Aos 50, ainda dá para investir para complementar aposentadoria

A médica Anna Thereza Nogueira quer se aposentar aos 70 anos e optou por fundo de previdência que cobre doença Foto: Leo Martins / O Globo

Já escrevi várias vezes aqui, se tivesse que dar um único conselho a uma pessoa mais nova diria para se preparar para a aposentadoria. Ela virá, mais cedo ou mais tarde, e quanto mais a pessoa se prepara – sobretudo em termos de saúde e financeiro – melhor vai viver seu próprio envelhecimento. No artigo abaixo, Patrícia Valle, de O Globo, mostra que mesmo uma pessoa que já chegou aos 50 anos ainda tem tempo de investir para garantir ganhos que vão complementar a quantia que vai receber como aposentada. E , assim, assegurar maior tranquilidade nessa etapa da existência.

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A reforma da Previdência passou pela última etapa de votação na semana passada, faltando agora apenas ser promulgada para entrar em vigor. Com isso, muitas pessoas se deram conta de que chegaram aos 50 anos sem planejar uma complementação à aposentadoria do INSS — e, com a mudança nas regras, conseguir o teto (R$ 5.839,45) se tornou quase impossível. Como construir uma reserva financeira em tão pouco tempo?

Segundo consultores e planejadores financeiros, o primeiro passo é analisar as receitas e despesas e ver o quanto será possível poupar por mês. Depois, é preciso calcular quanto será necessário poupar até a data prevista para a aposentadoria.

O Itaú criou uma tabela de cálculo. O objetivo é chegar à idade pretendida de aposentadoria com 9 anos (ou 108 meses) de salários mensais. Esses recursos devem durar 15 anos, considerando um rendimento de 3% ao ano mais a inflação.

Somando-se a aposentadoria do INSS, esse prazo pode chegar a 35 anos, se o benefício cobrir um terço dos gastos. Ou seja, aposentando-se aos 65 anos, haveria recursos até os 100 anos.

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Para chegar lá, quem tem 45 anos teria que poupar 35% da renda líquida, mas, para quem está com 50 anos, esse percentual salta a 50%.

— Muita gente se assusta, mas, às vezes, a pessoa tem uma poupança que está fora de ativos financeiros, como o saldo do FGTS e um segundo imóvel. No entanto, às vezes as contas mostram que o padrão de vida precisa diminuir, ou que a data da aposentaria precisa ser adiada — diz Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú Unibanco.

Renda variável

O terceiro passo é obter uma rentabilidade suficiente para que os recursos atinjam o valor desejado no tempo estipulado. O que tem sido cada vez mais difícil com a queda de juros. A taxa básica (Selic) está hoje em 5,5% ao ano, e a expectativa dos analistas de mercado é que encerre 2019 em 4,5%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado há uma semana.

— Há pouco tempo, era possível conseguir a rentabilidade real (descontada a inflação) de 3% na renda fixa, sem correr riscos. Hoje é mais difícil. Por isso, recomendamos um portfólio diversificado de renda variável até mesmo para o perfil conservador, mas com um percentual pequeno — explica Iglesias.

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O tipo de investimento vai depender do prazo e do perfil de cada um: conservador, moderado, arrojado ou agressivo. Há testes para descobrir seu perfil.

— Fundos de previdência têm um incentivo fiscal interessante depois de dez anos, e hoje há muitas gestoras independentes com rendimento igual aos melhores fundos do mercado. Além disso, é possível pedir a opção de renda (em vez do resgate total) — diz Letícia Camargo, planejadora financeira da Planejar.

Alguns fundos de previdência ainda têm seguros, que cobrem doença e incapacidade do trabalho. Essa foi a opção da médica Anna Thereza Nogueira, de 58 anos, que pretende se aposentar aos 70 anos:

— Escolhi um fundo de previdência que cobre até sete meses sem trabalho por motivo de doença, porque pretendo trabalhar até mais tarde. Mas meu maior medo é não ser possível. Por enquanto, estou satisfeita com o retorno.

A estratégia mais recomendada pelos consultores, no entanto, é ter uma carteira diversificada, com fundos de previdência e outros investimentos que tragam mais flexibilidade e rentabilidade. Estes incluem fundos multimercados, de ações, de debêntures incentivadas (títulos de dívida com isenção de imposto) e imobiliários.

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O que os especialistas enfatizam é que o investidor precisa manter seu perfil de risco ou entender muito bem os riscos que está assumindo.

— É preciso muito cuidado. As pessoas nessa situação podem ver que precisam de uma rentabilidade muito alta para alcançar os seus objetivos e se iludirem com promessas milagrosas. Nessa fase, já não dá mais para errar — afirma Valter Police, diretor de Planejamento Financeiro da Fiduc, fintech de planejamento financeiro e gestão patrimonial.

Ajuda profissional

O analista de sistemas Claudio Barizon, de 48 anos, resolveu assumir maior risco ao trocar um fundo de previdência por opções mais rentáveis:

— Comecei a conversar com pessoas e ler a respeito e vi que poderia montar minha aposentadoria com renda variável também, pois tenho perfil arrojado. Hoje, na carteira para aposentadoria, tenho 60% em fundos imobiliários e 40% em ações, cujos rendimentos reinvisto. Meu objetivo é dobrar o patrimônio em dez anos.

O consultor de finanças Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro, considera cada vez mais necessário assumir maior risco, mas ressalta que, para isso, é preciso ter ajuda profissional.

— Não dá mais tempo de ser conservador aos 50 anos. É preciso sair da renda fixa. Fazendo investimento com ajuda profissional se tem uma carteira de fato diversificada, o que dilui muito os riscos.

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