Idosos de hoje constituem um filão de ouro pouco explorado

As empresas que desejam entrar no mercado dessa terceira idade jovem precisam ter em mente que a clientela é exigente

Maya Santana, 50emais

Este artigo da The Economist, uma das revistas de maior influência da Europa, traduzido pelo Estadão, fala da cegueira dos empresários que ainda não perceberam o valor do idoso – pessoa com mais de 60 anos – como consumidor. “Os idosos de hoje constituem um filão de ouro pouco explorado,” afirma o artigo, explicando que “nos Estados Unidos, segundo projeções da Nielsen, os indivíduos com mais de 50 anos em breve concentrarão 70% da renda disponível.” É muita coisa. E tem mais dados surpreendentes: as pessoas nascidas “entre o fim da 2.ª Guerra e meados dos anos 60 estão chegando à terceira idade em maior número, em melhores condições de saúde e com mais recursos para gastar do que qualquer outra geração anterior.”

Leia:

“Não temos nada contra bingo ou carteado”, diz Tom Kamber, antes de explicar por que o visitante não vai encontrar nem um nem outro no centro para idosos que ele administra em Manhattan. O Senior Planet Exploration Centre garante a diversão de seus frequentadores com óculos de realidade virtual e outras engenhocas digitais. Se bem que, ao chegar ao local, a maioria prefira ir diretamente para a bancada de computadores e acessar o Facebook ou fazer compras online. Numa sala, um grupo de 15 idosos, alguns deles na casa dos 80, vestidos com roupas esportivas, reúne-se em volta de um professor de ginástica. Há também quem venha fazer cursos que ensinam a começar um negócio próprio, usar smartphones, comprar passagens e fazer reservas em hotéis pela internet e até criar perfis em sites de relacionamentos. “A gente desmistifica a tecnologia e eles botam para quebrar”, diz Kamber.

As empresas fariam bem em observar o que se passa em lugares assim. Vivendo mais, com mais tempo livre e dinheiro no bolso, os idosos de hoje constituem um filão de ouro pouco explorado. Nos Estados Unidos, segundo projeções da Nielsen, os indivíduos com mais de 50 anos em breve concentrarão 70% da renda disponível. O consumo global em domicílios onde o principal responsável é alguém com mais de 60 anos deve chegar a US$ 15 trilhões até 2020, o dobro do registrado em 2010, prevê a Euromonitor. Grande parte desse dinheiro será gasta com lazer.

Os indivíduos nascidos entre o fim da 2.ª Guerra e meados dos anos 60 estão chegando à terceira idade em maior número, em melhores condições de saúde e com mais recursos para gastar do que qualquer outra geração anterior. É comum que se sintam muito mais jovens do que seus pais se sentiam quando tinham a idade que eles têm hoje. “A aposentadoria costumava ser um período curto, entre os cruzeiros marítimos e as cadeiras de rodas”, diz Joe Coughlin, que comanda o AgeLab no Massachusetts Institute of Technology. Agora tornou-se uma nova fase da vida, tão extensa quanto a infância ou a meia-idade, e essas pessoas querem estruturá-la de forma diferente. “Apesar disso, continuamos a oferecer a elas a mesma vida de aposentado que o meu avô levou.”

O turismo de aventura para pessoas acima de 60 anos é um negócio promissor. Nos EUA, segundo a Adventure Travel Trade Association, mais de 40% dos turistas que fazem viagens desse tipo têm mais de 50 anos. No Reino Unido, os idosos são os que mais gastam com turismo, e em nenhuma outra faixa etária a expansão do segmento de aventuras é tão acelerada quanto entre os indivíduos que têm entre 65 e 74 anos. Esses velhinhos intrépidos estão em busca de ação, das expedições ao Ártico às viagens culturais pela Ásia.

Jane Dettlof mora em Minnesota, tem 73 anos e acaba de passar duas semanas viajando de bicicleta pelo Chile. Voltou encantada com “a cultura, a culinária, as praias e, ah meu Deus, o vinho dos Andes!”. Durante o dia, 16 mulheres, com idades variando entre 61 e 87 anos, pedalavam e conversavam. À noite, bebiam vinho, “sem ficar reclamando de ter que tomar remédio para isso e remédio para aquilo”. A agência que organizou a viagem, a VBT, não diz explicitamente ser especializada em turismo para idosos, mas seu material publicitário contém algumas dicas sutis: “cada um no seu ritmo”, “desde 1971”, “bons vinhos”. Mais de 90% dos clientes da empresa têm mais de 50 anos.

Outro mercado que promete é o de relacionamentos. Apesar de as taxas agregadas de divórcio estarem caindo em alguns países, como EUA, Austrália e Reino Unido, as separações entre os idosos estão em alta. Os divórcios entre americanos e britânicos com mais de 60 anos são, respectivamente, duas vezes e três vezes mais frequentes hoje do que eram em 1990. Mais de 25% dos usuários do site de relacionamentos Match.com têm entre 53 e 72 anos. É também nessa faixa etária que o site mais conquista novos usuários. Clique aqui para ler mais.

Compartilhe!

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.