Maturidade ativa: ela está lançando seu 1º livro aos 70 anos

Anna L P Gouthier escreveu um denso livro sobre o Brasil antes da chegada dos portugueses

Anna L P Gouthier escreveu um denso livro sobre o Brasil antes da chegada dos portugueses

Maya Santana, 50emais

Quando minha amiga Beth Lima sugeriu que o 50emais entrevistasse Anna Luciana P. Gouthier a propósito de um livro que a administradora de empresas, poetisa e escritora está lançando, imediatamente mostrei interesse. Não só por causa do tema abordado na obra, o Brasil pré- 1500, ou seja, antes de ser “descoberto” por Portugal, como pelo fato de Anna ser um belo exemplo de maturidade ativa.

Beirando os 70 anos,ela nos apresenta “Pindorama & Antigas Trilhas Humanas”,seu primeiro livro, resultado de um mergulho em um passado distante -“Minha história começa em aproximadamente 150 mil anos Antes de Cristo”, escreve ela. Ao longo de 432 páginas, Anna discorre sobre como e por que os primeiros seres humanos se lançaram, a partir da África, na travessia de continentes e oceanos, até chegarem a atual América do Sul e, conseqüentemente, ao que hoje é o Brasil. Um trabalho fascinante, com um título original. Pindorama, ou Terra das Palmeiras, era como os índios Tupis chamavam, antes do “descobrimento”, este imenso território que nós brasileiros habitamos.

Não que Anna tenha começado a escrever agora. Desde muito jovem, no princípio da década de 1960, quando frequentava o Colégio São Paulo, em Belo Horizonte, ela mostra interesse na árvore genealógica da família e iniciou uma pesquisa sobre seus antepassados. Finalmente, embalada pelas histórias inesquecíveis contadas por Teresa, a adorada avó materna,deu início aos seus planos literários, inicialmente escrevendo poesia. Tem, inclusive, uma coletânea de poemas de caráter autobiográfico, que acompanhados de seus históricos em prosa, pretende transformar em livro; além de uma série de outros projetos editoriais já alinhavados. O mais interessante é que só agora, na chamada terceira etapa da existência, a administradora de empresa tenha decidido mostrar ao mundo a sua porção escritora.

A autora com seus  pais, na década de 1950

A autora com seus pais, Antônio Luciano e Clara, na década de 1950

Anna L. P. Gouthier tem uma história instigante. Nasceu em BH em uma família tradicional, das mais abastadas. O pai era Antônio Luciano Pereira Filho, industrial, médico e empresário, figura conhecida em Minas, e a mãe, Clara Dayrell Cattapreta Luciano Pereira. A mais velha dos três irmãos, desde cedo sonhava em escapar da capital mineira, então, uma cidade pequena, tacanha, que se comprazia criando histórias em torno da família Luciano Pereira. Sua primeira escapulida foi aos 14 anos, quando obteve consentimento dos pais para fazer um curso de inglês nos Estados Unidos, nas férias de janeiro. No ano seguinte, também por um mês, durante as férias, viajou para Paris, para aprender francês.

Ficou assim, passando pequenas temporadas anuais nos dois países, enquanto terminava seu curso secundário no Brasil, até que, aos 19 anos, resolveu estudar Administração de Empresas, na Boston University, no estado americano de Massachusetts. Tomou gosto pela liberdade que se desfruta vivendo anonimamente em outro país e, enquanto frequentava a universidade,apaixonou-se por um britânico, cuja família a convidou a visitar a Inglaterra. Nessa ilha do Norte, finalmente, conheceu o armador britânico de origem grega Elias Mavroleon, com quem acabou se casando. Contrariando os desejos do pai, que a queria trabalhando nos negócios da família, mudou-se para Londres, mas sempre com muitas idas e vindas ao Brasil para visitar a família. Na capital britânica, que tanto ama, nasceram seus dois filhos: Beatrice, jornalista, também moradora de Londres, e Basil, armador, residente em Atenas, a capital grega.

Não foi uma nem duas vezes que Anna tentou retornar ao Brasil. E nos anos 90, já separada do marido grego, durante 14 anos residiu em Belo Horizonte e no Rio. Para os fins desse período, a vida da administradora deu uma reviravolta: ela reencontrou o jornalista e advogado Roberto Gouthier, seu atual marido. Os dois haviam mantido “um namorico” quando ela tinha apenas 14 anos e ele, 18. “Por razões profissionais, ele foi para São Paulo e o relacionamento teve um fim”. “Quarenta anos se passaram”, conta Anna. “Um dia, no aeroporto, ele me reconheceu e veio falar comigo. Também havia tido dois filhos e estava separado. A minha situação era a mesma”. Resultado: os dois estão casados há 15 anos. E até hoje, parecem enamorados. Nas palavras dela, “esta é uma história de amor e tanto. ”

Com os dois filhos,       e Basil, do primeiro casamento, com o armador

Com os filhos, Beatrice e Basil, do casamento com Elias Mavroleon

Alguns anos mais tarde, Anna tomou a decisão de voltar de vez para sua Londres, onde vive com Roberto por pelo menos oito meses por ano – os quatro meses restantes, no Rio de Janeiro. Neste período, faz visitas constantes a Belo Horizonte para tratar de questões relacionadas à administração do Dayrell Hotel e Centro de Convenções, no centro da capital mineira.

Quando fui entrevistá-la, em seu apartamento, no Rio, me impressionou ver como é organizada, metódica – tudo nos seus devidos lugares. Sabe exatamente onde estão as pastas no computador dos vários projetos que toca. Às segundas, quartas e sextas trabalha somente na administração de seus negócios. Já as terças, as quintas e os sábados são dedicados exclusivamente às suas pesquisas e seu trabalho literário. Fica de manhã à noite, lendo, analisando informações que recolhe de livros, da internet, e escrevendo. Trabalha com disciplina. Levou entre quatro e cinco anos para concluir a densa história que conta em “Pindorama & Antigas Trilhas Humanas”.

Este seu primeiro livro foi quase todo escrito em Londres, onde encontra o ambiente de quietude propício para trabalhar. A autora mantém total empatia com a capital da Grã-Bretanha, onde já viveu mais da metade de sua vida. Sua intimidade com a língua inglesa é tamanha que escreveu “Pindorama…” em inglês para, depois, traduzi-lo para o português. “Londres é meu refúgio. É onde encontro paz. É onde me sinto inteira, ” confidencia ela – o que não significa que se sinta inglesa. “Não. Sou brasileira. O Brasil é muito forte na gente. Meus dois filhos, por exemplo, nasceram em Londres, mas se consideram brasileiros.”

Ao lado do atual marido, Roberto Gouthier, um amor da juventude que reencontrou 40 anos mais tarde

Ao lado do atual marido, Roberto Gouthier, um amor da juventude que reencontrou 40 anos mais tarde

Anna não é daquelas que freqüentam academia, embora seja magra e esteja em forma. Confessa que caminha três vezes por semana. E as caminhadas não duram muito mais do que meia hora. A silhueta delgada, explica ela, tem menos a ver com exercícios do que com uma alimentação muito bem balanceada: “Tenho paixão por nutrição. Herdei isto de meu pai, que era médico e estava sempre falando da importância da gente se alimentar bem. Então, eu cresci com esta mania de nutrição. Não como nada de errado.”

Já quase terminando a nossa conversa, pergunto: E como você vê seu envelhecimento? Ela responde naturalmente:
“Envelhecer é uma aventura. É não só um privilégio, mas uma oportunidade de viver algo que ainda não vivi. Por que eu quereria estar sempre com 30 anos? Não, prefiro a aventura, a experiência nova”, disse, completando satisfeita: “E agora que estou escrevendo meus livros, vou encontrar diversão por muitos anos. Eu tinha um parente com mais de 90 anos que estava escrevendo um livro. Quero ser como ele.”

Leia também:
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Uma das ilustrações do livro

Uma das ilustrações do livro

Trecho do livro Pindorama & Antigas Trilhas Humanas:

“O país que conhecemos como Brasil teve muitos nomes ao longo do tempo, mas infelizmente eu não consegui descobrir como ele era chamado pelo povo Krenac. , que aí vive desde 15000 AC. Seus descendentes ainda habitam várias partes do país, incluindo a Bacia Amazônica, o Planalto Central e Minas Gerais, de onde eu sou. Alguns desses indígenas, contudo, não falam mais a sua língua materna, uma vez que as circunstâncias forçaram-nos a aprender o Português. O restante vive em áreas praticamente isoladas, e temos pouco contato com eles.

Em aproximadamente 3000 AC, as tribos Tupi fizeram suas incursões ao interior do país e, felizmente, o Tupi moderno ainda é falado em algumas nações da América do Sul. Eles deram à sua terra, agora nossa, o nome de Pindorama. No ano de 1500 AD, quando os Portugueses a invadiram, os seus novos territórios passaram por uma série de denominações, como, por exemplo, Ilha de Vera Cruz, nome mudado rapidamente para Terra de Santa Cruz ainda em 1500, quando se deram conta do seu grande erro – não se tratava exatamente de uma ilha. Mas, uma vez de volta à Europa, alguns se referiram à descoberta como a Terra dos Papagaios.

Cinquenta anos depois, após o período no qual Fernando de Noronha arrendou a região para a exploração de pau-brasil, os europeus foram aos poucos modificando o nome dado à terra de onde extraíam tanta riqueza vegetal para a terra do pau-brasil. E, assim, na época do primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, a colônia do sul havia se tornado a Terra do Brasil.”

Serviço

PINDORAMA & Antigas Trilhas Humanas
Anna L P Gouthier
Não-ficção, 432 páginas, impressão colorida;
Anastasia Publications / Legraphar, Ouro Preto

Através de escritório de Anastasia Creations, em BH, enviamos livros com impressão colorida, 437 páginas, em português ou em inglês.

Favor contatar-nos por Email: alpgouthier@dayrell.com.br ou
Por WhatsUp: +55 319 9192 0841
Preço: R$ 70 + frete para copias em português;
e R$75 + frete para copias da edição original inglesa.

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2 comentários

  1. Maria Thereza Hatschbach

    Desejo adquirir o livro da autora Anna Gouthier.Moro em Goiania e gostaria de saber por qual banco enviar o dinheiro, mais o frete.
    Sou amiga da autora,mas ainda não consegui adquirir o seu livro.

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