A história de um brasileiro bem sucedido nos Estados Unidos

Aos 59 anos, Pedro Costa é jornalista, empresário e cônsul honorário do Brasil em Seattle. Aqui,  ele na capital Washington,    tendo ao fundo o prédio do Congresso

Aos 59 anos, Pedro Costa é jornalista, empresário e cônsul honorário do Brasil em Seattle. Aqui, ele na capital Washington, tendo ao fundo o prédio do Congresso

Além de jornalista e empresário, o mineiro Pedro Costa tornou-se cônsul honorário do Brasil em Seattle, nos Estados Unidos. Aos 59 anos, confessa que nunca trabalhou tanto. Pedro trilhou um caminho que o conduziu ao sucesso: depois de transferir-se de Belo Horizonte para São Paulo, destacou-se como repórter especial do Estadão; depois de muitos anos, deixou o jornal para criar sua própria agência de assessoria de imprensa, a Cia da Informação. Casou-se com uma americana, com quem tem duas filhas e terminou por mudar-se para os Estados Unidos. Sua habilidade na aproximação de empresários brasileiros e americanos atraiu a atenção do governo que o nomeou cônsul honorário da região de Seattle, no noroeste americano, onde vive há mais de uma década. Neste depoimento a Ana Maria Cavalcanti, o brasileiro fala das alegrias e dificuldades do cargo.Fala também da chegada da idade e como enfrenta com exercícios e boa alimentação sua carga pesada de afazeres.

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Na Universidade de Stanford, na Califórnia, uma das mais importantes do mundo

Na Universidade de Stanford, na Califórnia, uma das mais importantes do mundo

“Quando falo que sou cônsul, a primeira reação das pessoas é de deferência.Parece que o mundo para e a pessoa começa a prestar atenção em você. Ficam te olhando. Depois de um tempo, geralmente perguntam: “O que o cônsul faz? “. Costumo responder brincando que ainda não sei. Mas, como representante oficial do Brasil aqui, sou chamado para tudo. Vistos, roubos de passaportes, notarização de documentos, título de eleitor, brigas de marido e mulher, brasileiros presos em via de serem deportados, brasileiros que perderam tudo, que estão ilegais e querem voltar para o Brasil.

Com o  então governador de Minas, Tancredo Neves, quando trabalhava como repórter de política, anos 80

Com o então governador de Minas, Tancredo Neves, quando era repórter de política, anos 80

Temos uma população brasileira reduzida aqui – apenas cinco mil -, mas que faz um barulho danado. A maioria dos ilegais vem de Goiás. Trabalham como telhadistas ou faxineiros. Enquanto os legais vêm de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília. Sempre tento resolver os problemas na hora ou mandar para o Consulado de São Francisco, na Califórnia, que realmente tem o poder de processar vistos e outros documentos. Não ganho absolutamente nada, pago para trabalhar, inclusive assistente e escritório no World Trade Center. Por quê? O Brasil é um país fantástico, pelo qual todo mundo tem simpatia. Estar associado a ele me enche de orgulho. Sempre se abre um sorriso quando falo do nosso país.

Na onda do selfie: com as filhas Maria Clara e Georgia, e a mulher Frieda Hoops

Na onda do selfie: com as filhas Maria Clara e Georgia, e a mulher, Frieda Hoops

A minha principal função é vender o país no estrangeiro. Faço palestras sobre política, economia, agricultura, carnaval, o que for sobre o Brasil. Falo muito com a mídia, com o Rotary, com organizações internacionais. Sendo cônsul, projeto o Brasil e, lógico, a mim mesmo. Sou um imã para negócios, uma espécie de centro ambulante de informações sobre o país.

Já realizamos diversas missões para o Brasil, inclusive com o governo americano e vice versa. Fiesp, Fiemg, Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, Senar, Fumsoft – um punhado de organizações e empresas me procuram. Como sabem que vivo e respiro inovação, e conheço muita gente, sou um ponto de referência. Queria ser mais, mas só tenho 24 horas por dia.

Em Seattle, com Gilberto Gil:  a rede de conecções do jornalista é quase infinita

Em Seattle, com Gilberto Gil: a rede de conexões do jornalista é quase infinita

Já há algum tempo, comecei a fazer televisão, documentários sobre inovação tecnológica, política , negócios, turismo, etc. que vai ao ar na Record News. Mas acho que a grande TV é o You Tube. Cada vez que posto um video lá, é impressionante o tanto de gente que vê. É claro que pra fazer tantas coisas, preciso estar com a saúde em dia. Por incrível que pareça, nos Estados Unidos me alimento bem melhor do que no Brasil.

Aqui, não existe o nosso regular almoço de 1/2 horas, onde você se empanturra e ainda dá uma saidinha para o Banco. As pessoas trabalham de 9h às 17h, são extremamente produtivas . Às 17h, iniciam uma outra etapa do dia. Geralmente, as pessoas vão para a academia ou se dedicam a um hobby qualquer. Muitos fazem trabalho voluntário, pois pega muito bem no currículo. Mas como o dia é grande aqui, Deus do Céu.

Pedro se exercitando no Mont Rainier, no estado de Washington, onde mora

Pedro se exercitando no Mont Rainier, no estado de Washington, onde mora

Sou diabético há mais de 30 anos, mas os efeitos ainda não começaram a aparecer. Eu me sinto em ótimo estado físico. Durmo como um bebê, caminho ou corro no lago próximo a minha casa, o GreenLake, quase todos os dias. Nado no lago ou no Pacífico. Quando a água gelada permite, faço meditação. Com a idade, fui amolecendo, me tornando mais resignado com algumas coisas, como ficar careca. Numa reportagem que fiz sobre câncer, um médico me disse que o corpo humano foi feito para durar até 120 anos. A cabeça, só 90. Estou pagando para ver (rs).

A idade me assusta todos os dias. Fico revoltado vendo a extraordinária época em que vivemos. Queria ter mais uns 15 anos para ver o que tudo isto vai dar. Vou tentar acelerar daqui para frente. Dizem que os 60 anos são os novos 40. Quero deixar este mundo com carga máxima, a pleno vapor, pois sei que 50% do pessoal que se aposenta ou morre ou se torna extremamente chato. Cada amigo ou amiga que se aposenta é uma estrela que deixa de brilhar. É triste isso. Estou fora.

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2 comentários

  1. Grande Peter Back!

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