Aos poucos, mercado de trabalho se abre para maiores de 50 anos

Robert Hess, 62, foi um dos selecionados do programa para profissionais com mais de 55 anos da Unilever. Ele foi gerente geral em múltis alemãs e estava desempregado — Foto: Silvia Zamboni/Valor

Neste artigo do jornal Valor Econômico sobre a abertura do mercado de trabalho para pessoas com mais de 50/60 anos, Adriana Fonseca mostra como e por quê companhias estão começando a se voltar para o recrutamento de profissionais maduros. O envelhecimento rápido da população brasileira é o fator primordial para a mudança no mercado de trabalho, mas a mudança ainda é lenta.

Veja as empresas que abriram vagas para pessoas mais velhas:

O engenheiro mecânico Robert Hess, 62 anos, ficou sabendo pela filha, que compartilhou um link, sobre um programa de estagiários da Unilever, que pela primeira vez seria direcionado para profissionais acima dos 55 anos de idade. “Achei que não teria chance, mas tive a felicidade de passar para a etapa final, que envolvia uma dinâmica, e fui selecionado conta. A descrença no processo de seleção é consequência de uma série de currículos enviados, mas que na maior parte das vezes, ficaram sem ao menos uma resposta.

Depois de uma carreira traçada em multinacionais alemãs, chegando ao cargo de gerente geral em duas delas, Hess foi desligado da última companhia em 2012. Na sequência, abriu uma franquia, mas que acabou fechando, e aí o executivo voltou a procurar emprego.

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“Desde então, eu estava distribuindo currículo. Eu nem desejava mais um cargo alto, tentei inclusive para vendedor técnico”, diz. Na visão de Hess, a idade e o fato de ele já ter ocupado cargos de direção impediam que as empresas o chamassem para participar dos processos de seleção. “Eu queria voltar ao mercado porque ainda tenho muito a contribuir,” comenta.

No fim de agosto, ele fez parte do grupo de cinco profissionais com mais de 55 anos que começou a trabalhar no escritório da Unilever em São Paulo. Por meio do programa de estagiários seniores, eles começam a atuar nos projetos em andamento das áreas em que são alocados.

“A expectativa é que tragam diversidade de ideias”, comenta Fernando Rodrigueiro, diretor de recursos humanos. “A riqueza está nessa troca de experiências, que traz perspectivas complementares para os desafios da companhia.”

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A ideia de criar o programa surgiu a partir de uma conversa dentro da multinacional sobre diversidade. “É parte da cultura da empresa falar sobre inclusão em todos os aspectos possíveis”, afirma Rodrigueiro. Segundo ele, a companhia promove, com frequência, debates e workshops para manter vivo o tema e dar voz às pessoas. Em um desses encontros, um coordenador da área de vendas comentou que seu pai havia voltado a estudar e estava querendo se recolocar. “Dessa ideia surgiu o insight de acessar esse público que voltou a estudar, quer se recolocar no mercado, ou que está cursando uma faculdade pela primeira vez”.

Para se inscrever no programa de estagiários seniores da Unilever era preciso estar fazendo um curso de graduação. “A ideia de contratar por meio de um programa de estágio é para acessar o público que está estudando. São pessoas que enfrentam dificuldade para se recolocar, mesmo fazendo cursos em boas instituições acadêmicas.”

A Philips é outra empresa que abriu as portas da companhia para profissionais seniores neste segundo semestre de 2019. A fase de inscrições do programa de estágio acontece este mês e o processo de seleção será em novembro, para que a nova turma de estagiários comece a trabalhar em janeiro.

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“A Philips espera que 20% de suas vagas de estágio sejam preenchidas por profissionais seniores”, afirma Tania Tereskovae, responsável pela comunicação interna e responsabilidade social na Philips do Brasil. “Nós queremos equilibrar a nossa grade e garantir a diversidade na empresa, pois acreditamos que a experiência e o intercâmbio de ideias cons

O objetivo é atrair profissionais que estejam aposentados ou atuando de forma independente no mercado de trabalho

Tania explica que o programa de estágio “Melhor Idade Philips” foi criado como porta de entrada para os profissionais com mais de 55 anos que muitas vezes estão à procura de oportunidades, mas acabam não se inscrevendo por acharem que não são mais competitivos para o mercado. “Sabemos que o estágio é um dos formatos que funciona para incluir e incentivar esses profissionais a se inscreverem e se recolocarem.”

A consultoria PwC também criou um programa de recrutamento voltado a profissionais com mais de 50 anos. O “Senior Citizens”, como foi batizado, levou cinco pessoas contratadas em 2018 para trabalharem como assistentes técnicos na área de consultoria tributária.

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“Atualmente, estamos planejando um segundo programa para a inclusão de profissionais 60+ em diferentes áreas”, diz Érika Braga, diretora de recursos humanos da PwC Brasil. “Estamos atentos aos desafios geracionais e queremos que a PwC faça parte dessa transformação que o atual mercado de trabalho irá enfrentar, ou melhor, já está enfrentando.”

O programa para profissionais mais velhos nasceu, segundo Érika, como parte da estratégia de diversidade e inclusão da empresa. “O tema ‘gerações’ está no centro dessa estratégia junto a outros como: raça e etnia, equidade de gênero, população LGBT+ e pessoas com deficiência.”

Ela explica que agora, com o programa Geração 60+, o público-alvo tende a mudar quando comparado aos profissionais contratados na primeira edição da iniciativa, quando a idade base foi 50 anos. “O principal objetivo é trabalharmos a atração de profissionais que, em sua maioria, estejam aposentados ou atuando de forma independente no mercado, porém, veem no trabalho uma forma de permanecerem ativos e produtivos”, diz Érika. Clique aqui para ler mais no jornal Valor Econômico.

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