Artista vive em instituição psiquiátrica há 30 anos

A artista com suas bolinhas na vitrine da Louis Vuitton, em NY

A artista com suas bolas na vitrine da Louis Vuitton, em NY

Conheça um pouco do trabalho e da história desta incrível japonesa, Yayol Kusama, 84 anos, 30 dos quais morando em uma instituição psiquiátrica em Tóquio. No sábado, dia 12, será aberta uma exposição da obra dela, no Rio. Obcecada com bolinhas, ou pontos, como a artista chama , elas estão em cada uma de suas peças. A história de Yayol lembra a de outro genial artista plástico, o brasileiro Arthur Bispo do Rosário, também internado em uma instituição dessas, a Colônia Juliana Moreira, no Rio de Janeiro, onde viveu durante décadas e confeccionou toda a sua admirada obra. A propósito da exposição, O Globo publicou neste domingo este ótimo artigo sobre Yayol Kusama.

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Loucura e arte não caminham necessariamente juntas. Mas, em determinadas  circunstâncias, transtornos mentais podem abrir caminhos inusitados para a  criatividade. É o caso da japonesa Yayoi Kusama, de 84 anos. Considerada um dos  maiores nomes da arte contemporânea e também um ícone da moda, ela vive há mais  de 30 anos, por iniciativa própria, numa instituição psiquiátrica em Tóquio.

Veja o efeito impressionante das bolinhas escuras nesse amarelo forte

Veja o efeito impressionante das bolinhas escuras nesse amarelo forte

A Princesa das Bolinhas, como é conhecida, transpõe para telas, roupas,  vídeos, esculturas e até para corpos nus as formas e cores psicodélicas que  enxerga em suas alucinações; sobretudo, claro, bolinhas. A artista ganha sua  primeira exposição individual em solo brasileiro a partir do próximo dia 12, no  Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na retrospectiva “Obsessão  infinita”.

Kusama sofre de transtorno obsessivo compulsivo e alucinações desde a  infância. Ela nasceu em Matsumoto, no Japão, em uma família de classe média  tradicional e, segundo a artista conta, bastante repressora. Desde cedo, os  transtornos mentais da menina se traduziram em arte e na criação de uma  identidade visual bem peculiar — uma de suas marcas registradas até hoje. Sua  mãe chegava a destruir seus desenhos, mas foram eles que a fizeram escapar do  suicídio.

Falos, outro trabalho de Yayol Kusama, 84 anos

Falos, outro trabalho de Yayol Kusama, hoje com 84 anos

— Por sorte, quando eu ainda era muito jovem, fui a um psiquiatra que  entendia de arte. Desde então, eu luto contra a minha doença; embora, no meu  caso, a cura estivesse em criar arte baseada na doença. Desenvolver minha  criatividade foi a minha cura — explica a artista, em entrevista ao GLOBO por  e-mail. Para um dos curadores da mostra, o canadense Philip Larratt-Smith, os  diversos sintomas e manifestações da doença mental de Kusama encontram  equivalentes simbólicos em sua arte:

— De uma maneira muito clara, e muito pura, ela encarna o mito do poeta  doente; da ideia de que o artista faz o seu trabalho a partir do sofrimento e do  trauma. A linha entre sua vida e sua arte é muito fluida e, algumas vezes,  desaparece totalmente. A produção artística ajudou Kusama a canalizar suas ideias e manter-se viva.  Já no fim dos anos 1950, ela começou a trabalhar em uma de suas mais celebradas  séries, “Infinity net” (“Rede infinita”), que pode ser vista na exposição.

— Por causa da guerra, eu tive que passar a minha juventude na escuridão de  um Japão militarista — conta a artista. — Isso fez com que eu buscasse um lugar  mais amplo, um mundo exterior em que pudesse me expressar. Então, fui para os  Estados Unidos. Clique aqui para ler mais.

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