.ESTOU PRECISANDO DO CONSERTAR OS DENTES.
    FICA COM DEUS.
    BEIJOS

  2. Achar a terceira idade maravilhosa,jamais!!!! Mas com 64 anos ainda não me vejo privada de nada,ainda!!! Me deprime pensar nas impossibilidades da idade,mas não me impede de viver tudo q quero e ainda posso. Feliz todo Dia dos Idosos pra nós !!!

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