O melhor da comida baiana, preparado por uma chef, em sua casa

Neide é referência no Rio, quando se trata das delícias da comida baiana

Neide Santos, 58, é referência no Rio, quando se trata das delícias da comida baiana

As publicações especializadas em culinária costumam apontá-la como referência no Rio de Janeiro, quando se trata de comida baiana. Neide Santos, 58, nascida e criada em Salvador, comandou durante muitos anos, no bairro de Botafogo, no Rio, o renomado restaurante Yorubá, sinônimo de tudo de melhor que a Bahia tem e de freqüentadores ilustres, como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil. O tempo passou e Neide, acompanhando o tempo, resolveu mudar. Agora, atende em domicílio. Se você quer reunir a família, os amigos, os colegas de trabalho em torno de pratos deliciosos, a chef vai até a sua casa e prepara as iguarias que você escolher. Se preferir, tudo pode ser entregue em casa pronto para servir, é só encomendar. Outra opção é receber os pratos semi-prontos para você mesma finalizar. Neide faz a comida afro-baiana mais deliciosa que já tive o prazer de provar. Quer saber mais e como entrar em contato com a chef?

Leia a reportagem de Tinda Costa:

A muqueca de camarão da chef baiana é dos deuses

A muqueca de camarão da chef baiana é dos deuses

O segredo da boa comida ela aprendeu quando ainda era bebê. Foram suas duas mães, a irmã Ana Célia e a sua Tia Gertrude, que lhe ensinaram a arte da culinária. A pequena Neide, por ser a caçula entre 8 irmãos, levava vantagem quando Tia Gertrudes colocava a família toda para cozinhar. Os meninos partiam côco. As meninas cortavam, ralavam e torravam castanha para o vatapá. Enquanto os mais velhos suavam para preparar os ingredientes para a tia, Neide, tão pequenininha, não podia participar desse processo. Ficava em cima de um tamborete, na beira do fogão, apreciando elas juntarem os temperos. Ali, num lugar privilegiado, a menina sentia o cheiro da comida e ficava encarregada de provar. As raspas das panelas também eram todas dela.

Foi bebendo dessa fonte de tradição familiar que Neide se tornou hoje uma das melhores chefs da culinária afro-bahiana do Brasil. Todo esse aprendizado, ela colocou em prática no restaurante Yorubá, por três vezes, eleito o melhor restaurante de comida brasileira pela revista Veja. Eu era freqüentadora assídua do restaurante. Hoje, pelo menos uma vez por mês, contrato os serviços de Neide e convido amigos para degustar a mais saborosa comida afro-baiana do país.

Acarajé: torna-se verdadeira iguaria pelas mãos de Neide

Acarajé: torna-se verdadeira iguaria pelas mãos de Neide

As muquecas preparadas por Neide são deliciosas, mas meu prato preferido é o ebubu fulo,um peixe cozido no gengibre e leite de coco com molho de camarão servido com purê de banana-da-terra. Há quem prefira o piripiri, camarões tipo VG com arroz-de-hauçá. A cozinha de Neide é artesanal, ela faz questão de frisar, tudo do bom e do melhor feito na hora.

Neide nasceu no dia 17 de maio em Salvador, Bahia. A família morava no Garcia, um bairro bem central, perto do Gantoá e do Teatro Castro Alves. O pai de Neide, Desidério Ricardo dos Santos, era um pescador valente. Sua coragem lhe rendeu um apelido peculiar. Depois de lutar com um caramuru, um peixe arisco e de mordida perigosa, Desiderio passou a ser conhecido pelo nome do peixe que venceu. A mãe, Urania, era do lar e o que não lhe faltava era trabalho, principalmente, com as oito crianças pequenas: Deraldo, Ana Celia, Wilson, Conceição, Ura (Uranildes) Bené, Danda e Neide.

Este é um prato bem africano: ebulu fulô:  verdadeiro manjar

Este é um prato bem africano: ebulu fulô e um verdadeiro manjar

A menina Neide não era muito de esquentar banco de escola. Adorava filar aula para ir à praia ou a Feira de São Joaquim onde pedia aos feirantes pedaços de carne restos de frutas e legumes para fazer o “cozinhado” no domingo. Na Bahia, naquela época, as crianças se juntavam para brincar de cozinhar. O “cozinhado era incentivado” pelas famílias. Quando matavam galinha davam as tripas para as crianças limpar. Depois, elas temperavam só com sal e fritavam.´”Gostosa demais”, diz ela.

Neide só passou a levar a cozinha a sério quando a irmã Ana Célia abriu um restaurante chamado Zanzibar para a sobrevivência da família. Logo o Zanzibar ficou conhecido pela qualidade da cozinha de Ana Célia. Ela cozinhava e Neide ficava olhando para pegar o jeito que a irmã queria. O cardápio foi todo montado com os pratos que elas aprenderam quando eram crianças, com algumas transformações. Neide começou a ajudar a irmã e passou a revezar com ela a responsabilidade do fogão, parceria que durou 15 anos. Depois, ela se aventurou sozinha numa pequena lanchonete, no Pelourinho. Ali ela servia, principalmente, saladas e sucos naturais e entre os seus muitos clientes, estava o fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger.

Há também os doces baianos, como as cocadas, branca e preta

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Antes de aportar no Rio de Janeiro, Neide ainda teve um restaurante em Brasília, mas por pouco tempo. Para nossa sorte é na Cidade Maravilhosa que Neide Santos mostra a excelência de sua culinária artesanal. Por isso, se você quiser comer um bobó de camarão delicioso ou uma muqueca de siri inesquecível ou um acarajé dos anjos, agora já sabe como matar seu desejo.

Contato Neide Santos: (21) 99128-5953

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3 comentários

  1. Conheci Neide no início de seu percurso com o Yorubá. Me apaixonei! Não havia uma alma que conhecesse que não comentasse sobre o lugar e logo marcava de levar lá. O Yorubá faz parte de minha vida… Eu tive o enorme prazer de fazer os menus, quando ainda engatinhava na informática. Noites deliciosas ao som da MPB e com comida de primeira. Se há algo, na vida que sinto saudades, é daquele ambiente inigualável. Te amo, Neide.

  2. Querida Neide, a conhecemos no inesquecível Yoribá.

    Você continua em algum outro restaurante?

    Bjs

    Marcus Vinicius e Katia

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