Envelhecer isolado é tão prejudicial à saúde quanto uma doença

Estudos mostram: idosos que moram sozinhos são mais sedentários, registram um maior número de doenças e quedas e têm piores hábitos alimentares

Maya Santana, 50emais

A escola deveria preparar o ser humano para o futuro não apenas no que se refere a uma carreira profissional, mas como um todo. Nos primeiros anos de estudo, o aluno já deveria começar a ouvir falar da importância de se preparar para o envelhecimento, cuidando da saúde física, mental, financeira e social, no sentido de cultivar os laços com as outras pessoas. Talvez por não sermos preparados para o envelhecer, – não recebemos qualquer orientação nesse sentido – essa fase da vida seja tão difícil e os casos de solidão se multipliquem, a ponto de se dizer que há uma epidemia de gente só. É disso que trata esse artigo de Renato Grandelle para O Globo.

Leia:

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Rio, Ana Cristina Canêdo Speranza afirma que a solidão é uma ‘triste realidade da vida moderna’, devido a fatores como as mudanças na configuração das famílias.

Segundo estudos, idosos que moram sozinhos são mais sedentários, registram um maior número de doenças e quedas e têm piores hábitos alimentares. Por que isso acontece?

Envelhecer sozinho é tão prejudicial para a saúde como outros fatores de risco, como obesidade e tabagismo. Os idosos solitários têm maior índice de depressão, demência, maior mortalidade e também piores hábitos de vida. Preparam refeições com menos nutrientes por serem de mais simples execução. Tendem a ser mais sedentários por falta de estímulo para saírem de casa, e com isso tendem a ficar cada vez mais descondicionados fisicamente, o que aumenta o grau de dependência. Também apresentam mais doenças pela falta de um auxílio na supervisão dos cuidados com a saúde, como na tomada de medicações e na ida aos médicos.

Por que a solidão tem sido cada vez mais comum dentre os idosos?
A solidão é uma triste realidade da vida moderna. As mudanças nos arranjos domiciliares vêm acompanhando o processo de envelhecimento da população. As famílias estão cada vez menores pela redução da taxa de fecundidade, mas envelhecer sozinho pode ser consequência de inúmeras situações no curso de vida, como separações e perdas familiares. Com o avançar da idade, o círculo de conexões sociais vai se restringindo cada vez mais.

Que políticas públicas devem ser adotadas para pessoas de terceira idade que vivem sozinhas?
O isolamento social é uma questão tão relevante que, em 2018, a Inglaterra criou o Ministério da Solidão, por considerar que esta condição é uma epidemia com muitos agravos à saúde. Esta percepção está crescendo em todo o mundo. As políticas públicas possuem papel fundamental no estímulo do convívio social. A tecnologia será cada vez mais importante para minimizar a percepção do isolamento. Entre outras soluções promissoras estão as novas formas de moradia, como os condomínios para a terceira idade. Mas, além das iniciativas públicas, deve haver um esforço individual para a construção de uma rede de conexões sociais ao longo da vida.

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