Com luvas, elas combatem o envelhecimento em treinos de boxe

Zilda de Oliveira, de 79 anos, participa das aulas há um ano em Ribeirão Preto (Foto: Adriano Oliveira/G1 )

Zilda de Oliveira, de 79 anos, participa das aulas há um ano em Ribeirão Preto (Foto: Adriano Oliveira/G1 )

Eu sempre digo que não há salvação para nós que já passamos de uma certa idade – estou com 65 anos -, se não fizermos exercícios físicos. Sem exercício não há bem estar, não há qualidade de vida. Por isso, achei sensacional a decisão das mulheres citadas neste artigo do portal G1, todas com mais de 60 anos, de usar o boxe para mexer o corpo. Qualquer exercício é válido, se você se sente bem. O próprio professor explica que objetivo das aulas não é defesa pessoal, mas qualidade de vida. E pelos depoimentos de cada uma delas, dá pra ver que a coisa funciona. E muito bem.

Leia:

Não é de hoje que o boxe deixou de ser uma prática exclusivamente de defesa pessoal e se tornou mais um recurso de quem busca benefícios, como emagrecimento e condicionamento físico. Em Ribeirão Preto (SP), são as vovós que estão vestindo as luvas e entrando no ringue para lutar contra os efeitos do envelhecimento.

Aos 79 anos, a aposentada Zilda de Oliveira é a mais velha entre as alunas e conta que, após as aulas, passou a dormir melhor, a sentir menos dores e ficou mais disposta para atividades rotineiras, como limpar a casa e viajar de ônibus.

“O exercício não deixa a gente ficar enferrujada, cheia de dor, enrugada. Eu ainda não briguei com ninguém para experimentar se estou boa mesmo. Mas, acho que já estou pronta para dar uns tapas no ‘pé da orelha’ de alguém se precisar”, brinca.

Creuza de Souza, 68, diz que exercícios ajudaram na recuperação da cirurgia cardíaca (Foto: Adriano Oliveira/G1)

Creuza de Souza, 68, diz que exercícios ajudaram na recuperação da cirurgia cardíaca (Foto: Adriano Oliveira/G1)

Para a dona de casa Creuza Reis de Souza, de 68 anos, as aulas no centro de treinamento ajudam a manter a saúde sempre “em dia”. Ela conta que foi submetida a uma cirurgia cardíaca há oito anos e, desde então, pratica exercícios físicos três vezes por semana.

“No começo, meu marido não queria porque tem ciúmes de mim. Eu contei que estava fazendo aula de boxe e ele ficou pensando que era para brigar com ele. Eu digo ‘é para isso mesmo, tem que ter medo de mim agora’”, diz Creuza, caindo na gargalhada.

Apesar do entusiasmo das idosas, o educador físico André Luiz Baccan explica que as aulas não tem como objetivo a defesa pessoal. Os recursos do boxe chinês são usados nesse caso para o desenvolvimento de capacidades físicas, como coordenação motora, força e equilíbrio.

Baccan afirma que os treinos são adaptados e realizados em intensidade menor do que se fossem praticados por pessoas mais jovens. Além disso, exercícios para os braços são intercalados com outros para as pernas, sem exigir muito esforço das “vovós atletas”.

As aulas para idosos acontecem em  um amplo centro de treinamento

As aulas para idosos acontecem em um amplo centro de treinamento

“É uma aula de condicionamento físico, voltada para a saúde do idoso e utilizando recursos de artes marciais, como o boxe chinês e o tai chi chuan. O objetivo é tornar a aula mais dinâmica e realista, para elas se sentirem contextualizadas naquela modalidade”, diz.

Com duração de 50 minutos, a aula tem início com aquecimento e alongamento no tatame. Em seguida, a parte mais esperada: as idosas vestem as luvas e, sob orientação e acompanhamento do professor, passam a chutar e bater no saco de pancadas.

“A gente tem que se preocupar com a segurança delas. Então, vai sempre ter uma cadeira próxima. Querendo ou não, movimentos que giram bruscamente oferecem risco de cair, machucar. Então, são precauções que é preciso ter”, afirma Baccan.

Mais do que saúde e qualidade de vida, o boxe chinês proporciona descontração às vovós. Elas se concentram nos exercícios, fecham o rosto e batem com força no saco de pancada. Mas, basta um intervalo, para alguém fazer uma brincadeira e todas elas caem na risada.

Exercícios de alongamento são parte fundamental das aulas

Exercícios de alongamento são parte fundamental das aulas

“É muito bom porque a gente se diverte, se distrai, conhece outras pessoas, tem com quem conversar. Quando uma das meninas não vem, a gente sente falta. É muito gostoso, é um momento de ficar com as amigas e relaxar, se exercitando”, diz Creuza.

Compartilhe!

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*