Diagnosticada com HIV aos 67 admite: Nunca liguei para camisinha

Em São Paulo, a incidência do vírus entre idosos aumentou 60% entre 2009 e 2015

Maya Santana, 50emais

Há muito tempo, desde que os homens mais velhos começaram a usar Viagra para melhorar o desempenho sexual, principalmente, o número de mulheres acima de 50 anos infectadas com o vírus HIV da Aids só aumenta. Apenas em São Paulo, a incidência do vírus entre idosos aumentou 60% entre 2009 e 2015. Isso, porque a população mais velha ainda resiste a usar camisinha. Todo cuidado é pouco para evitar viver na última etapa da existência o drama dessa costureira, de 67 anos, que assume nunca ter pensado em usar o preservativo nos contatos sexuais que manteve.

Leia o artigo de Fabiana Marchezi para o Uol:

“Fiquei desesperada. Nunca pensei em passar por isso”. Com essas palavras a costureira Maria, de 67 anos, definiu o choque de ser diagnosticada com HIV. “Quando eu pensei que estivesse chegando à fase mais tranquila da minha vida, descobri que deveria ter me prevenido mais. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente. Nunca liguei para camisinha”, acrescentou. A entrevistada não quer ser identificada.

O caso da costureira serve de alerta para o aumento no número de idosos infectados pelo vírus da Aids. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, entre 2007 e 2015, o número de pessoas com mais de 60 anos infectadas subiu de 3,3 para 5,3 para cada 100 mil habitantes, o que representa um aumento de 60,6% em apenas oito anos, no Estado de São Paulo. Em todo o país, foi registrado um aumento de 29,4% no número de casos de HIV entre idosos de 2014 para 2015. Segundo o Ministério da Saúde, foram 771 novos casos em 2014, enquanto no ano seguinte foram 998 novos casos. Já em 2016, até junho, 437 novos casos foram informados ao órgão.

Segundo Lis Aparecida de Souza Neves, coordenadora do Programa de DST/Aids, Tuberculose e Hepatites Virais de Ribeirão Preto, a explicação para esse contexto está relacionada ao comportamento. “Hoje, notamos que os idosos têm mais qualidade de vida, saem mais, aproveitam mais a vida. Eles têm mais momentos de lazer e isso também inclui a questão sexual, inclusive por conta dos estimulantes sexuais. O problema é que eles não têm o hábito de falar de sexo, tampouco de usar preservativos. Se entre os jovens o uso da camisinha muitas vezes ainda é ignorado, entre os mais idosos é ainda mais difícil”, comenta Lis.

A especialista recomenda que as pessoas façam o teste, quando possível. “Quanto antes a infecção é diagnosticada e o tratamento iniciado, maiores as chances de controlar a infecção e a pessoa levar uma vida normal, sem que a infecção evolua para Aids”, acrescentou.

É o caso de Maria. Apesar de tomar os remédios diariamente contra o HIV, ela não teve efeitos colaterais e vem conseguindo levar uma vida normal. Entretanto, depois que foi diagnosticada, nunca mais teve vida sexual ativa e sempre que pode tenta conscientizar amigos e familiares sobre a importância do uso da camisinha. Ela contou que descobriu a infecção depois de ficar 30 dias internada para tratar uma herpes severa, contraída também por conta de não usar camisinha. Clique aqui para ler mais.

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