Dráuzio Varella, médico, escritor, maratonista e apresentador

Não são poucas as pessoas que envelhecem e chegam aos 80 em plena atividade sem passar pelo processo de decrepitude física e intelectual

Aos 72 anos, esse médico tão cheio de talentos é uma das figuras mais conhecidas do Brasil

Drauzio Varella está chateado. Aos 72 anos, o médico mais conhecido do Brasil está há oito meses sem correr, esporte que pratica desde os 50. “Machuquei o pé e vou ter que operar. Estou chateado com isso”, disse no início desta entrevista concedida em seu consultório particular no bairro Bela Vista, em São Paulo.

Apesar disso, está tranquilo. Ex-fumante – “fumei até os 36 anos”- Varella tem hoje fôlego de maratonista: às segundas, atende mulheres detentas na penitenciária feminina de São Paulo. De terça a quinta, está no consultório particular. Escreve uma coluna quinzenal para a Folha de São Paulo, outra para a revista Carta Capital, grava um vídeo semanalmente para o Fantástico, outros dois por semana para seu canal no Youtube. E abastece um site sobre saúde, além de publicar livros. O último que escreveu foi sobre lendas amazônicas voltado para crianças e que será lançado em breve. O próximo será sobre o presídio feminino, “uma espécie de Estação Carandiru feminino”, diz, mencionando seu best-seller que narrou as histórias de detentos no presídio paulistano que já foi o maior da América Latina, demolido em 2002, e que virou filme com Wagner Moura e Rodrigo Santoro.

E quando Drauzio Varella não está machucado e nem chateado com isso, também acorda às cinco da manhã para correr. “Dá uma sensação de paz, de otimismo e de autoconfiança”, diz, sobre a corrida. “O pessoal da minha geração, da faculdade, vive dizendo que os anos melhores já passaram. Eu não tenho essa sensação. Acho que [os anos melhores] estão por vir. Se você corre uma maratona, de 42 quilômetros, quando você acaba de correr você não sente que tá velho (risos). Objetivamente”, explica.

Se você também não tem nem a metade da idade dele e se sentiu vergonhosamente um preguiçoso ao saber de tudo o que ele consegue fazer, bem-vindo ao clube. “Se eu fosse jornalista hoje”, disse, quando perguntado o que faria para se livrar do estresse de uma redação, “eu correria”, falou. “Ô”, emendou. “Não fumaria de jeito nenhum. Não diria que não beberia, porque eu gosto de beber. Mas tem que ser controlado com bebida, né? Quem gosta passa do ponto com facilidade”, emendou.

Por ter uma agenda muito atribulada, esta entrevista levou alguns meses para ser agendada. Ele mesmo entrou em contato com a reportagem para acertar a data. Quando a voz dele se fez do outro lado da linha – “Alô, aqui é o Drauzio Varella” – foi impossível não achar que tratava-se de uma gravação para alertar sobre o mosquito que transmite a dengue e o zika vírus. A pedido do ministério da Saúde, Varella fez um vídeo no início do ano para alertar sobre os perigos da doença. “A velocidade com que essa doença se disseminou me assustou”, disse. “Mas não acho que teria como prevenir a epidemia. A única solução é controlar o mosquito”.

Varella não é jornalista, mas alia a profissão de médico com a de comunicador desde a década de 90. Naquela época, auge da proliferação do vírus da Aids no Brasil, ele começou a gravar spots no rádio para falar sobre a doença. Aprendeu rapidamente a forma de transmitir a mensagem. “Eu percebi que dizer apenas ‘usem camisinha’, ou ‘façam exercício’ não significava nada”, conta. “Quem se sente atingido por essa mensagem? Você tem que dizer assim: ‘você, que come feijoada duas vezes por semana, vai na churrascaria três vezes por semana, tome cuidado com a obesidade e a hipertensão”. A lição serviu e ele aprendeu a se comunicar com diferentes públicos. Hoje, sua página no Facebook tem mais de 2,5 milhões de seguidores e o canal no Youtube, mais de 200.000 inscritos. “Gosto muito da internet”, diz. “É um canal de comunicação legal, porque essa meninada que segue no Youtube não assiste ao Fantástico”, citando o programa televisivo que sempre foi referência em reportagens médicas para a grande massa. Clique aqui para ler mais.

Compartilhe!

Um comentário

  1. muito esclarecedor. E inspirador tb.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.