Como o envelhecer da população afeta a economia

Hoje, 15 milhões de pessoas têm 65 anos ou mais no Brasil

Hoje, 15 milhões de pessoas têm 65 anos ou mais no Brasil

Esta excelente reportagem de Fernando Jásper, da Gazeta do Povo, vencedor do Prêmio Longevidade Bradesco Seguros 2014, mostra como o envelhecimento da população brasileira vai exigir ainda mais dos sistemas público e privado de saúde, que hoje não conseguem garantir um bom atendimento a todos. E vamos ter um problema a mais, como aponta o estudioso Marcos Ferraz: “Enquanto os países ricos alcançaram um desenvolvimento elevado antes de ter uma população envelhecida, o Brasil caminha rapidamente para se tornar um país com muitos idosos antes de ser desenvolvido”.

Leia a reportagem:

O pipoqueiro Benedito Fer­­reira, 68 anos, trabalha há 16 anos na esquina das ruas Visconde de Ná­­car e Comendador Araújo, no Centro de Curitiba. Meta­­lúrgico aposentado, recebe R$ 1,3 mil do INSS e geralmente fatura mais que isso com o trabalho, o que lhe permite manter as contas em dia, viver com algum conforto e, sempre que pode, visitar os irmãos no interior de São Paulo. Mas, como tantos brasileiros em sua idade, Ferreira vê as despesas de saúde consumirem, a cada ano, uma parte maior de seu orçamento.

Benedito Ferreira, pipoqueiro, 68 anos

Benedito Ferreira, pipoqueiro, 68 anos

O plano médico dele e da esposa, a dona de casa Dio­­ne Aparecida, 64 anos, tem mensalidade de R$ 193. Os gastos com remédios – principalmente para tratar a mulher, que tem colesterol alto e hipertensão – são bem mais altos, variando de R$ 400 a R$ 500 por mês.

Se para o indivíduo o passar dos anos impõe gastos crescentes com saúde, para o país não será diferente. Conforme for envelhecendo, a sociedade vai exigir ainda mais dos sistemas público e privado de saúde, que mesmo hoje, com uma população relativamente jovem, não conseguem garantir um bom atendimento a todos.

“Teremos uma dificuldade adicional. Enquanto os países ricos alcançaram um desenvolvimento elevado antes de ter uma população envelhecida, o Brasil caminha rapidamente para se tornar um país com muitos idosos antes de ser desenvolvido, o que vai dificultar a adaptação a essa nova situação”, diz Marcos Ferraz, diretor do Grupo Interdepartamental de Economia da Saúde (Grides) da Unifesp.

Hoje, 15 milhões de pessoas têm 65 anos ou mais, o equivalente a 8% da população. Em dez anos, prevê o IBGE, elas serão 24 milhões, ou 11%. E, em meados da década de 2050, um em cada quatro brasileiros será idoso, formando um contingente de 55 milhões de pessoas.

Boa parte da pressão vai recair sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), de quem depende 71% da população de terceira idade, segundo uma pesquisa feita em 2009 pelo IBGE.

O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) estima que os gastos do SUS vão crescer 44% entre 2010 e 2030, considerando-se apenas o efeito demográfico, ou seja, o aumento do número de usuários mais velhos. Em outro cenário, que supõe que o governo vai ampliar a infraestrutura de atendimento e acompanhar o acelerado ritmo de desenvolvimento de tecnologias médicas, o desembolso vai mais que triplicar. Clique aqui para ler mais.

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Um comentário

  1. Boa materia….bom saber…………

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