Meditação no Caminho de Santiago de Compostela

Percorrer a rota milenar é dar um mergulho em sim mesmo

Percorrer a rota milenar é como mergulhar em si mesmo

Daniel Agrela

Para nós do ocidente a palavra ‘meditação’, na maioria das vezes está associada a um exercício silencioso de relaxamento. Imaginamos, por exemplo, uma pessoa sentada em uma superfície totalmente plana, com as pernas cruzadas, corpo ereto, respiração sincronizada e mente vazia. No entanto, existem outras formas de meditar. Caminhar é uma delas.  

Essa modalidade, bastante conhecida no budismo como Walking Meditation, coloca todo o corpo em ação e, por meio da repetição dos movimentos associada ao ambiente ao redor, proporciona uma sensibilidade única ao praticante. Nas duas oportunidades em que fiz o Caminho de Santiago percebi que essa forma de meditação era muito muito comum entre os viajantes. 

Uma arquiteta chilena que conheci a caminho da cidade de Pamplona me confidenciou que o fato de caminhar, muitas vezes sozinha entre bosques e campos abertos na rota de Compostela, estava ajudando-a a encontrar respostas para as perguntas que a levaram a percorrer, a pé, mais de 800 quilômetros pelo norte da Europa. “Estou experimentando um encontro com a minha essência”, disse. 

O cenário aberto, a beleza ao redor e o silêncio ajudam

O cenário aberto, a beleza ao redor e o silêncio ajudam

Esse encontro é muito comum a todos que recorrem ao Caminho de Santiago. Principalmente porque ao caminhar, às vezes exaustivamente, o viajante consegue atingir um profundo estado de meditação em razão do relaxamento físico e mental que a caminhada proporciona.  

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Embora o corpo esteja sob esforço e movimentação intensos, a sensação que se tem é de se atingir outra dimensão, sem perder, porém, a concentração do que está a sua volta. Logo, o peso da mochila passa a não ser sentido. Tudo se torna uma coisa só.

E nesse fascinante ambiente, o viajante passa a refletir a respeito de sua vida, o que, a meu ver, constitui o principal sentido do Caminho: o autoconhecimento.

* Daniel Agrela é jornalista e autor do livro “O Guia do Viajante do Caminho de Santiago – uma vida em 30 dias”, da Editora Évora – por meio do Selo Generale.  É também criador da maior comunidade sobre o Caminho de Santiago no Facebook (www.facebook.com/ocaminhodesantiago).

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4 comentários

  1. Júlio Silva Martins

    Em 2012 caminhei até Santiago. Fiz o caminho de Portugal. Saí da Sé do Porto até Santiago.Já fiz outras peregrinações, mas esta a Santiago foi maravilhosa. Ficou em mim memórias inesquecíveis. Em seis dias de peregrinação vivi um pouco de tudo, e no fim ficou em mim uma grande nostalgia, Senti que vivi intensamente neste período e sinto que não descansarei enquanto não voltar de novo a Santiago.

  2. Muito obrigada por voce me fazer relembrar a minha caminhada em 2010. Realmente ‘e uma experiencia fantastica, consegui o caminho frances em 27 dias! Quero votar breve!

    Obrigada mais uma vez por tudo de belo que nos mostra.
    Ruth

  3. Olá, estou fazendo o caminho e, neste momento estou em Carrion de los Condes. Bem, já tive bolhas, unha caída e, até já pensei em parar. Mas, como vc falou, parece que o corpo vai e a mente está em outra dimensão. Para ser sincera, ainda não descobri o real motivo de ter saído de Curitiba para fazer o caminho, mas rezo todos os dias para ter saúde e forças para chegar. Estou com seu livro na mochila e, agradeço todos os dias pelas dicas e sugestões que recebo.

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