Gilberto Gil, 75: “Com a velhice, chega a meditação sobre a morte”

Gil foi  internado cinco vezes em 2016, com quadro de insuficiência renal

Gil foi internado cinco vezes em 2016, com quadro de insuficiência renal

Maya Santana, 50emais

Eu considero Gilberto Gil um patrimônio brasileiro, pelo artista maior que é. Gostei imensamente desta entrevista que ele deu ao programa Conversa com Bial, há pouco mais de duas semanas. Embora fale o tempo inteiro da morte, Gil, 75 anos, se mostra alegre e natural, como a música que faz. O cantor e compositor baiano esteve internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no ano passado, durante quase três meses. E é impossível deixar de notar, na sua entrada no programa, principalmente, como tornou-se uma figura frágil, magra e meio alquebrada. Mas quando começa a falar, mostra a costumeira força, inteligência e sensibilidade. “Só depois dos 60, começa a meditação sobre a morte. Com a velhice, essa meditação torna-se impositiva, mas necessária, porque a gente começa a lidar com questões como a decrepitude, enfraquecimento, a presença de doenças…”, diz ele, confessando que já está preparando seu testamento. Um lindo testemunho de um gênio da nossa música.

Veja a entrevista:

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3 comentários

  1. Rogério de Oliveira

    Gilberto Gil sempre chegando primeiro . Suas letras ,desde “Domingo no Parque”, anos 60, fazem a gente pensar e pensar. “Se eu Quiser Falar com Deus” não é uma visão pioneira de Deus no mundo mas é no Brasil , tomado de seitas evangélicas e superstições religiosas de todos os níveis. Agora, ele toma de novo a dianteira e lança uma luz sobre a morte . Além da confabulação aberta e desmistificadora com Bial , fez uma canção falada sobre a morte ,nos moldes da fase tropicalista de sua carreira. Não é atoa que o seu livro de cabeceira há muitos anos é o “Ponto de Mutação” de F.Kapra e que , ao terminar seu show no Luziense , de Santa Luzia/MG , dispensou o banquete que encomendamos pra ele , abriu a bolsa de couro , puxou dois palitinhos e uma marmitinha para comer. Bjs e Grato .

  2. Três coisas maravilhosas Maya: A canção de Gilberto Gil que descortina o morrer e a morte; ele próprio – e sim, ele é um patrimônio do Brasil, da nossa cultura – e o cometário de Rogério, que traz uma memória maravilhosa para quem teve Gilberto Gil de perto e a cidade de Santa Luzia acesa para a arte. Ví filmes, peças no teatro que me alimentaram enquanto pessoa e atriz. Aqui no caso citado foi a música. Fiquei grata com tudo.

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