A velhice é uma doença. O que temos que saber é rejuvenescer

Maya Santana, 50emais

O exercício físico é fundamental para uma velhice mais sadia

Este artigo de Nizan Guanaes, publicado na Folha de São Paulo, é, no minimo, intrigante. É uma outra forma de olhar o envelhecimento, mostrando que caminhamos, graças principalmente aos avanços da medicina, para viver mais e melhor. “Hoje, temos mais consciência da importância de dormir mais e melhor, da boa alimentação, do perigo devastador dos benzodiazepínicos para dormir (pior que droga). Fumar virou uma aberração. Esporte virou uma mania,” diz ele. A ordem é não se entregar à velhice, à ociosidade vazia, à preguiça de ler e de fazer exercícios.

Leia o artigo:

A frase do título, que parece cruel, não é minha. Eu a ouvi de renomados cientistas que palestravam na Universidade Stanford, na Califórnia. Eles dizem que a velhice não é um estado inquestionável ao qual devemos nos resignar. E que, ao invés de sabermos envelhecer, temos é que saber rejuvenescer.

Da mesma maneira com que se abria o peito para mexer no coração infartado numa operação perigosíssima e hoje se põem stents na maior simplicidade, em pouco tempo novos órgãos em 3D e intervenções genéticas reverterão o que antes era doença incurável.

A ciência vai cada vez mais reverter, deter ou retardar muita coisa que seria o fim. Viveremos muito mais e melhor. Dizem que nossos netos passarão dos 120. Na Idade Média, a idade média era menos de 30. “Balzaquiana”, termo machista e anacrônico, servia em décadas passadas para designar uma “senhora” de 30 anos!

Aquela história de que é preciso saber envelhecer já era. Temos que saber rejuvenescer —com menos medicina e mais prevenção, menos resignação e mais determinação. Sim, Abilio Diniz tem razão.

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A melhor medicina hoje é a informação. Já existem curas novas na medicina do futuro e também na medicina do passado, como na ciência da velha Índia —a limpeza obsessiva do intestino que a medicina védica prega há milênios. Ou no antigo ditado romano “mente sã, corpo são”.

Claro que os benefícios não chegarão imediatamente à maioria das pessoas. Mas vive-se mais no século 21 graças a vacinações em massa, e Stanford diz que haverá vacinas para a velhice. E que, assim como é uma decisão morrer de fumar, de beber, de droga ou de manteiga, envelhecer será uma decisão por causa de avanços como os da nanomedicina, que com suas nanomáquinas, destrói a célula cancerígena; da Crispr, que é capaz de editar o código genético; do big data, aplicado à sequência genética e à imagem molecular; da inteligência artificial, diagnosticando câncer de mama com maior assertividade que a medicina comum.

E há ainda a competição geocientífica que acelera descobertas. O Ocidente, com suas universidades, startups e hospitais maravilhosos. A China, construindo uma cidade do tamanho de San Francisco só para a medicina, a China Medical City, que, quando pronta, será um centro hospitalar, científico, de congressos.

Mas não é só o avanço da ciência, é também o avanço da consciência. Hoje temos mais consciência da importância de dormir mais e melhor, da boa alimentação, do perigo devastador dos benzodiazepínicos para dormir (pior que droga). Fumar virou uma aberração. Esporte virou uma mania.

Tudo isso é uma bênção e também um problema. Como hospedar ainda mais gente numa Terra exaurida? Onde, como, com que dinheiro?

Definitivamente, não é “business as usual”. Por isso este artigo num caderno de economia. Estamos no meio de uma revolução sem precedentes e sem fronteiras.

A frase maravilhosa e terrível de Stanford (“envelhecer é uma doença”) deve ser entendida com olhos do futuro e ouvidos de ciência.

A medicina é o novo ouro. Hospitais cuidavam da doença e agora cuidarão cada vez mais da saúde, da prevenção e do rejuvenescimento.

Envelhecer não é uma arte, rejuvenescer é que é.Eu tirei álcool, tabaco, refrigerante e benzodiazepina da minha vida e agora luto para tirar glúten, lactose e um monte de lixo que julgávamos luxo.

A piada que ouço é: e restou o quê? Restou tempo, e um monte de maneiras novas de comer as mesmas coisas de outro jeito —com o tempero do futuro

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