Gal Costa une a ousadia ao pop em seu novo disco

Gal está completando 50 anos de carreira e, em setembro, chega aos 70 anos de vida

Gal completa 50 anos de carreira e, em setembro, 70 anos de vida

Leonardo Lichote, O Globo

Gal Costa passeia o dedo pela tela de seu celular, até que pede os óculos. Quer ler um trecho de “Os irmãos Karamázov”. A entrevista é sobre seu novo disco, “Estratosférica” (Sony), que chega às lojas no fim do mês. No álbum, Gal grava compositores jovens, como Arthur Nogueira, Mallu, Céu, Lira, Zeca Veloso, Marcelo e Thiago Camelo, Criolo e Jonas Sá, ao lado de nomes consagrados, como Tom Zé, Caetano Veloso, Antonio Cicero, Marisa Monte e Milton Nascimento, muitas vezes em parcerias inéditas que cruzam as gerações. Ela põe as lentes e lê Dostoiévski: “Somos assim: sonhamos o voo, mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece”.

Gal saca o texto do escritor russo para tratar do desejo que a move e que atravessa o disco: afirmar-se no presente. Um desejo expresso já na abertura de “Estratosférica”, nos versos de Antonio Cicero para a música de Arthur Nogueira em “Sem medo nem esperança”: “Não sou mais tola/ Não mais me queixo/ Não tenho medo/ Nem esperança/ Nada do que fiz/ Por mais feliz/ Está à altura/ Do que há por fazer”. Um desejo que, ela avalia no ano em que completa cinco décadas de carreira e sete de vida (em setembro), sempre a acompanhou:

— A coisa de que mais gosto, além de cantar, é correr riscos. Você só tem a ganhar quando se joga no abismo — diz, ecoando Dostoiévski. — Estava quieta quando veio o convite de Caetano para fazermos “Recanto” (2011), um disco ousado, que despertou em mim uma curiosidade com as coisas novas de hoje. Mas a radicalidade de “Recanto” é a mesma de “Cantar” (1974), que foi uma quebra para o disco de “Cultura e civilização” (“Gal”, 1969), que era radical também. E antes eu havia começado como uma bossanovista radicalíssima.

Gal vê o novo disco como outro “recomeço” — “Mais que ser prazeroso, recomeçar é natural para mim”, diz. Um movimento iniciado em “Recanto” — e que incluiu os shows “Espelho d’água”, de voz e violão, e “Ela disse-me assim”, com canções de Lupicínio Rodrigues.

— “Estratosférica” é uma continuidade daquele frescor jovem do “Recanto”, mas de forma mais palatável. Mais seguindo o “Recanto ao vivo”, que é mais aberto, aproximou o público — diz a cantora. — Queria a harmonia entre o radical e o palatável, entre o clássico e o ousado. “Sem medo nem esperança”, por exemplo, é um rock clássico. Já “Por baixo”, aquelas coisas libidinosas de Tom Zé quando fala de mim, é um samba, mas tem aqueles (faz sons ásperos com a boca, emulando o arranjo eletrônico)…

A cara de “Estratosférica” foi definida com a ajuda dos produtores Kassin e Moreno Veloso e do jornalista Marcus Preto, que fez a direção artística e de repertório. Clique aqui para ler mais.

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Um comentário

  1. Lindo Lindo Lindo, parabéns Gal seja bem vinda a Musica, já estava triste com sua falta, musicas boas.

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