Dráuzio Varella: “Toda mulher é uma prisioneira”

A sociedade passa o tempo todo tentando controlar o comportamento dela

Dráuzio Varella no Conversa com Bial: “A sociedade passa o tempo todo tentando controlar o comportamento da mulher”

Maya Santana, 50emais

Já falei aqui mais de uma vez da minha admiração pelo médico e escritor Dráuzio Varella. Depois de ver a entrevista que ele deu ao Conversa com Bial, alguns dias atrás, não há como não admirá-lo ainda mais.

Dráuzio foi convidado para ir ao programa falar de seu mais recente livro, Prisioneiras, que completa a trilogia sobre o sistema carcerário brasileiro, iniciada com Estação Carandiru, seguido de Carcereiros. Em Prisioneiras, Dráuzio faz um mergulho profundo neste mundo ignorado pela sociedade, barulhento, segundo o autor, e difícil habitado apenas por mulheres.

Na entrevista, Dráuzio fala das enormes diferenças entre um presídio masculino e um feminino. E conclui: “Toda mulher é uma prisioneira. Todas são aprisionadas de alguma forma. A sociedade passa o tempo todo tentando controlar o comportamento da mulher.”

Veja a entrevista:

Leia um trecho do livro Prisioneiras

De todos os tormentos do cárcere, o abandono é o que mais aflige as detentas. Cumprem suas penas esquecidas pelos familiares, amigos, maridos, namorados e até pelos filhos. A sociedade é capaz de encarar com alguma complacência a prisão de um parente homem, mas a da mulher envergonha a família inteira.

Enquanto estiver preso, o homem contará com a visita de uma mulher, seja a mãe, esposa, namorada, prima ou a vizinha, esteja ele num presídio de São Paulo ou a centenas de quilômetros. A mulher é esquecida.

A trilogia completa

A trilogia completa

Chova, faça frio ou calor, quem passa na frente de um presídio masculino nos fins de semana fica surpreso com o tamanho das filas, formadas basicamente por mulheres, crianças e um mar de sacolas plásticas abarrotadas de alimentos. Já na tarde do dia anterior chegam as que armam barracas de plástico para passar a noite nos primeiros lugares da fila, posição que lhes garantirá prioridade nos boxes de revista e mais tempo para desfrutar da companhia do ente querido.

Em onze anos de trabalho voluntário na Penitenciária Feminina, nunca vi nem soube de alguém que tivesse passado uma noite em vigília, à espera do horário de visita. As filas são pequenas, com o mesmo predomínio de mulheres e crianças; a minoria masculina é constituída por homens mais velhos, geralmente pais ou avôs. A minguada ala mais jovem se restringe a maridos e namorados registrados no Programa de Visitas Íntimas, ao qual as presidiárias só conseguiram acesso em 2002, quase vinte anos depois da implantação nos presídios masculinos. Ainda assim graças às pressões de grupos defensores dos direitos da mulher.

São poucas as que desfrutam desse privilégio. Na penitenciária o número das que recebem visitas íntimas oscila entre 180 e duzentas, menos de 10% da população da casa. (Fonte: O Globo)

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