Em autobiografia, Rita Lee conta quase tudo que fez, viu e ouviu

Aos 68, a maior roqueira do Brasil se desnuda em livro que será lançado em  16 de novembro

Aos 68, a maior roqueira do Brasil se desnuda em livro

Maya Santana, 50emais

O livro somente será lançado daqui a 10 dias, no próximo dia 16 de novembro, mas quem já leu ou está lendo, como é o caso de Nelson Motta, autor do artigo abaixo, publicado em O Globo, só tem elogios para a autobiografia de Rita Lee,68, rainha do deboche, da irreverência, do rock e das coisas bem feitas. Tão logo seja lançada, vou comprar porque, já falei tantas vezes aqui no 50emais, adoro Rita Lee, sobretudo, pela sua autenticidade, honestidade consigo mesma e, claro, pela sua arte. “O humor inteligente, a irreverência e a capacidade de autoescracho que caracterizam o estilo de Rita marcam a sua narrativa”, conta Nelson Motta, encantado com o livro.

Leia o artigo:

Num remoto baile de carnaval em Rio Claro, no interior de São Paulo, a italianinha Chesa era uma bela colombina, disputada pelo jovem pierrô Ulysses Guimarães, com seus olhos azuis e seu dom da palavra, e por Charles, um arlequim filho de americanos e neto de índia cherokee. No final, o gringo ganhou a italianinha. Era o futuro pai de Rita Lee, como ela conta em sua sensacional autobiografia: “Difícil me imaginar uma Rita Guimarães, deputada do PMDB, defensora dos ‘frascos e comprimidos’, praticamente uma Neusinha Brizola coxinha.”

Os Mutantes. Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Dias, 05/02/1971 (Foto: Rodolpho Machado / Agência O Globo)

Mutantes. Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Dias, 05/02/1971 (Foto: Rodolpho Machado / Ag. O Globo)

O humor inteligente, a irreverência e a capacidade de autoescracho que caracterizam o estilo de Rita marcam a sua narrativa. Fiel ao seu lema “brinque de ser sério, leve a sério a brincadeira”, ela conta tudo que fez, que viu, que ouviu, e de que consegue se lembrar… rsrs. Mas Rita sempre assume suas responsabilidades: “Não faço a Madalena arrependida com discursinho antidrogas, não me culpo por ter entrado em muitas, eu me orgulho de ter saído de todas. Reconheço que minhas melhores músicas foram compostas em estado alterado, as piores também. Encontrei um barato maior: a mutante virou meditante.”

Sua história com Os Mutantes, que a expulsaram da banda e assim a levaram à fabulosa carreira solo, é narrada com ironia e sarcasmo, sempre chamando os irmãos Sérgio e Arnaldo Dias Baptista de “ozmano” e contando episódios gloriosos e patéticos dos “três patetas”. Mas elogia as qualidades guitarristísticas de Sérgio e o charme, talento e humor de Arnaldo, com quem se casou no cartório. Mas depois foram ao programa da amiga Hebe Camargo, rasgaram a certidão ao meio e deram à apresentadora.

Tempos depois, Hebe estava passando e recolheu Rita da rua completamente drogada e a levou para casa, deu banho, trocou as roupas e deu comida na boca. Dramas e comédias se misturam com sexo, drogas e rock and roll, entre deboches hilariantes com as estrelas da MPB, como na sua prisão por uma bagana de maconha, que levou Elis Regina, sua arquirrival de “Rock X MPB”, a juntar uma multidão em frente à delegacia e virar melhor amiga…

E ainda estou na página 68.

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