A guerra contra as mulheres, por Rosiska Darcy

Aqui 50 mil mulheres são violadas por ano

No Brasil, 50 mil mulheres foram violentadas no ano passado

Finalmente, alguém se dedica a contar o que acontece no Brasil quando o assunto é estupro. Em dezembro do ano passado, uma jovem indiana de 23 anos foi estuprada por seis homens dentro de um ônibus e seu corpo lançado para fora com o veículo em movimento. Ela morreu e a história correu mundo. Falou-se exaustivamente do caso no Brasil, mas praticamente ninguém da imprensa brasileira teve o trabalho de dar uma olhada nos números alarmantes de estupros registrados aqui no país. Este artigo, escrito pela brilhante socióloga Rosiska Darcy de Oliveira para O Globo, dá a dimensão da nossa tragédia: “Aqui 50 mil mulheres são violadas por ano e a sociedade assiste em silêncio”, afirma ela.

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A história das mulheres é um longo percurso de lutas contra a humilhação e a  brutalidade, escrevi há 30 anos. Não pensei que voltaria a escrever. Tudo  parecia indicar que a sociedade brasileira saíra da Idade da Pedra com seus  Brucutus arrastando as mulheres pelos cabelos e possuindo-as no melhor estilo  animal.

Ilusão. A história das mulheres continua marcada pela humilhação e a  brutalidade. É o que contam os dados do Fórum Nacional de Segurança Pública: 50  mil casos de estupro no Brasil no ano de 2012. Este número aberrante não deveria cair no esquecimento como uma má notícia  entre outras. Cinquenta mil americanos morreram na Guerra do Vietnam e isso  mudou a América. Aqui 50 mil mulheres são violadas por ano e a sociedade assiste  em silêncio.

Segundo a pesquisa, o número de casos vem aumentando. Os estupros de fato  aumentaram ou o que aumentou foi sua notificação? Se assim for, é provável é que  esses números sejam apenas a ponta do iceberg. Um caso isolado de estupro é uma tragédia que o senso comum põe na conta de  algum tarado que ninguém está livre de encontrar numa rua deserta. São  psicopatas que agem por repetição à semelhança dos serial killers. Requintados  torturadores, desprovidos de culpa ou remorso, são descobertos e presos. Quando  saem, reincidem.

Cinquenta mil casos têm outro significado. A psicopatia não explica.  Configura-se uma tara social, uma sociedade que convive com a violência sexual  com uma naturalidade repugnante. São milhares de estupradores que, assim como os  torturadores, transitam entre nós como gente comum. Estão nas ruas, nas festas,  nos clubes, lá aonde todos vão, e passam despercebidos. Estão nas famílias e nas  vizinhanças onde mais frequentemente agem — suprema covardia — aproveitando-se  da proximidade insuspeita com a vítima. Clique aqui para ler mais.

 

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