Envelhecer com câncer: convivendo com a doença

Jane Fonda, 76, foi diagnosticada com câncer de mama em 2010

Jane Fonda, 76, foi diagnosticada com câncer de mama em 2010

Vivo conversando com a minha ginecologista, Dra. Alba Sizenando, sobre o aumento absurdo de casos de câncer. Com sua experiência de décadas atuando como médica, ela sempre comenta que uma das causas da proliferação doença, além do envelhecimento da população, da poluição e do excesso de agrotóxicos nos alimentos que consumimos, é o fato, na sua visão marcante, de estarmos muito mais em contato com radiação – através do celular, do computador, da televisão. Assim, o diagnóstico vai ficando cada vez mais comum e o número de pessoas que convive com a doença só cresce.,

Leia a reportagem do portal Uai:

Não há quem esteja imune ao crescimento de um tumor em qualquer parte do corpo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30 milhões de novos casos serão diagnosticados por ano no mundo, nos próximos 15 ou 20 anos. Número que só tende a crescer ao considerar que um dos fatores de risco da doença é justamente o envelhecimento. Com a população vivendo mais, aumenta o número de pacientes com mais idade convivendo com o câncer.

Maria Thomé, 73, convive com a doença há 8 anos

Maria Thomé, 73, convive com a doença há 8 anos

Surge então o conceito de oncogeriatria, uma proposta de reunir profissionais de diversas áreas para avaliar o estado geral do paciente, suas limitações decorrentes da idade avançada. Juntos, eles ponderam o caminho do tratamento a ser seguido, que não interfira no quadro de doenças pré-existentes nem debilite o estado de saúde do paciente com idade avançada, muitas vezes fragilizado. Médico do ambulatório de Oncogeriatria do Departamento de Oncologia Clínica do Hospital A.C.Camargo, Aldo Lourenço Dettino explica que os pacientes idosos têm mais chances de conviver com o câncer graças aos avanços das medicações, como as terapias monoclonais, que atacam preferencialmente as células tumorais, sem destruir as sadias e debilitar a pessoa tratada.

Os níveis de toxicidade também são cada vez menores e mais bem tolerados. Assim, o paciente vive mais tempo em tratamento, sem efeitos colaterais. Somado a isso, é oferecido apoio emocional e são propostos exercícios físicos e alimentação adequada. Doença sem cura, mas qualidade de vida total durante o controle. Tratamentos mais certeiros, menos agressivos, que prometem, no futuro, controlar a remissão de alguns tumores pelo resto da vida do paciente.

Maria Bogéa Thomé, por exemplo, convive com diversos tumores no abdômen há oito anos. É provável que eles nunca sumam, mas a quimioterapia ajuda a mantê-los sem crescer. Aos 73 anos, ela tem a aparência de uma mulher saudável. Atribui tanta força à espiritualidade. Não teme o câncer. Acredita que todos têm suas dores a enfrentar nessa passagem pela Terra. A dela seria essa. Um fardo nada leve.

Em 2006, a mulher que ama astronomia e até fez voo de gravidade zero (ela é presidente no Brasil da National Space Society) foi diagnosticada com câncer do ovário. Submeteu-se a uma cirurgia para a retirada do tumor e descobriu que a doença já tinha se alastrado. Fez quimioterapia. Seis meses depois, a doença estava de volta. De lá para cá, já passou por cinco cirurgias para a retirada de tumores em lugares distintos. Não adianta. Ainda tem alguns espalhados no corpo. O mais recente deles apareceu no cérebro e teve de fazer radiocirurgia. Clique aqui para ler mais.

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