Estimular o cérebro é vital, sobretudo na chegada da velhice

,Afonso Eduardo Botelho de Magalhães, aposentado: velhice ativa

Maya Santana, 50emais

Se pudesse, recomendaria a todas as pessoas, principalmente quem já passou dos 50 anos, ler e prestar bastante atenção a esta reportagem de Ailim Cabral, do Correio Brazilienze, mostrando o quanto é fundamental exercitar a mente. Quando a gente para de exercitar e começa a levar aquela vida fácil, previsível, e vazia, sem nada para exigir da mente, ela entra em declínio. E, se persistimos nesse caminho, vamos perdendo nossa capacidade de raciocinar.

Leia a reportagem:

O som de muitas gargalhadas e um certo burburinho antecedem a chegada de seu Afonso à sala de convivência. Rindo e cumprimentando todos pelo nome, o aposentado de 75 anos se apresenta para o início das atividades do dia. Viúvo, Afonso Eduardo Botelho de Magalhães participa das aulas todos os dias da semana.

No centro de convivência e moradia de idosos localizado no Sudoeste, joga dominó, dança, faz atividades de leitura e escrita e ainda auxilia os idosos que não têm a mesma lucidez que ele. Seu Afonso conhece todos pelo nome — toda vez que chega algum novato, repete o nome dele até decorar, e afirma que isso também é um exercício de memória. “A gente não se exercita só na atividade, tem que ser no dia a dia.”

Com atividades durante toda a tarde, de segunda a sexta, seu Afonso conta que há cerca de seis meses, antes de conhecer o espaço de convivência, passava as tardes sozinho, assistindo à televisão, e começou a perceber que o raciocínio já não era o mesmo. Sem estímulos, passou a sentir os efeitos do declínio mental — movimento comum a todo ser humano e que se acentua quando o cérebro “se acomoda” e não é forçado a pensar e a trabalhar.

Na terceira idade, é comum que aconteça o declínio mental, mesmo para aquelas pessoas que não têm nenhum tipo de patologia. Com o aumento da longevidade, cada vez mais idosos se deparam com dificuldades de raciocínio, problemas de memória e desafios na socialização. No entanto, existem exercícios que ajudam a retardar esse declínio.

Foi essa a solução que a geriatra encontrou para seu Afonso. “Em consultas de rotina, ela disse que não era bom ficar muito tempo à toa em casa, só assistindo à tevê a tarde inteira. Ela disse que eu perderia funções cognitivas e que isso não era saudável para o cérebro”, lembra. Foi aí que o aposentado resolveu investir no centro-dia. Simpático, logo se tornou muito querido por todos os funcionários e moradores do local. Conversador, é descrito como uma pessoa paciente, que exercita a mente ensinando e ajudando os outros.

Depois de alguns meses, seu Afonso notou a melhora. A memória voltou a funcionar de forma mais eficiente e a rapidez de raciocínio se manteve mais constante. Ele se tornou mais independente: vai e volta sozinho do espaço, usa Uber e não depende do filho ou da nora para se locomover.

A experiência dele, assim como a dos outros idosos com os quais a reportagem conversou, mostra a importância da estimulação cognitiva na terceira idade. Assim tem ocorrido um aumento nos cuidados com a saúde física e se tem vivido mais anos com qualidade de vida, é importante também investir na saúde mental.

Estímulo constante

Uma pesquisa realizada pela farmacêutica Bayer em todas as regiões do Brasil aponta que 22,8% dos idosos nunca leem ou praticam atividades que desafiem o cérebro. Em Brasília, a porcentagem de pessoas com mais de 60 anos que se descuida no que diz respeito à estimulação intelectual e cognitiva e nunca exercita a mente é levemente menor: 22,5%. Apenas 18,1% da população idosa brasileira faz esse exercício diariamente — no DF, o índice é ainda mais baixo: 14%. Clique aqui para ler mais.

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