Gilberto Gil lança autobiografia. Leia um trecho

O baiano, 71 anos, lançou o livro na Festa Literária Internacional de Paraty, no RJ

O baiano, 71 anos, lançou o livro na Festa Literária Internacional de Paraty, no RJ

Ao lado da escritora Regina Zappa, co-autora da obra, o cantor Gilberto Gil, 71 anos, acaba de lançar sua autobiografia, ‘Gilberto bem perto’, na 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Bem humorado, o baiano disse que o livro é constituído de ‘retratos de um homem que envelheceu’. “Pra falar a verdade, nunca tive esse anseio de lançar minhas memórias. O interesse é das pessoas. Querem transformar o milho em pipoca e saborear minhas memórias. É até interessante a gente repensar, reviver os momentos e gostei do resultado. Mas acho que minha vida nem merecia ser contada”, brincou.

A jornalista Regina Zappa é coautora

Livro foi escrito a quatro mãos

Leia  um trecho do capítulo A infância no sertão:  “Onde o fim da tarde é lilás”

(“A paz”)

Ituaçu tinha apenas duas ruas. Na de cima, de terra batida, se concentrava a maior parte da população. Lá viviam os comerciários, empregados domés­ticos e outros trabalhadores menos favorecidos. Na outra, a de baixo, mora­vam os comerciantes e notáveis cidadãos, como os médicos, o padre, o juiz de direito, os farmacêuticos. Uma das mais respeitadas da cidade, a família do doutor José Gil Moreira tinha casa na rua de baixo.

Nascido em Salvador, em 26 de junho de 1942, seu primogênito Gilber­to Passos Gil Moreira ainda nem completara um mês quando deixou a rua Ismael Ribeiro, no bairro de Tororó, nos braços da mãe, Claudina, para viver os nove anos seguintes na bucólica Ituaçu, no interior da Bahia. Não havia luz elétrica na cidade de oitocentos e tantos habitantes, e mais algumas centenas nos arredores, segundo registra o censo de 1950. Isso não era dificuldade para sua mãe, que vivera até os 12 anos em Salvador numa casa sem eletricidade, vendo a noite ser iluminada por lampião regado a óleo de baleia. Candeeiros, velas e aladins protegiam da escuridão.

Cidade de classe média e média baixa, Ituaçu não conhecia pobreza ex­trema, nem riqueza desproporcional. Território habitado originalmente pelos índios maracaiares e tapajós, ao pé da Chapada Diamantina, o lugar chamava­-se originalmente Brejo Grande. “Nesse ambiente começamos a crescer, eu e minha irmã. Tinha quintal com pé de fruta-pão, jaqueira, mangueira, goiabeira, abacateiro”, lembra-se Gilberto Gil da primeira infância.

Em casa, Gilberto Gil era chamado de Beto. Seus pais, Claudina Passos e José Gil Moreira, Cola e Zeca, casaram-se em 1941, em Salvador, onde viviam com suas famílias modestas, que se esforçaram para dar a educação que os tornasse alguém na vida. Claudina conheceu José numa festa de são João, no bairro de Santo Antônio, em Salvador, durante o período das festas tradicionais em que se cantavam as trezenas para santo Antônio. Claudina nunca se esqueceu do dia em que conheceu seu marido. Pouco antes de morrer, em 2012, contou a história com saudade: Leia mais em vejasp.com.br

Aqui, uma das músicas mais bonitas de Gilberto Gil:

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