August 02, 2014
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Ney Matogrosso: Atento aos Sinais de seu tempo

 Oito das 14 faixas do novo disco do cantor, 72 anos, são de jovens compositores

Oito das 14 faixas do novo disco do cantor, 72, são de jovens compositores

Aos 72 anos, com sua costumeira criatividade, Ney Matogrosso surge com um novo CD, “Atento aos Sinais”, que já pode ser encontrado nas lojas e vem recebendo boas críticas. Adoro Ney desde os tempos de Secos & Molhados. Mesmo com o passar do tempo, o corpo continua bonito e o gingado é o mesmo. Neste CD, ele resolveu inovar de vez: não há sequer uma música dos tempos antigos e mais da metade das 14 faixas são de compositores novos.

Leia o artigo de Roberta Pennafort para o Estadão:

Ney Matogrosso começou a selecionar o repertório de Atento aos Sinais quatro anos atrás, muito antes de bater nas ruas a onda de protestos de jovens. Atual, o CD é aberto com duas músicas que reverberam as manifestações populares.

Capa do novo CD "Atento aos Sinais"

Capa do novo CD “Atento aos Sinais”

“Todo mundo tem direito à vida/ e todo mundo tem direito igual”, apregoa Rua da Passagem, de Arnaldo Antunes e Lenine. “Fogo, fogo, fogo, água/ incêndio nas ruas/ bomba, bomba, bomba, praça/ vielas, ratos, figuras nuas”, descreve Incêndio, de Pedro Luís. “Quando vi o que aconteceu nas ruas, percebi que tinha um diálogo. Aquelas tais antenas que dizem que os artistas têm estão ligadas. Não prevejo o futuro, mas estou atento”, diz Ney, que acompanhou com interesse o noticiário.

“Os Black Blocs não vão resolver o capitalismo, ele vai se esvair por si próprio, assim como aconteceu com o comunismo. Tem que acontecer alguma coisa. A gente está num momento de transição. Todos estão insatisfeitos. As pessoas têm o direito de expor seus sentimentos.” Aos 72 anos, o intérprete está alerta para a produção da nova geração da música. Oito das 14 faixas do CD são de jovens compositores. Em seu quarto, ele tem pilhas de material mandado por autores que sonham ser gravados por uma das vozes mais prestigiosas da MPB. Mas ele não ficou só nisso.

Em viagem a Maceió, leu num jornal sobre o trabalho do rapper Vitor Pirralho e pediu o CD à produtora. Ficou com Tupi Fusão (Vitor/Dinho Zampier/Pedro Ivo Euzébio/André Meira), uma aula de história do Brasil sob a narrativa indígena. Do trio paulistano Zabomba, quis a inspirada Pronomes. Da banda carioca Tono, ouviu um CD disponível na internet e escolheu a derramada Não Consigo e o divertido Samba do BlackBerry. No aclamado CD Nó na Orelha, de Criolo, encontrou Freguês da Meia-Noite.

“Se você não correr atrás, não chega onde quer. Não sou de esperar por nada”, justifica Ney, que vem testando essas músicas no show com que viaja desde fevereiro. Ele preferiu chegar ao estúdio com as interpretações mais maduras. Clique aqui para ler mais.

Assista à entrevista que o cantor concedeu a Jô Soares no dia 29 de novembro.

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1 Comentário

  1. lisa santana disse:

    Adoro!