A face dura do centenário Jeca

Mazzaropi fez 33 filmes e tornou-se sinônimo de caípira, jeca

Marcelo Osakabe

Você pode não ter visto seus filmes, mas certamente conhece a figura do caipira maltrapilho que precisa se adaptar à vida na cidade grande. Na figura do Jeca, Amácio Mazzaropi, nascido há 100 anos e morto de câncer, aos 69 anos, em 1981, tornou-se um dos grandes personagens do cinema brasileiro.

Estrela do circo, teatro e do rádio, “Mazza”, como era chamado por seus amigos, esteve na primeira transmissão da televisão brasileira, em 1950. Mas foi no cinema que ele imprimiu sua marca. Estrelou 33 filmes, dos quais 25 em sua própria produtora, a PAM (Produções Amacio Mazzaropi), reinando absoluto nos anos 1960 e 1970. Naquele tempo, era praticamente o único representante do cinema nacional que fazia frente aos enlatados americanos.

Ele vestia ternos bem cortados, era um empresário agressivo

A imagem simplória, inocente e bondosa pela qual ficou famoso contrasta com a impressão daqueles que trabalharam e conviveram pessoalmente com ele. “Se você visse o Amácio na calçada, você não o reconheceria”, diz Maximo Barro, de 82 anos, professor e produtor de cinema que trabalhou em três filmes de Mazzaropi. O homem de andar torto e sotaque interiorano dos filmes vestia ternos bem cortados, era um empresário agressivo e um produtor de cinema centralizador. Praticamente todos os aspectos de seus filmes giravam em torno dele.

Amácio nasceu em São Paulo, em 1912. Sua infância foi vivida no interior do Estado, principalmente na cidade de Taubaté. Foi lá que teve os primeiros contatos com o mundo circense e com o “caipirismo”, uma estética já utilizada na literatura e no teatro. “Ele nunca escondeu a admiração que tinha por Genésio Arruda (1889-1967), um dos primeiros artistas a interpretar esse tipo caipira. Mas enquanto a entonação de Genésio era dele mesmo, a do “Mazza” é uma coisa que ele aprendeu de ouvido”, diz Barro.

http://youtu.be/5qAsnYxrZhQ

Foi com esse personagem caipira que Mazzaropi alcançou o estrelato no filme Candinho, de 1953. O sucesso foi tamanho que ele saiu da Companhia Vera Cruz e montou sua própria produtora, a PAM. Lá, ele se mostrou um empreendedor. Num tempo em que os números de bilheteria dos cinemas era constantemente fraudados, ele enviava pessoas de sua confiança para acompanhar os nove rolos do filme e verificar a bilheteria. “Essas pessoas, que vinham do circo e do teatro, tinham uma fidelidade quase canina para com ele’, diz Barro. “Ficavam lá, de contador na mão, marcando o tamanho do público pagante.” Leia mais em www.epoca.com.br

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Um comentário

  1. Mazzaropi me traz as melhores recordações! adoro!!!!!!!!!

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