Desfile recupera legado do esquecido Dener

O estilista morreu aos 41 anos, em 1978

O estilista morreu aos 41 anos, em 1978

A moda brasileira deve muito a Dener, o polêmico estilista, morto aos 41 anos de idade, em 1978, depois de tornar-se um dos pioneiros da alta costura no país. O estilista passou anos e anos praticamente esquecido. Agora, seu legado volta a agitar o mundo da moda, como conta este artigo publicado pelo G1.

Leia o artigo:

“Eu comecei há uns cem anos a ser diferente de alguns que tentam me imitar”. É com esta “modesta” frase que Dener Pamplona de Abreu se define, em sua autobiografia “Dener — O luxo” (Ed. Cosac Naify, 2007). Realmente, imitar o estilista, pioneiro da moda no Brasil,não era das tarefas mais fácies. Nascido no Pará em 1937, em uma família tradicional, mas empobrecida após o fim do Ciclo da Borracha, ele conseguiu cavar seu espaço na alta sociedade de São Paulo e ganhar reconhecimento internacional como um dos estilistas mais influentes das décadas de 1960 e 1970 — tudo graças ao seu talento e, como ele mesmo dizia, à sua frescura, “que realmente era fora de série”.

Pouco lembrado nas décadas seguintes à sua morte, em 1978, o “geniozinho asmático” da alta-costura (como era chamado por sua aparência frágil, apesar de nunca ter tido asma) foi relembrado esta semana no Prêmio Avon de Maquiagem, com um desfile feito a partir de dez croquis seus que jamais chegaram à passarela quando ele estava vivo.

Com a mulher e os dois filhos

Com a mulher e os dois filhos

— Iríamos fazer só três vestidos, a partir de uma seleção de 300 croquis. Mas percebemos que teriam que ser pelo menos dez. Vimos que não dava para dizer ‘esse sim’, ‘esse não’. — conta o estilista José Gayegos, que foi assistente de Dener entre 1966 e 1967 e, há décadas, empenha-se para preservar a memória do antigo chefe e amigo:

— Trabalhar com ele era uma aula de arte — relembra Gayegos, que começou a frequentar o ateliê por indicação da modelo Lúcia Cúria (depois Lúcia Moreira Salles), quando largou a faculdade de Direito para viver de moda, após uma temporada em Paris.

— Ela me perguntou com quem eu gostaria de trabalhar: ele, Clodovil ou José Nunes. Claro que escolhi o Dener, que já era um mito naquela época. Cheguei no ateliê tremendo, com a carta de recomendação dela nas mãos. Ele nem abriu o envelope, só olhou para a minha cara e disse que eu podia começar logo — diverte-se Gayegos, que acabou comprando a casa onde Dener vivia, no Pacaembu, em São Paulo.

Entender quem era Dener e a sua importância ainda é um desafio. Amplamente aceito como um grande marqueteiro, antes mesmo da palavra “marketing” passar a ser usada, ele levou o estereótipo do estilista afeminado, sofisticado e temperamental ao extremo, deixando todos sem saber até onde ia o homem real e aonde começava o personagem.

— Ele sempre gostou de criar polêmica, falar frases de efeito, e ninguém sabia o que era verdade ou não. Era um personagem mesmo. Ao mesmo tempo que transmitia superioridade, também fazia uma ponte com o passado — explica a professora do departamento de Artes e Design da PUC-Rio Silvia Helena Sares. Clique aqui para ler mais.

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