Laços e nós familiares – Rosiska Darcy

Assim como a família mudou – e justamente porque ela mudou -, a maneira de trabalhar está mudando. Uma revolução sempre esconde outra. A transformação da família “pai, mãe e filhos” em um leque de possibilidades existenciais, revelada em pesquisa do IBGE, é uma porta de entrada para entender a complexa articulação entre família e trabalho e como nela se está gestando uma revolução invisível. No rastro da transformação da família está vindo a do mundo do trabalho.

Se metade das famílias brasileiras já não corresponde ao modelo casal com filhos vivendo sob o mesmo teto, nem por isso a família se desfaz. Ela resiste, assume formas inusitadas e afirma-se como o que de fato é: laço afetivo, uma realidade econômica e, quando há crianças, um espaço de transmissão de valores e comportamentos. Intimidade, gratuidade e solidariedade que caracterizavam a família tradicional ancoram, hoje, nessas novas configurações, multifacetadas.

Essa grande diversidade traz novidades: o menor número de filhos — ou nenhum filho — e o fato de que homens e mulheres exercem, ambos, atividades lucrativas e colaboram com suas rendas para o sustento da família. A criação dos filhos se dá nos interstícios de duas vidas profissionais. No cotidiano dos casais ou dos indivíduos, homem ou mulher, que sozinhos assumem essa responsabilidade, o tempo se torna um bem escasso e precioso.

O mundo do trabalho não estava preparado para acolher os problemas da vida privada. Enquanto o homem provedor dominou a cena conjugal, uma mulher nos bastidores carregava o peso das responsabilidades domésticas. Quando o provedor saiu do ar e as mulheres bateram à porta do mundo do trabalho esconderam a vida privada , temerosas de que este “defeito” lhes fechasse o acesso. E tomaram as devidas providências: em pouco tempo caíram as taxas de natalidade. Subiu a renda familiar, com dois salários onde que antes só havia um sustentando o consumo de uma família menor.

A renda das famílias aumentou na razão direta em que aumentava a carga e se acelerava o ritmo do trabalho das mulheres. Divididas entre a família e o trabalho, para essas eternas culpadas os laços de família se transformaram em um nó. Leia mais em http://sergyovitro.blogspot.com.br

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