Descompasso no desejo sexual de homens e mulheres acima de 50

os descompassos do desejo sexual feminino-masculino têm causas e formas de tratamento diferentes

os descompassos do desejo sexual feminino-masculino têm causas e formas de tratamento diferentes

Dr. Márcio de Sá* –

É muito frequente haver um descompasso no desejo sexual entre mulheres e homens nos casais com mais de cinquenta anos.

A Pós-menopausa, ou Climatério, como vimos no artigo que publiquei no 50emais – Reposição Hormonal: uma decisão que deve ser muito bem pensada -, é o período que se segue à menopausa, ou última menstruação.

A andropausa , ou climatério masculino, que também existe – e sobre o qual eu tratarei num próximo artigo – é a disfunção, a mudança hormonal, que ocorre nos homens um pouco mais tardiamente, por volta dos cinquenta anos.

Esse descompasso no desejo sexual tem como razão, na grande maioria dos casos, as mudanças psíquicas que ocorrem nas mulheres durante o climatério.

As mudanças hormonais do climatério masculino causam, diferentemente, transtornos sexuais de outra ordem, relacionados aos problemas de ereção peniana. Estes problemas são capazes de refletir, também, às vezes muito negativamente, no desejo sexual masculino.

O que acontece, então, no viver e na prática quotidiana da vida sexual de um casal de mais de 50 anos é, principalmente, um descompasso de libido feminino-masculina.

As mulheres, em sua grande maioria, perdem ou vivenciam uma importante diminuição do desejo e do interesse sexual, enquanto para a grande maioria dos homens, o mais importante problema é a Disfunção Erétil (o distúrbio de ereção peniana).

As mulheres podem se tratar com a reposição hormonal, para a grande maioria das quais os resultados são excelentes (não se deve esquecer, entretanto, dos potencialmente graves e frequentes efeitos colaterais, tromboembolismo, sobretudo).

Os homens podem se tratar com os medicamentos – o Viagra é um deles – que melhoram muito a disfunção erétil (mas que apresentam também efeitos colaterais e contra-indicações absolutas: os que sofrem de problemas cardíacos, por exemplo).

Maria José N., de 57 anos, teve sua última menstruação aos 53 anos. Desde então, progressivamente e de maneira cada vez mais intensa, a sua libido foi diminuindo, diminuindo, até que o seu desejo sexual extinguiu-se por completo.

A constatação deste fato a deprimiu. Ao mesmo tempo, surgiram, para a sua total infelicidade e crescente desespero, a gama completa dos sintomas da disfunção hormonal da pós-menopausa: nervosismo intenso, uma crescente irritabilidade com todos e com tudo, os terríveis e abruptos calorões e a secura vaginal.

Em completo desespero, ela procurou o seu ginecologista, que explicou-lhe longamente toda a sua problemática e propôs-lhe a reposição hormonal. Ela aceitou e, ao cabo de dois meses após o início do tratamento, para seu grande alívio, Maria José voltou a ser a pessoa que tinha sido quando ainda menstruava.

Tudo o que a atormentava desapareceu e as recusas às investidas sexuais do seu marido – às quais, até então, ela penava para aceitar-, tornaram-se de novo um prazer.

Sete meses depois, entretanto, muito assustada com um grave acidente de Tromboembolismo Pulmonar ocorrido com sua amiga Clara M., de 62 anos, que fazia reposição hormonal há cerca de um ano e meio, ela procurou novamente o seu ginecologista.

Em comum acordo, foi decidida a interrupção do tratamento com os hormônios sintéticos e o uso unicamente de um creme vaginal à base de hormônios, que normalmente não são absorvidos pelo organismo, mas que tratam de maneira muito eficiente a secura vaginal. Este tratamento está sendo um sucesso para Maria José.

Até a última vez em que a vi em consulta domiciliar, motivada por um resfriado muito forte, ela estava bem, com a libido e tudo o mais em forma.

Francisco T. é um homem de 56 anos, divorciado, grande sedutor e considerado um “boa pinta”, muito feliz até 8 meses atrás com a sua ativa vida sexual com a namorada de 39 anos. Nesta época, ele começou a apresentar problemas, que me descreveu como uma “falha mecânica…” , que o deprimiram.

Ao final da nossa consulta domiciliar, na qual ele me fez umas 15 variadas perguntas sobre a disfunção erétil, as suas causas, o seu tratamento, o seu prognóstico etc., acordamos, ele e eu, sobre o uso, sempre pontual, como deve ser, da Sidelnafila (nome do princípio ativo do Viagra), que ele começou a usar naquela mesma noite.
Em nosso contato telefônico, uma semana após a consulta, ele estava de novo com a auto-estima nos píncaros e retomara a sua vida, alegremente, de grande namorador!

Enfim, os descompassos do desejo sexual feminino-masculino têm causas e formas de tratamento diferentes. Estas causas devem ser individualmente estudadas, para que os tratamentos correspondentes possam ser moldados de acordo com cada mulher e cada homem.

*Márcio de Sá é médico clínico formado pela UFMG, especialista em Medicina Preventiva, Mestre em Saúde Pública pela Université Paris VI, e trabalhou durante 11 anos no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. O médico mora e trabalha no Rio de Janeiro.

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10 comentários

  1. Dr. Marcio, adoro seus artigos, esse foi bastante esclarecedor, porque realmente homens e mulheres tem uma forma muito diferente de se relacionar com a sexualidade e vejo muitas mulheres hoje fazendo reposição hormonal mas sei de muitos casos de câncer de mama que provavelmente foram detonados pelo uso do hormônio. Se tem esse creme vaginal porque não optar por isso então?

  2. Cara Luiza,

    Muito obrigado por ler e gostar dos meus artigos aqui no 50emais!

    Peço-lhe que escreva-me diretamente no meu endereço eletrônico profissional: dr.marciodesa@gmail.com

    Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer-lhe, a você e a todos os leitores e leitoras do que aqui escrevo que, quando forem-me feitas perguntas e solicitados esclarecimentos de dúvidas, eu responderei diretamente, individualmente e exclusivamente, por meio do endereço eletrônico de cada pessoa.

    A razão dessa maneira de responder aos questionamentos aqui solicitados deve-se à obrigatoriedade de Sigilo Médico e de confidencialidade a que estão sujeitos todos os profissionais de saúde.

    Assim, como médico, eu só posso e devo responder, repito, individualmente e diretamente a cada pessoa, e não por meio deste blog.

    Uma vantagem complementar é a de que, no espaço do diálogo privado que propicia uma troca de e-mails, as pessoas têm a oportunidade de poder sentirem-se e ficarem mais à vontade para expor, de forma mais aberta e clara, as suas perguntas, as suas dúvidas, enfim, todos os seus questionamentos.

    Estarei aguardando o seu e-mail, será um prazer responde-lo.

    Um cordial abraço para você e até breve novamente, eu estarei aqui todas as terças-feiras…

  3. Acho que o dialogo honesto pode trazer de volta a responsabilidade sexual de ambos

  4. Ana Maria Pereira Borges

    Dr.Marcio, tenho 63 anos e não perdi o libido,mesmo sem reposição hormonal, porém meu marido,em função da perda de ereção, não sei se por fazer uso de medicamentos hipertensivos, não tem vida sexual desde os 55 anos,hoje com 65. Imagine o Descompasso…!

  5. Dr. Márcio, eu me pergunto pq nada disso aconteceu comigo. Tenho 68 anos, tive menopausa aos 47. Nunca fiz reposição hormonal. A minha libido nunca diminuiu…e nunca fiquei ressecada vaginalmente. Nem sempre tive parceiros…mas isso nunca acabou com a minha necessidade de sexo. Hoje tenho uma pessoa mais nova que eu 24 anos. E ele adora a minha vitalidade.
    Eu sou anormal??? Rss…

    • Boa noite, Regina. Aguarde, pois o Dr. Márcio vai responder à sua pergunta ainda hoje, quinta-feira, 5 de abril. Forte abraço pra você!

    • Dr. Márcio de Sá

      Cara D. Regina,
      A Senhora nada tem de anormal, ao contrário, a Senhora é uma felizarda!
      Existe uma grande varieabilidade de uma pessoa para outra pessoa em relação a tudo o que diz respeito à saúde, assim como a tudo na vida, em geral.
      Eu sugiro que a Senhora continue a aproveitar plenamente a sua grande vitalidade aos 68 anos e que seja, assim, feliz!
      Um grande abraço.

  6. Bom dia!
    meu casamento está em crise. Meu companheiro diz que eu não o amo mais porque não o procuro sexualmente. Tenho 57 anos, depressão e bursite nos ombros e quadris. Não tenho disposição sexual e sou cobrada por isso. Minha irmã mais velha morreu aos 54 anos de cncer de mama. Os ginecos consultados acham não ser recomendado reposição hormonal para meu caso. Me ajude. O que fazer?

  7. Tenho 38 anos, e estou começando um relacionamento com um homem de 58.Sou apaixonada por ele.Ainda não temos vida sexual,confesso que tenho medo dele poblemas com ereção.me ajuda povo.Devo ou não continuar investindo nesse relacionamento.

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