Jane Fonda e Robert Redford vivem víúvos unidos pela solidão

Robert Redford e Jane Fonda juntos pela quarta vez na produção do Netflix

Com essa produção do Netflix, é a quarta vez que os dois trabalham juntos

Maya Santana, 50emais

Esta é a quarta vez que essa dupla de tão boas lembranças – A Caçada Humana – 1966, Descalços no Parque – 1967 e O Cavaleiro Elétrico – 1979 – contracenam, agora no filme produzido pela Netflix, Nossas noites, que será lançado este ano. Robert Redford, 80, e Jane Fonda, 79, vivem o papel de viúvos que moram sozinhos e são vizinhos. Para não deixar que as longas noites solitárias continuassem a maltratar os dois, ela faz uma ousada proposta para ele. O que acontece depois. A história é baseada no livro de mesmo título, do americano Kent Haruf, morto aos 71 anos, em 2014. Um roteiro comovente, como conta este trecho do artigo de João Prata para o Estadão.

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Os dois formam um dos casais mais queridos de Hollywood

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A história começa quando Addie Moore (Jane Fonda) faz uma visita repentina à casa do vizinho Louis Waters (Robert Redford). Os dois são viúvos, septuagenários, vivem sozinhos e pouco se conhecem. Ela sugere que, dali em diante, passem as noites juntos. “Não, sexo não. Não é essa a minha ideia. Acho que perdi todo e qualquer impulso sexual faz muito tempo. Estou falando de ter uma companhia para atravessar a noite, para esquentar a cama. De nós nos deitarmos na cama juntos e você ficar para passar a noite. As noites são a pior parte. Você não acha?”

A vizinhança fofoca, um conhecido de Louis tira sarro sobre ele conseguir ter pique de cortar toda a grama de sua casa após longas noites de amor. Logo os familiares tentarão meter a colher no relacionamento e levará o leitor a também ter a curiosidade de saber se em algum momento haverá sexo entre os novos amigos. Deitados na cama de mãos dadas, no quarto, com uma fresta na janela para entrar a brisa da noite, eles dão de ombros para os outros. Estão mais preocupados em se conhecer, relembrar histórias, se libertar de traumas e tentar fechar feridas jamais cicatrizadas, como a morte da filha de Addie quando tinha seis anos. Passam a lutar juntos pelo direito de ser feliz.

Os dois contracenando no filme O homem elétrico, em 1979

Os dois contracenando no filme O homem elétrico, em 1979

Sem recorrer a sentimentalismos ou clichês, Haruf usa de uma narrativa veloz, em que os diálogos entre o casal correm soltos, sempre amparados por belos cenários das planícies do centro-oeste dos Estados Unidos. Carrega também uma linguagem mais para o coloquial, inspirada em Hemingway e Faulkner, suas referências literárias. Mas a maior virtude, talvez, seja a sutileza e delicadeza com que trata a relação de amor e a necessidade de aproveitar segundas chances que a vida oferece.

Não há como evitar comparações com a vida do próprio Haruf. Em ensaio para a revista literária Granta, ele conta que foi um jovem recluso, preocupado com o que os outros iriam dizer sobre uma cirurgia malfeita de lábio leporino. Vivia com a mão à frente da boca e só conseguiu se livrar desse trauma depois que deixou o bigode crescer e notou que ter se afastado dos outros serviu para observar melhor a sociedade. Também lutou contra a rejeição no meio literário no início da carreira. Acredita que só foi aceito na Iowa Writers’ Workshop por pena, pois, sem emprego, se mudou com a esposa e a filha para a cidade somente por causa do curso. Sua primeira obra foi publicada quando tinha 41 anos e escrevia havia mais de 20. Com a segunda mulher, conseguiu se libertar das amarras da vida, encontrou sua voz narrativa e passou a ter longas conversas deitado na cama, de mãos dadas com Cathy, com a fresta da janela aberta e a brisa da noite.

Veja Jane Fonda aqui, falando da parceria com Robert Redford. Infelizmente, o vídeo não tem legendas em português. Se não der para entender, pelo menos dá pra ver como Jane Fonda está inteiraça, beirando os 80 anos:

A vida amorosa de Addie e Louis já virou filme, a ser lançado neste ano pela Netflix, dirigido por Ritesh Batra (The Lunchbox). Para viver os protagonistas, um dos casais mais conhecidos do cinema americano: Robert Redford e Jane Fonda, que voltam a fazer par após quase 40 anos. Eles estrelaram juntos obras como A Caçada Humana (1966), Descalços no Parque (1967) e O Cavaleiro Elétrico (1979). A adaptação de Nossas Noites foi feita por Scott Neustadter e Michael H. Weber (A Culpa É das Estrelas). No elenco, Judy Greer, Matthias Schoenaerts e Iain Armitage.

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6 comentários

  1. Por favor, informe o titulo do filme que será lançado pela Netflix com Robert Redfor e Jane Fonda

  2. edson luiz marques teixeira

    OTIMO. ASSISTI. GOSTEI MUITO

  3. José Paiva da Silva

    Estou caminhando para viver uma vida assim.
    Filme lindo.

  4. Jose Fernando Ferraz Braga

    Our Souls at Night.

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