Aos 90, argentinos estudam e viajam pelo mundo

Um dos 130 mil "noventões" de vida ativa na Argentina

Um dos 130 mil “noventões” de vida ativa na Argentina

Gisele Sousa Dias, Clarin

Há uma ideia instalada de que existe uma idade em que as pessoas não vivem, duram. Que alguém de mais de 90 anos é, no melhor dos casos, apenas a lembrança de uma mente que funcionou, de um corpo que foi produtivo, de uma memória que foi veloz. No entanto, à medida que a esperança de vida cresce, é cada vez mais frequente encontrar pessoas longevas que continuam ativas e que não estão sentadas em uma cadeira de balanço esperando a morte: anciãos que não se parecem com o que nós imaginamos como anciãos e que viajam, usam a nova tecnologia, estudam e fazem esportes, tanto ou mais, que muitos jovens.

Estes são alguns dos novos “jovens anciãos”, que contam como são suas vidas depois dos 90 e quais são seus próximos projetos.

Elda Pavetti, 91 anos

Ela tinha 83 anos quando resolveu se matricular na universidade para estudar Direito. “Eu já fiz 10 matérias, mas nunca estudei com a intenção de me formar e sim para ocupar o tempo. Há 15 anos eu fiquei viúva e a solidão, em certas horas, se torna pesada”, diz ela em sua casa na província de Santa Fé.

Há três anos, Elda teve câncer de cólon e os médicos recomendaram que ela deixasse os estudos por causa da pressão gerada pelas provas. “Mas eu fui operada, fiz químio e voltei. Agora eu estudo quatro ou cinco horas por dia: é bastante, mas nesta idade não é tão fácil guardar o conhecimento”, diz ela, que já tem 91 anos. “O engraçado é que agora eu estou estudando quase escondida da minha filha: às vezes os outros pensam que essa pressão me faz mal, mas, pelo contrário, esses desafios me mantêm viva”, diz sorrindo.

Por que ela consegue e muitos outros “noventões” não?

“Eu acho que a idade não é o importante, o importante é acreditar que você pode e eu estou convencida de que eu sou capaz”, diz Elda ao Clarín. Hoje ela é uma mulher que, contra o estereótipo dos idosos e de sua inimizade com a tecnologia, conversa pelo Skype com os netos, manda e-mails e conversa nas salas de bate-papo.

Elda é uma das cerca de 130.000 pessoas que, segundo o último censo, têm mais de 90 anos. Existe um número cada vez maior de pessoas nessa faixa etária porque a esperança de vida vem crescendo (nos últimos 25 anos, a quantidade de tempo que vivemos aumentou 3 anos). E ser uma “noventona” a fez superar inclusive a barreira que diz que as mulheres argentinas vivem, em média, até os 79 anos e os homens até os 72.

Efraín Wachs, 97 anos

Ele também superou todas as médias: fez 97 anos em março e na semana passada participou de três jornadas de atletismo para idosos. Wachs voltou para casa, em Tucumán, com seis novas medalhas, que adicionou às que ganhou desde que começou a se dedicar ao atletismo, aos 80 anos. Até então, o único esporte que ele praticava era o xadrez, mas esse jogo tirava tempo do seu trabalho de contador (até hoje ele atende profissionalmente). Por isso ele resolveu fazer uma atividade que compensasse os efeitos do envelhecimento. Três vezes por semana, Wachs treina uma centena de seguidores, de 60 a 90 anos, animando-os e exercitando-os para correrem 10 quilômetros por semana. E ele ainda tem sonhos para realizar. “Meu sonho é participar no ano que vem das Olimpíadas da França, aos 99 das da Austrália e aos 100 das da Coreia do Sul”.Clique aqui para ler mais.

Compartilhe!

Um comentário

  1. Matéria sensacional, mas será que estamos nos preparando para isto no Brasil? Que o País respeita e se enxerga de cabelos brancos? Que dá oportunidades para os mais longevos? São questões que precisam ser respondidas antes que chegue de vez o tsunami do envelhecimento e derrube todo mundo.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.