Aos 96 anos, Sebastião Biano lança primeiro disco solo

Ele é o último remanescente da formação original da Banda de Pífanos de Caruru,

Ele é o último remanescente da formação original da Banda de Pífanos de Caruaru,

Esta é uma história bonita, que estimula e inspira outras pessoas: um músico de 96 anos lançou há pouco o seu primeiro disco solo: Sebastião Biano é último integrante vivo da Banda original de Pífaros, de Caruaru, em Pernambuco. É membro de uma dupla descoberta por Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Leia o artigo de Eduardo Tristão Girão para o Estado de Minas:

Sebastião Biano tem 96 anos, já tocou para Lampião (em 1927, no interior pernambucano) e se lembra com detalhes da ocasião. Último remanescente da formação original da Banda de Pífanos de Caruru, o pifeiro (nome dado a quem toca essa típica flauta nordestina) continua na ativa e acaba de lançar seu primeiro disco solo – ‘Sebastião Biano e seu Terno Esquenta Muié’ (Selo Sesc).

“Não tomo mais remédio há um bom tempo, só um xarope de vez em quando. Não sinto dor nenhuma. O pífano me deu tudo, não saio dessa vida. Há tanto o que aprender desse instrumento que o cabra pode passar a vida sem conseguir saber tudo. A gente não ensaia não. Quando aparece festa, só chegamos para tocar e sai melhor do que quando a gente está ensaiando. Meu fôlego está pouco, está curto, mas ainda o tenho. Ainda sou forte”, resume Biano, alagoano de Mata Grande.

A Banda de Pífanos de Caruru, que Biano formou quando ainda era criança com o irmão Benedito e outros familiares, em 1924, é das mais antigas em atividade no país, representante de sonoridade brasileira das mais autênticas. Aos primeiros segundos de qualquer música gravada por ele é impossível não se lembrar do Nordeste. As formações mudaram ao longo do tempo, mas não a proposta, fazendo da banda uma referência musical bastante sólida até hoje. A expressividade conseguida com o pífano, instrumento rústico e de poucos recursos, é notável.

O primeiro disco foi lançado em 1972 e, depois disso, os irmãos Biano foram descobertos por Caetano Veloso e Gilberto Gil, que ajudaram a tornar o grupo mais popular – ambos gravaram ‘Pipoca moderna’, de Sebastião Biano, para a qual Veloso escreveu a letra. Outros discos vieram e também prêmios, como o Grammy Latino, na categoria regional.

Para o flautista e saxofonista Carlos Malta, Biano foi uma grande influência. “A Família Biano é grande responsável por meu interesse em bandas de pífano. Aos 12 anos, eu iniciava, como autodidata, meus estudos de flauta e, ao ouvir ‘Pipoca moderna’ no LP do Gilberto Gil ‘Expresso 2222’, me vi entusiasmado com novos ‘heróis’ a me inspirar. Essa inspiração me norteia desde então e hoje comemoro 21 anos com meu grupo Pife Muderno, que me leva mundo afora! Sebastião Biano é, para mim, um exemplo de vida e de som, generoso e virtuoso”, afirma Malta. Clique aqui para ler mais.

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