Um livro sobre a escritora que o Brasil esqueceu

Carolina Maria de Jesus com Clarice Lispector

Carolina de Jesus com Clarice Lispector, nos bons tempos

Maya Santana

Ao lançar em Belo Horizonte o livro “A Vida Escrita de Carolina Maria de Jesus”, nesta terça-feira, 6 de maio, a professora universitária Elzira Divina Perpétua dá a sua contribuição para que o Brasil nunca mais se esqueça dessa mulher negra, catadora de papel, moradora da extinta favela do Canindé, em São Paulo, que se tornou escritora reconhecida aqui e lá fora, nos anos 1960. Autora de “Quarto de Despejo – Diário de Uma Favelada”, no qual relata o drama cotidiano da vida na favela, a catadora de papel conseguiu o feito de vender 80 mil exemplares no Brasil e ser traduzida para 15 idiomas. No dia 14 de março, completou 100 anos do nascimento dela.

A autora, Elzira Divina Perpétua

A autora, Elzira Divina Perpétua

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais. Aos 23 anos, em 1947, como tantos outros brasileiros, migrou para São Paulo em busca de trabalho, quando começavam a ser formadas as primeiras favelas na cidade. Nunca se casou. Teve três filhos, de diferentes relacionamentos. Embora tenha frequentado a escola só até o segundo ano primário, aprendeu a ler e escrever. Na casa modesta em que vivia, mantinha muitos cadernos com testemunhos do dia-a-dia da favela, que foram entregues a Audálio Dantas, o jornalista que a descobriu, responsável por ela ter publicado “Quarto de Despejo” e outros livros.

Esse seu primeiro livro havia conquistado escritores como Clarice Lispector e Jorge Amado, entre outros. E chegou a ser adaptado, com Ruth de Souza no papel da escritora:

Dois anos depois do lançamento de “Quarto de Despejo”, Carolina de Jesus, publicaria “Casa de alvenaria — Diário de uma ex-favelada”, relatando o andar de sua vida após as glórias da fama. Escreveu também poesia, conto e romances e até um livro de provérbios. Mas nunca mais voltou a ter o sucesso da primeira obra. Morreu, em 1977, esquecida dos brasileiros.

O interesse de Elzira Divina, professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Ouro Preto, pela autora de “Quarto de Despejo” data de mais de duas décadas, como ela mesma conta: “Descobri Carolina de Jesus durante minha pesquisa de Mestrado no início dos anos 1990 e logo percebi que sua obra merecia uma investigação mais abrangente, já que seu nome havia muito não era assunto na mídia e as universidades brasileiras ignoravam sua existência.” Assim, continua ela, “cheguei ao Doutorado disposta a investigar as condições de publicação e a recepção de seu Quarto de despejo no Brasil e nos vários países em que havia sido traduzido.”

Carolina de Jesus com Audálio Dantas e a atriz Ruth de Souza

Carolina de Jesus com Audálio Dantas e a atriz Ruth de Souza

O resultado dessa investigação é este “A Vida Escrita de Carolina Maria de Jesus”, da Editora Nandyala, que será lançado nesta terça, a partir das 19h, no Café Cine Brasil, na Praça Sete, em BH.

A professora se diz muito satisfeita por estar contribuindo para que mais pessoas conheçam o trabalho de Carolina de Jesus: “Ao longos desses anos, minha tese, defendida no ano 2.000, ajudou a divulgar o nome da escritora e tem servido de base para vários pesquisadores que consultam o acervo dela” – afirma Elzira Divina, completando: “Agora transformado em livro, acredito que proporcionará a um público maior a compreensão de uma face inédita e pouco conhecida da escritora.”

Veja reportagem sobre o centenário de Carolina de Jesus, celebrado em março de 2014:

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6 comentários

  1. Parabéns,Elzira por resgatar a história de Carolina Maria de Jesus.

  2. Elzira querida, parabéns por trazer através desta, a vida das muitas Carolinas de Jesus deste Brasil.

  3. Elzira,
    Obrigada por compartilhar conosco vivencias de Carolina Maria de Jesus.
    Nos encontramos á noite.
    Abraços.

  4. Maria de Lourdes dos Anjos Correia

    Fiquei muito emocionada, com a historia dassa sábia mulher, e me pergunto como alguem assim pôde ficar no esquecimento? Parabens ,e obrigada por trazer de volta a memoria dessa “incrivel”mulher.
    Quero conhecer um pouco suas obras.
    Um abraço e parabens..,

  5. Ana Paula Montanari

    Elzira…gostaria de parabenizá-la pelo belíssimo trabalho.Tive conhecimento doa sua
    escrita pela sua afilhada Ana Paula Moraes.Grande abraço.Ana Paula Montanari equipe Freud Cidadão.

  6. Ana Paula Montanari

    madrinha parabeéns pela sua conqusita adorei ver o livro que voce eacreveu saiba que eu te considero muito obrigada por me convidar e minha mae para irmos te ver foi um prazer abraços ana paula moraes de matos

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