Nós não somos imortais

saber que vamos morrer é uma fonte de angústia tão grande que procuramos nem pensar nisso

saber que vamos morrer é uma fonte de angústia tão grande que procuramos nem pensar nisso

O autor desse artigo publicado pelo Estadão é o Dr. Daniel Martins de Barros, médico psiquiatra e filósofo. Ele trata de um tema que continua sendo tabu na nossa sociedade, entre nós mesmos, nos grupos de amigos: a nossa própria morte. “Com o avanço da Medicina estamos nos esquecendo que somos mortais. Apegados a qualquer possibilidade de vida, passamos muito tempo sacrificando a qualidade da existência em troca de um pouco de tempo. Mas essa tendência está mudando”, diz ele.

Leia o artigo:

A morte é um tema que vem me fazendo pensar bastante. Devem ser os cabelos embranquecendo no espelho. Mas a polêmica da fosfoetanolamina reacendeu minhas inquietações sobre a questão, me fazendo sacar da prateleira o livro Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final, do médico e (excelente) escritor Atul Gawande, lançado esse ano pela editora Objetiva.

A tese de Gawande é simples e difícil de refutar: a Medicina progressivamente afastou a morte de nós, até o ponto em que passamos a acreditar que não vamos morrer. Esse sempre foi um problema para os seres humanos auto-conscientes; saber que vamos morrer é uma fonte de angústia tão grande que procuramos nem pensar nisso. Tanto que tratamos a morte como uma possibilidade (dizemos “É possível que eu morra”) quando na verdade é uma certeza, trata-se só de uma questão de tempo. Com o avanço da Medicina nós reduzimos as mortes por doenças infecciosas, depois melhoramos o prognóstico nas doenças cérebro-vasculares, e agora nos debatemos contra as doenças mais comuns na velhice, como Alzheimer e o câncer. E conforme controlamos os males da saúde e esticamos a vida, vamos evitando a morte. Chegamos a esquecer que a morte não precisa da doença – como disse Montaigne, “Você não está morrendo porque está doente; você está morrendo porque está vivo. A morte mata muito bem sem o auxílio da doença”. Clique aqui para ler mais.

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