Revolução no envelhecer caberá a nós, filhos da longevidade

Cena do documentário "Envelhescência", que fala, com bom humor, da rotina da vida pós-60 anos. Direção de Gabriel Martinez e Ruggero Fiandanese (Foto: Divulgação)

Cena do documentário “Envelhescência”, que fala, com bom humor, da rotina da vida pós-60 anos. Direção de Gabriel Martinez e Ruggero Fiandanese (Foto: Divulgação)

Este artigo de Juliana Tinoco para a revista Época tem como base um estudo sobre o envelhecimento da população do Rio de Janeiro: em menos de 50 anos, 36% dos habitantes da cidade serão idosos – aqueles com mais de 60 anos de idade. Não é à-toa que o Rio se prepara para tornar-se uma cidade mais acessível às pessoas mais velhas: terá intervalos maiores nos sinais de trânsito para pedestres, rampas de acesso que ampliem a mobilidade de joelhos cansados, aumento de perspectiva profissional para quem passou da terceira idade mas não pretende se retirar para os aposentos. O artigo dá dados importantes também sobre a situação da velhice no mundo e no Brasil.

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No dia 1o de março o Rio de Janeiro completou 451 anos. E como será o Rio de Janeiro de daqui a 50 anos? Bem velhinho. Segundo estudo lançado pela Prefeitura da cidade, o Rio quincentenário terá sua população composta por 36% de idosos, muitos deles com mais de 90 anos de idade. Este fenômeno é mundial. O ser-humano ganhou 33 anos a mais de vida – em geral, vida útil – no último século. Já há mais pessoas com 60 anos no mundo hoje do que a soma de todas as pessoas que atingiram esta idade ao longo da história.

Vai sobrar tempo na vida para tudo. Para ter outro filho aos quarenta, ou cinquenta. Pode ser que seja até o primeiro filho. Nos intervalos, vai dar para ter uma carreira, abandonar esta carreira e começar outra. Tirar anos sabáticos e fazer aquele doutorado enquanto cuidamos dos netos. Hoje, 25 países do mundo já têm expectativa de vida que chega a 80 anos – 83 é o máximo, caso do Japão. A média de vida “extra” daqueles que já chegaram aos 60 também conta como um indicador relevante – hoje ela é de cerca de 23 anos em alguns países. É bastante tempo de fila prioritária.

O médico Alexandre Kalache, Presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil), debateu o assunto em recente palestra no Museu do Amanhã. O tema era o que ele chama de a “Revolução da Longevidade”. Kalache usa uma metáfora olímpica para explicar a tendência. Vamos imaginar que vivíamos em uma corrida de 100 metros. Era preciso muito fôlego para dar conta de tudo naquele relativamente curto espaço de tempo da prova. Esta corrida hoje virou uma maratona, para a qual é preciso ter boas estratégias se quisermos atravessar o longo percurso sem ofegar demais.

E onde entra a revolução aí? Para as mulheres, prevê Kalache, a reviravolta será grande. Historicamente responsáveis pela fatia do trabalho relacionado aos cuidados – fossem eles dos filhos, netos, pais, sogros e maridos – as mulheres da Longevidade agora têm mais tempo hábil para dividir o tempo com suas profissões, até mais de uma, com seu desenvolvimento pessoal e, com os homens, partilhar a equação do cuidado familiar. Tudo isto em etapas variadas, não precisando obedecer a nenhuma linearidade. Afinal, muitas escolherão ter filhos mais velhas ou até mesmo decidirão por não os ter – fato responsável pelo declínio da taxa de fecundidade e, consequentemente, pelo maior envelhecimento da população. Clique aqui para ler mais.

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