Elizabeth Segunda chega aos 90 anos uma quase unanimidade

a rainha Vitória, que permaneceu no trono por 63 anos e 216 dias

Aos 89 aos, ela superou a rainha Vitória, que permaneceu 63 anos e 216 dias no trono

Ao completar 90 anos nesta quinta-feira, 21 de abril, a rainha Elizabeth II torna-se a primeira monarca britânica nonagenária. Em setembro do ano passado, também entrou para a história como a mais longeva soberana da Inglaterra, batendo o recorde de 63 anos e 216 dias de sua tataravó, a rainha Victoria. O reinado de Elizabeth II tem sido dominado pelas mais rápidas e profundas revoluções nos domínios da tecnologia, da comunicação e dos costumes sociais e por um período igualmente excepcional de crescimento econômico e estabilidade política em seu país. Ainda assim, é possível chamá-lo de segunda era elisabetana?

A primeira era elisabetana, comandada por sua ancestral, a rainha Elizabeth I, fundou no século XVI as bases para que a Inglaterra saísse da condição de reino insular afundado em conflitos religiosos e se tornasse uma grande potência do comércio marítimo internacional – um trabalho que seria aperfeiçoado por seus sucessores com a Revolução Industrial, que nasceu no país no século XVIII, e a criação do maior império colonial da história.

[tribulant_slideshow gallery_id=”71″] Imagens da soberana, nascida em Londres, coroada em 1953

Elizabeth II, por sua vez, herdou do pai, em 1952, um país que tentava ressurgir das cinzas, traumatizado pela Segunda Guerra Mundial, embora tenha saído vitorioso do conflito. Ela viu o império de 700 milhões de súditos espalhados pelos quatro continentes reduzir-­se a um Reino Unido de 50 milhões de almas em 1965. A supremacia britânica foi substituída pela emergência de duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética, e o país manteve parte de seu protagonismo porque se alinhou incondicionalmente com a política da primeira, sua ex-colônia.

Mas nada disso foi capaz de romper a ligação mágica, e por que não inexplicável, em tempos de democracia representativa direta, entre o povo britânico e sua soberana hereditária. Desde que ascendeu ao trono, aos 25 anos, Elizabeth II tem se mostrado uma trabalhadora incansável, funcionária pública exemplar que participa de cerca de 300 eventos oficiais por ano. Tampouco existe qualquer registro de animosidade entre ela e os 12 primeiros-ministros, entre os quais figuraram Winston Churchill, Margaret Thatcher e Tony Blair. Ela é uma estrita observadora dos delicados princípios parlamentaristas que a mantêm longe das decisões políticas da nação e parece confortável no papel de encarnação meramente figurativa das instituições de seu reino.

A rainha acompanhou a TV rudimentar evoluir para o YouTube e o telefone que demorava a dar linha para o WhatsApp. Viu as mulheres sair da condição de rainhas do lar para reivindicar o direito de decidir sobre suas vidas e assumir postos de trabalho. Testemunhou o advento da pílula anticoncepcional, a revolução sexual, o casamento gay, a explosão do rock e da cultura pop e a clonagem da ovelha Dolly em um de seus domínios preferidos, a Escócia – que, por sua vez, disse não à separação do Reino Unido num referendo promovido no ano passado. Sobreviveu de Hilter a Bin Laden, e também aos atentados do Exército Republicano Irlandês. Tudo isso forma o Zeitgeist da nova era elisabetana, e ela tirou todas essas transformações de letra, seguindo o silêncio regimentar que impôs a si mesma. Ninguém sabe o que pensa realmente a rainha. Ela não dá entrevistas, não participa de debates na TV, não emite opiniões nas redes sociais nem fora delas. E, ainda assim, continua a ser uma quase unanimidade. Clique aqui para ler mais.

Veja a visita da rainha ao Brasil, em 1968, quatro anos depois do golpe militar, no governo do general Costa e Silva:

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