Jejum de palavras é garantia de bem-estar e qualidade de vida

"O pensamento é linguagem. Uma pessoa que fala muito está pensando muito e tem a mente agitada. De nada adianta ficar em silêncio, mas com os pensamentos a mil", Silexi Menta, médica e instrutora da Escola de Meditação da Organização Internacional Cóndor Blanco

“O pensamento é linguagem. Uma pessoa que fala muito está pensando muito e tem a mente agitada. De nada adianta ficar em silêncio, mas com os pensamentos a mil”, Silexi Menta, médica e instrutora da Escola de Meditação da Organização Internacional Cóndor Blanco

Falar cansa. Foi o que me disse uma amiga, depois de discutirmos acaloradamente sobre um fato político. E é verdade. Se ainda não reparou, repare. Toda manhã, já fora da cama, pronta para enfrentar o dia, eu me prometo que vou conversar menos. Não só pelo fato de o silêncio ser fundamental – nos leva ao nosso interior, nos equilibra -, como também porque falar, principalmente sem pensar, é sempre perigoso. Mesmo sabendo disso, no entanto, a necessidade de colocar para fora o que nos vai a mente fala mais alto. Aí, está a armadilha, porque na busca da paz interna, o verbo é calar.

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Muito se fala sobre o poder da palavra, mas pouco se celebra o silêncio. Não é fácil para uma sociedade hiperconectada, produtiva e focada no consumo acreditar na potência do “não dizer nada” para transformar emoções, reações, estados mentais e construir relações mais harmônicas. Mas é no silêncio que conseguimos colocar os pensamentos em ordem. É o silêncio que favorece o autoconhecimento. É na ausência de diálogo que percebemos a força da conexão com o outro. Atrelado à meditação, o jejum de palavras tem, aos poucos, se disseminado enquanto uma prática que ajuda a encontrar respostas, tomar decisões, aliviar a ansiedade e o estresse e alcançar a serenidade e a paz.

O jejum de palavras consiste na prática do silêncio, na abstinência da fala, em não se comunicar, mas também em não assistir televisão, navegar na internet ou ler. Médica e instrutora da Escola de Meditação da Organização Internacional Cóndor Blanco, Silexi Menta afirma que a meditação conduz a pessoa ao silêncio, assim como o silêncio leva a um estado meditativo. “O pensamento é linguagem. Uma pessoa que fala muito está pensando muito e tem a mente agitada. De nada adianta ficar em silêncio, mas com os pensamentos a mil”, pondera.

"Enquanto prática, o silêncio significa a não ação, retirar-se de sua própria mente e abster-se do mundo. É não pensando, que aprendo a pensar. Não falando, que aprendo a falar", Seigen Viana, mestre zen budista

“Enquanto prática, o silêncio significa a não ação, retirar-se de sua própria mente e abster-se do mundo. É não pensando, que aprendo a pensar. Não falando, que aprendo a falar”, Seigen Viana, mestre zen budista

Apesar de grandes tradições religiosas e espirituais contemplarem a meditação como prática, não é preciso ter religião para praticar a meditação ou o silêncio. A meditação é um exercício cerebral consciente já comprovado pela ciência em imagens de ressonância magnética, que mostram alterações benéficas no cérebro no momento em que é realizada. O modo de funcionamento padrão do cérebro de qualquer pessoa é o de deixar a mente vagar, que é o ‘ficar sonhando acordado’. Essa mente com foco de atenção frágil é chamada “mente selvagem”. A expressão é usada em contraposição à mente treinada pela meditação.

Por essa razão, pode ser difícil para muitas pessoas encontrar o silêncio apenas com o jejum de palavras. “Aprender um pouco sobre meditação é importante para começar bem na prática do silêncio e para que o processo não seja árduo”, salienta Silexi Menta. Além da meditação, ela afirma que exercícios respiratórios auxiliam a acalmar a mente, assim como atividade física, como ioga, natação ou corrida, e ouvir música. “Uma outra sugestão para quem nunca fez um jejum de palavras é passar um dia observando o que se fala. Seria o ‘Dia Zero’. Veja como você se comunica e qual é o seu pensamento. Assim, você terá noção do quão negativamente (ou não) você fala e pensa”, sugere a instrutora de meditação.

A dificuldade não deve ser um empecilho. Caso não consiga sentir os benefícios na primeira tentativa, insista. Uma dica é começar com alguns minutos antes de dormir ou, sempre que tiver a oportunidade de estar em um lugar silencioso, desligue o smartphone e permita que o silêncio te encontre.

Uma vez ao ano
Desde 2010, a empreendedora Clarissa Cruz, de 39 anos, é adepta do jejum de palavras. Uma vez ao ano ela se propõe a ficar 24 horas sem conversar. Coordenadora de comunicação do Instituto Aura Mater, que estuda os ensinamentos da Grande Fraternidade Branca, ela acredita que cada ser humano tem quatro corpos. Além do corpo físico, o emocional, o mental e o etéreo, que seria o mais sutil deles e que conectaria cada indivíduo com o mundo superior. “Somos seres sociais por natureza. Lemos, aprendemos, vemos, processamos, julgamos, sentimos, queremos. Acredito que elementos mais sutis que integram o nosso ser ficam de lado ao valorizarmos essas interações. Com o silêncio, damos espaço para que outras coisas ocorram”, afirma. Clique aqui para ler mais.

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2 comentários

  1. Gostei muito deste post, Maya, vamos praticar o silêncio. Boa chance de ouvir mais os interlocutores!

  2. Não posso me considerar econômica nas palavras. Mas o silêncio me acompanha todos os dias, grande parte do tempo. Me revolvo em mim sempre para ver o que há mais debaixo das camadas de tapetes. E como é gratificante e alegre cada nova descoberta, que atuam sempre na minha serenidade e paz.

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