Andropausa ocorre em 20% dos homens com mais de 50 anos

A andropausa pode provocar a diminuição da libido ou desejo sexual

A andropausa pode provocar a diminuição da libido ou desejo sexual

Dr. Márcio de Sá* –

Andropausa ou climatério masculino é a queda nos níveis dos hormônios sexuais masculinos, principalmente da testosterona, além da queda fisiológica (funcional do organismo) normal, conseqüência do avançar da idade. A testosterona é produzida nos testículos.

Embora em alguns homens possa ocorrer a parada total da produção do hormônio testicular, isso só acontece em uma mínima percentagem da população masculina. Em cerca de 20% deles, pode ocorrer uma diminuição da testosterona, em geral progressiva e muito lentamente, a qual pode vir acompanhada, ou não, de alterações no organismo masculino.

A palavra Andropausa é, assim, conceitualmente errada. Pois, contrariamente à pós-menopausa ou climatério feminino, como vimos no artigo Reposição hormonal, uma decisão que deve ser muito bem pensada a diminuição da produção hormonal sexual masculina é raramente total e acontece em poucos homens.

O climatério masculino pode ser acompanhado dos seguintes sintomas:
– Diminuição da libido ou desejo sexual;
– Distúrbios da ereção peniana;
– Diminuição da força e da agilidade físicas;
– Dificuldade de concentração;
– Diminuição da autoestima;
– Alterações do humor, irritabilidade, desânimo;
– Distúrbios da memória recente;
– Cansaço crônico sem outra causa evidente;
– Fragilidade óssea;
– Problemas cardíacos.

O diagnóstico da andropausa é feito por meio da avaliação do conjunto dos sintomas e das queixas apresentados pelos homens a partir dos 45 anos e da dosagem sanguínea da testosterona. Não é obrigatório, entretanto, que uma baixa dosagem de testosterona resulte em queixas e sintomas.

O tratamento indicado é o uso da testosterona em substituição hormonal – geralmente em injeções intramusculares trimestrais – a forma de administração que apresenta melhores resultados.

A substituição hormonal com testosterona é unicamente indicada para os homens que apresentam:

– Queixas e sintomas;
– Constatação de um nível sanguíneo baixo de testosterona, dosado e reconfirmado em um segundo exame.

andropausa box

As principais contra-indicações da substituição hormonal são:
– Doenças da próstata;
– Problemas psiquiátricos graves;
– Problemas respiratórios importantes;
– Apneia do sono.

Os potenciais efeitos colaterais do uso da testosterona em substituição hormonal são:
– Hipertrofia benigna da próstata (aumento benigno do tamanho da próstata, o qual pode ocasionar sintomas urinários crônicos);
– Câncer da próstata;
– Câncer da mama (os homens, também, podem ter câncer de mama);
– Tromboembolismo (fenômeno grave no qual um trombo, um coágulo de sangue é formado, em geral em uma veia da perna, de onde se desprende e percorre o corpo humano, podendo ir localizar-se nos pulmões: tromboembolismo pulmonar, ou no cérebro: tromboembolismo cerebral, ou em outros órgãos),
– Problemas no funcionamento do fígado.

Fernando P. tem 65 anos, é casado há 39 e até os 56 anos levava uma vida sexual ativa e prazerosa com sua mulher. Nessa época, ele começou a sentir-se desanimado, “com uma fraqueza, muito triste e sem tesão…”.

Ele procurou o seu urologista, a quem ele não consultava para examinar a próstata fazia oito anos, que suspeitou clinicamente, mediante suas queixas e sintomas, do início da andropausa. Solicitou, então, a dosagem de testosterona e examinou a sua próstata….

O segundo resultado do exame de dosagem sanguínea confirmou uma queda importante do hormônio. Seu médico propôs-lhe a substituição hormonal, na dose terapêutica a mais baixa, em injeções aplicadas trimestralmente.

Na primeira consulta de controle, quarenta dias após a primeira injeção de testosterona, Fernando compareceu muito animado e contente com o “tesão que voltou e a vida em geral”. Seu urologista o controla a cada 3 meses e, até o presente, nenhum efeito colateral sério ocorreu.

A andropausa, como é conhecida (hipogonadismo é o termo medicamente correto) é uma realidade vivida por cerca de 20% dos homens, em graus variados de acometimento. Ela pode surgir a partir dos 45 anos, mas, como vimos, é um problema constatado nos homens a partir dos 50.

Quando corretamente diagnosticada e bem tratada, a andropausa deixa de ser um problema para nós,homens que continuamos envelhecer.

*Márcio de Sá é médico clínico formado pela UFMG, especialista em Medicina Preventiva, Mestre em Saúde Pública pela Université Paris VI, e trabalhou durante 11 anos no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. O médico mora e trabalha no Rio de Janeiro e escreve para o 50emais todas as terças-feira. Envie sugestões de temas que você gostaria que Dr. Márcio abordasse em seus artigos.

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3 comentários

  1. Meu marido fez cirurgia na pele do pênis,teve balanopostite, depois nunca mais conseguiu ,ter boas relações sexuais, foram ficando cada vez mais espaçadas, e agora com 60, já não é mais possível, ele está muito irritado, um dos motivos de nosso começo de separação.

  2. SANDRA AYMONE PEREIRA DA COSTA

    O título do artigo nos leva a crer que apenas 20% dos homens sofrem problemas relacionados à ereção e à l8bido após os 50 anos. Deixa ver se eu entendi: só se pode chamar de “andropausa” quando os hormônios deixam totalmente de ser produzidos? E sua diminuição natural, relacionada ao envelhecimento, não tem um nome? Fica parecendo que 80% dos homens não sofrem alterações hormonais relacionadas à idade.

  3. Bom dia!
    parabéns pelo post

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