Avós se conectam à tecnologia para manter contato com netos

Solange Medeiros de Abreu, de 65 anos, tem na internet uma aliada para acompanhar o crescimento dos netos, Vitória, de 2 anos, e Bernardo, de 4, que moram nos EUA

Solange Medeiros de Abreu, de 65 anos, tem na internet uma aliada para acompanhar o crescimento dos netos, Vitória, de 2 anos, e Bernardo, de 4, que moram nos EUA

Carolina Cotta, Estado de Minas –

Enquanto você lê essa matéria, vovôs e vovós de todo o Brasil estão recebendo parabéns pelo seu dia, comemorado hoje. A lembrança dos netos vem em forma de abraços, telefonemas e, por que não, mensagens de WhatsApp ou recadinhos na timeline. Sim, porque os avós de hoje têm Facebook… E usam FaceTime, conversam pelo Skype, têm grupos e mais grupos de amigos e familiares no que batizaram de “ZapZap”. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de idosos com acesso à internet mais que dobrou entre 2008 e 2013, saltando de 5,7% para 12,6%. O smartphone também já está naquela lista de sonhos de consumo. Para eles, já não basta ligar, é preciso ter um dispositivo recheado de aplicativos para trocar fotos, vídeos e mensagens.

A maior familiaridade com a tecnologia foi responsável por uma revolução nas relações familiares. Os grupos de família no WhatsApp colocaram todo mundo em contato, suscitaram encontros presenciais e aproximaram, inclusive, gerações. Avós e netos ouvidos pelo Estado de Minas contam estar muito mais próximos com a ajuda da tecnologia. De repente, representantes de faixas etárias tão distintas têm algo em comum: o gosto e o domínio das telas de computadores, tablets e celulares. O aumento da expectativa de vida tem contribuição direta nesse cenário. Aos 60, 70 anos, os avós estão jovens o suficiente para aprender. Inclusive com os próprios netos, dispostos a ver os avós digitalmente incluídos.

Aos 65 anos e com cinco netos, a professora Solange Medeiros de Abreu vê, pelas telas, os netos crescerem. Bernardo e Vitória, de 4 e 2 anos, vivem no Colorado, Estados Unidos. É pelo FaceTime ou Skype que Solange mata as saudades não só deles, mas também do filho. No aniversário de Vitória, aproveitou para mandar um presente diretamente do Brasil pela outra avó que foi visitá-los. Pelo aplicativo, mostrou o vestido para a nora, que achou o tamanho pequeno. “Troquei, mandei e ela só abriu o presente quando estávamos conectadas, para vermos a reação uma da outra. Vitória colocou o vestido e fez questão de rodar para eu ver como estava lindo. O mundo perdeu a distância, está tudo na palma da mão”, comemora.

BENEFÍCIOS Essa cumplicidade com a tecnologia faz bem para as relações familiares, e também para a saúde. Segundo os gerontólogos Tiago Nascimento Ordonez, Eva Bettine de Almeida e Thais Bento Lima-Silva, autores do artigo “Navegar é preciso e faz bem ao cérebro – O impacto da internet nas funções cerebrais dos idosos”, o uso da tecnologia demanda um conjunto de habilidades cognitivas e motoras essenciais para manter o cérebro saudável. A inclusão dos idosos no contexto do mundo digital, entretanto, deve levar em conta a sua linguagem, sua história de vida, suas alterações cognitivas, emocionais e físicas, entre outras singularidades. “A geração nascida no universo de ícones, imagens, botões e teclas transita com desenvoltura nessa cena visionária de quase ficção científica, mas a outra, nascida em tempos de relativa estabilidade, convive de forma conflituosa com as rápidas e complexas mudanças tecnológicas, cuja progressão é geométrica”, defendem. Fato é que eles estão transformando cenários.

CADA VEZ MAIS Apesar do crescimento considerável, o contingente de internautas com 60 anos ou mais ainda é o menor entre as pessoas que usam a internet no Brasil. A terceira idade representa 3,3 milhões de usuários. Por outro lado, o salto proporcional foi o maior entre as 12 faixas investigadas no suplemento sobre tecnologia da informação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Clique aqui para ler mais.

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