Ângela Maria chega aos 85 anos muito bem

Homenageada por Neymar em maio do ano passado, no aniversário de 84 anos

Homenageada por Neymar no aniversário, em maio do ano passado

Maya Santana

Nestes tempos tumultuados em que vivemos, a gente quase não ouve mais Ângela Maria, uma das cantoras mais importantes da música popular brasileira, que serviu de modelo e inspiração para tanta gente, inclusive, para Elis Regina. Numa de suas entrevistas, Elis contou que, como ouvia muito rádio, encantou-se com a voz de Ângela: “Comecei minha carreira imitando descaradamente a Ângela Maria. É com extrema felicidade que confesso isso,” declarou ela, completando: “Pra mim, Ângela Maria é a maior cantora que o Brasil já teve.” Pois é, nesta terça-feira, 13 de maio, a grande cantora, que ouvi tanto em outros tempos, completa 85 anos de vida e 62 de carreira.

Quando eu era bem jovem, nas rádios, nos parques de diversão que frequentemente se instalavam em minha cidade, nas festas, nos clubes, só dava Ângela Maria, nascida no Rio de Janeiro, em 1929, com o nome de Abelim Maria da Cunha. Sua voz linda foi abrindo as portas para a menina pobre. Ela trabalhou numa fábrica de lâmpadas e numa tecelagem antes de se aventurar profissionalmente na música. Depois de ganhar muitos concursos – era sempre a vencedora – Ângela gravou seu primeiro disco, em 1951. Sucesso imediato que não a deixou mais.

Com o marido, Daniel D'Angelo, com quem vive há mais de 30 anos

Com o marido, Daniel D’Angelo, com quem vive há mais de 30 anos

Ângela Maria – também experimentou o cinema – consagrou-se como uma das grandes intérpretes de samba-canção e foi, ao lado de estrelas como Maysa, Nora Ney e Dolores Duran, a dona do pedaço. Ganhou do presidente Getúlio Vargas o apelido de “Sapoti.” Mesmo festejada pela crítica e pelo público – gravou 114 discos e vendeu cerca de 60 milhões de cópias -, a cantora passou por maus momentos. Segundo ela própria, pensou até em se matar.

Chegou a viver na pobreza, pois, apesar da carreira de sucesso, foi roubada sistematicamente por empresários do Rio e de São Paulo e “explorada” pelos vários homens que passaram pela sua vida. “”Só encontrei gente para me explorar e mais nada. Passei muito mal na mão desses caras e isso interferiu na minha profissão, porque fui até zero nas finanças”, disse ela à revista Época.

Foto da filiação ao PTB

Foto da filiação ao PTB

Além dos dramas que vivia, carregava a tristeza de não poder ser mãe. Um fato que, na opinião da cantora, a imprensa explorou sem piedade.

No final da década de 1970, ela conheceu um rapaz, Daniel D’Angelo, de apenas 18 anos, mais de três décadas mais novo do que ela. Os dois se enamoraram. Ficaram juntos a partir de então durante 33 anos. Até que, em maio de 2012, – ela com 83 anos, ele com 51-, se casaram. E continuam casados.

“Quem me ajudou a levantar foi o Daniel, porque ele tem uma cabeça de 60 anos e eu de 15. Estava disposta a largar tudo. Quase tentei o suicídio. Também sofri muito preconceito por ser 33 anos mais velha que ele. Como se no amor existisse isso, mas o contrário pode” – afirmou ela, falando à Época sobre o marido, que trouxe tanto equilíbrio para sua vida.

Uma curiosidade sobre a cantora é que, aos 83 anos, ela tentou entrar para a política, filiando-se ao PTB. Candidatou-se a vereadora em São Paulo, em 2012. Ficou como suplente, depois de receber apenas 2.291 votos. Ainda bem. Assim, Ângela Maria poderá continuar se dedicando à carreira de cantora, pois é a artista que admiramos tanto nesta maravilhosa octogenária.

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