Aos 70, Wanderléa conclui livro, exorciza dramas e lança disco

A rainha da Jovem Guarda completa 70 anos no início de junho

A rainha da Jovem Guarda completa 70 anos no início de junho

Silvio Essinger, O Globo

Poucas pessoas passaram por tantas perdas ao longo da vida quanto Wanderléa. Uma irmã, na infância; o pai, na juventude; um filho pequeno, na idade adulta; e um irmão, na maturidade. E ela ainda viveu por anos o drama do noivo, Zé Renato, que ficou paraplégico após um acidente. Outros teriam sucumbido, ela seguiu nos palcos.

— A música tem o poder de transmutar o sentimento — resume por telefone, de São Paulo, a Ternurinha da jovem guarda, que completa 70 anos no dia 5 de junho. — Eu era uma explosão no palco e algo muito diferente na vida pessoal. Em compensação, essas coisas me fizeram crescer muito como pessoa. Quando era menina, só tinha visto o lado bom da vida, era só festa. A partir das dificuldades que vivi com o Zé Renato, entrei em um outro momento.

Há cerca de 20 anos, Wanderléa vem escrevendo sobre suas experiências. Há alguns dias, entregou à editora Record a primeira versão de sua aguardada autobiografia, que deve sair até o começo de 2017.

— Eu questionava muito o que tinha acontecido, perguntava se poderia ter mudado o destino. O livro foi uma forma de exorcizar isso, de colocar para fora o que eu sentia. Não dava tempo de eu ficar de luto em cada uma daquelas situações — conta ela, que confiou ao jornalista Renato Vieira a organização da obra.

Nos tempos do iê-iê-iê, com Roberto Carlos e Erasmo Carlos

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— Tenho tentado dar uma dimensão histórica à carreira da Wanderléa, dispondo a narrativa em ordem cronológica — explica Renato. — Ela é o início da linha que passa pela Rita Lee, Paula Toller e chega à Pitty.

A iminência dos 70 anos é mais do que simbólica para essa cantora que estreou na carreira aos 7 e que lançou seu primeiro álbum aos 17.

— Isso inspira você a ter uma jovialidade interna, porque as pessoas estão sempre lembrando de você quando nova. É lógico que, aos 70, você tem um monte de saudade da vitalidade dos 20. Mas meu trabalho me traz essa possibilidade de estar atuando, de fazer o melhor a cada dia, e isso é muito importante — diz ela, que ainda faz entre quatro e cinco shows por mês e que se apresenta no Rio, no Imperator, no dia 19, em duas sessões (às 15h e às 18h). — O trabalho obriga você a se manter bem. A gente carrega o sonho de toda uma geração, então tem que se cuidar melhor. Acabei me acostumando com uma vida de cuidados, mas sem exageros. Não faço regime, por exemplo.

Uma das razões de sua permanência no cenário, Wanderléa atribui ao fato de atuar “em duas pontas”: a da jovem guarda e “a do que lhe sucedeu”. Ou seja: a da cantora de repertório ousado que se revelou em discos como “Maravilhosa” (de 1972, recriado ao vivo há alguns anos num show que virou DVD em 2014) e “Feito gente” (de 1975, tema do seu próximo espetáculo, na Virada Cultural de São Paulo). Clique aqui para ler mais.

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