Livro mantém memória de Silvia de Leon Chalreo

A pintora em ação. Ela nasceu no Rio, em 1905

A pintora em ação. Ela nasceu no Rio, em 1905

Artista plástica, militante política, feminista, poetisa. Silvia, nome simples, sem sobrenome, foi como se nomeou ao fazer-se pintora aos 35 anos. Nascida no Rio de Janeiro em 1905, a carioca pôs-se a pintar e descobriu que a simplicidade seria a característica de seus traços, suas cores e seus retratos com tinta. “Um dia, acordei pintora”, dizia.

Uma personalidade muito a frente da época em que viveu deu vida a cenas cotidianas de um Brasil colorido. Usava tons fortes, pintava o povo nas ruas. Por isso, sem querer, tornou-se um dos maiores expoentes brasileiros da arte naïf (ingênuo) ou primitiva moderna. Título que conserva até hoje.

O título desse quadro da artista carioca é "Roda", pintado em 1950

“Roda”, de 1950, pertence ao acervo do MAM-Rio

A obra literária intitulada “Maracangalha” (illumina, 120 páginas, 45 reais) recupera os marcos de oito décadas que compreendem a trajetória da artista. A pesquisa foi realizada por Ana Lúcia Queiroz, que também assina o texto do livro. A publicação conta também com um levantamento iconográfico feito por Márcia Zoet – sobrinha de Pedro Xavier, com quem Silvia morou por mais de 35 anos e que virou, também, sua família.

Ana Lúcia Queiroz e Márcia Zoet explicam que o objetivo da obra não foi escrever uma biografia e sim trazer para vida memórias e obras que não podem ficar paradas no tempo. “Tampouco nos propusemos a fazer uma análise estética (esta, uma tarefa para especialistas)”, diz Márcia.

A pintora sentada entre seus quadros

A pintora sentada entre seus quadros

Silvia começou escrevendo. Dedicou-se ao jornalismo, assim como foi uma importante expoente da militância feminista e política do século passado. Em sua produção jornalística destaca-se a criação da Revista Esfera, especializada em Artes, Ciência e Literatura, que circulou durante a II Grande Guerra e reuniu intelectuais e artistas do Brasil e do exterior. Mas, foi pintar o que a tornou completa. Costumava dizer, como contam os amigos, que a pintura deu-lhe a alegria da perfeita expressão.

No livro está a síntese de todas essas mulheres e de sua produção como artista plástica. A proposta, segundo Márcia, é mostrar o perfil de uma mulher inovadora, desvelando ao menos algumas de suas múltiplas faces: a da anfitriã calorosa, que faz de sua casa ponto de encontro de artistas, um lugar irresistível de se ir.

"Cidade", pintado pela artista em 1989

“Cidade”, pintado pela artista em 1989

A casa, famosa, tinha o nome que intitula o livro: Maracangalha. Foi ali que viveu, num inusitado arranjo familiar, a pintora, a feminista ousada, a jornalista cultural e a militante política nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro.

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3 comentários

  1. Olá, como posso comprar o livro sobre a Sylvia? Minha mãe, Neusa d’Arcanchy, foi muito amiga dela e gostaria de ler e ter essa memória.
    Grata, Heloisa d’Arcanchy

  2. Sabe quando se tem saudades, é da Silvia. Uma pessoa tão doce, que mesmo com dificuldade de andar, ele seguia até a janela da sala do seu apartamento para ver o seu eterno amado Labanca sair a rua e ele ao olhar para cima, ela então, jogava um lindo beijo. Aos 95 anos só olhava para o futuro. Uma mãe de todos, mesmo sem conhecer recebe a todos como eu, um jovem querendo ser pintor. Minha gratidão para essa maravilhosa pessoa, a expressão do que significa Amor Platónico. Foi muita sorte minha ter a oportunidade de escutar sua alma falar e pelos pequenos momentos em seu doce lar. Sua arte em especial a pintura é o que ela sempre desejou para todos serem feliz nas suas casas e cidades a ” FELIZ CIDADES “

  3. Ai que saudade da Tia Silvia! Adorava quando ía à casa dela na Marquês de Abrantes! Eu, criança, ficava fascinada por aquele universo de tintas. E tio Labanca querido?!! Pedrinho… Saudades…. Bom saber que sua trajetória ficará registrada.

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