Mulheres que não se identificam com sua idade cronológica

Elas se recusam a ser rotuladas pela idade que têm

Elas se recusam a ser rotuladas pela idade que têm

Maya Santana, 50emais

Como as pessoas estão envelhecendo, mas aparentam ser bem mais jovens do que sua idade cronológica, considero natural que uma parcela das mulheres com idade entre os 40 e os 50 e poucos anos não queira nem ouvir falar que chegaram ao que se convencionou chamar de “meia-idade”. Elas não só não aceitam o rótulo, como, em plena forma, não dão bola para essa coisa de idade, como revela este artigo de Maria Garrida, do El País.

Leia:

Elas são chamadas de “ageless generation”, algo como mulheres eternas ou sem idade porque de tênis, jeans e camiseta não é fácil adivinhar quantos anos têm. “Pelo menos pelas costas”, diz Rebecca Rhode, fundadora da SuperHuman, a agência de marketing que fez um estudo com 500 mulheres publicado no The Telegraph. A pesquisa confirma que as que estão em sua quarta e quinta década não se identificam com o rótulo social “mulheres de meia idade” que supostamente as define. Na plenitude de sua vida, as mulheres que nasceram nos anos sessenta e setenta se rebelam contra qualquer definição cuja origem seja a idade.

Não é uma notícia surpreendente e não é um rótulo tão certeiro como o vaticinado por Gina Pella, editora do The What, em um artigo no Fast Company. Sem distinção de gênero, Pella falava em 2016 do iminente interesse que as marcas iriam desenvolver pela conhecida como geração “babyboomers”, descrita como a única com pessoas relevantes de distintas idades, que sabem o que acontece no mundo, têm contato com a tecnologia e um círculo pessoal representado por diversas idades. A imagem utilizada para ilustrar os “perennials” era categórica: “Lady Gaga e Tony Bennet podem ter mais em comum que dois millennials escolhidos ao acaso”.

Perennials’ e eternas

De fato, tendo em vista os resultados da pesquisa do jornal britânico, uma mulher de 40 anos e outra de 50 também têm algo muito relevante em comum: se sentem jovens ou pelo menos não se sentem mais velhas e tampouco se encaixam no clichê da meia idade.

Rebecca Rhode, fundadora da SuperHuman, a agência de marketing que fez um estudo com 500 mulheres

Rebecca Rhode, fundadora da SuperHuman, a agência de marketing que fez um estudo com 500 mulheres

“Realmente me parece algo muito antigo, como senhoras tomando café com bolachas no fim de tarde. Eu estou em um momento fantástico de minha vida, cheia de energia; meus filhos ainda são muito pequenos e tenho em minhas mãos um monte de projetos pessoais e profissionais. Não sou nenhuma jovenzinha, sei perfeitamente qual é minha idade, mas também não tenho a sensação de que o tempo começa a ficar mais curto que é o que sempre se associou à meia idade. De modo que não, não me identifico com esse rótulo, nem com muitos outros”. É a impressão de Charo Marcos, jornalista de 41 anos que edita a Kloshletter, a primeira newsletter independente de informação geral editada na Espanha e dirigida principalmente às mulheres. “Se nós somos a geração sem idade? Também não estou segura. Minha mãe, que já fez 65 anos, diz há tempos que ela não se sente uma mulher de 65 anos como se lembra da sua com essa idade. Não têm a mesma vida, as mesmas inquietudes, sequer o mesmo aspecto. As mulheres de sua idade não são como eram as mulheres de sua idade anos atrás. Acredito que, no fundo, o bem-estar não só nos fez viver mais como vivemos melhor e essa melhoria também se reflete em nosso aspecto e em nossa atitude no momento de enfrentarmos a idade que temos”, reflete.

Silva Mezquita, de 42 anos e técnica de equipes de televisão, casada e mãe de uma filha, gosta do rótulo ‘ageless’. “A idade é um número, o estilo de vida faz a diferença, existem mulheres de 30 totalmente assentadas, casadas, com vidas rotineiras. Eu estou melhor do que estava aos 20. Continuo participando de competições de dança, viajo, faço loucuras, me fantasio, continuo aprendendo idiomas, estou na quarta língua. Adoro viver… Não faço nada para parecer mais jovem, não é isso, é que meu estilo de vida é assim”.

Prestes a completar 41, Ana I. Gutiérrez, engenheira química, casada e com uma filha, nunca dirigiu uma antes, mas acabou de comprar uma moto “algo que sempre quis fazer”. Afirma que “em nenhum momento levei em consideração a idade para tomar essa decisão ou qualquer outra. Quero uma moto, posso comprá-la. Ponto. Quero aprender a boxear, o faço. Agora quero aprender a escalar, então vamos lá”. Reage como se uma abelha a ameaçasse quando lhe perguntamos se ela se identifica com os rótulos “mulher de meia idade” e “ageless”: “Um me soa como se estivéssemos nos anos 70 e o outro também não me convence. Sei que tenho 40 anos e assumo muitas responsabilidades profissionais e familiares, mas posso fazer coisas que os de 20 fazem. Eu me sinto uma mulher jovem sem rótulos. Acho que a idade não é uma referência para nada na vida, talvez somente para a maturidade e nem isso, porque cada um a desenvolve em uma idade diferente e existem pessoas que não a desenvolvem nunca”.

Outro lindo exemplo da chamada mulher "ageless" - literalmente, sem idade

Outro lindo exemplo da chamada mulher “ageless” – literalmente, sem idade

Alergia à ‘meia idade’

Ester Hernández Bejarano, de 41 anos e professora de Sociologia na Universidade de Salamanca explica por que nos parece do Pleistoceno o conceito de meia idade: “essa idade madura como construção social que representa uma mulher com traços de aparência e estilo de vida muito determinados está em plena transformação. Observamos uma perda de fronteiras entre gerações, uma distinção líquida entre etapas que estavam muito mais marcadas no passado. Cada vez vivemos mais, de modo que as gerações se alargam. A juventude se alarga, e já não falamos de crise dos 40, agora há quem diga que foi substituída pela dos 50, e se fala da quarta idade, para aqueles que superam idades avançadas. Também não há uma associação plena entre beleza e juventude, a mulher se cuida desde muito cedo e chega aos 40 e supera os 50 com uma aparência sem nada a dever à das mulheres 10 anos mais jovens. Temos mais referências, a capacidade de cuidar de nosso aspecto e padrões de moda menos restritivos que não antepõem aspectos relacionados à idade a outros como por exemplo as tendências. Tudo isso, somado à solvência econômica e ao fato de que as mulheres já não estão presas ao âmbito privado e doméstico e que muitas já não são mães e atrasam a maternidade, faz com que alguns estereótipos como o da “senhora de meia idade” já não sejam atrativos. Clique aqui para ler mais.

mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
Estamos fazendo uma campanha para tornar o 50emais ainda melhor. Clique aqui para para participar.

Compartilhe!

Sobre Maya Santana

Maya iniciou suas atividades como jornalista na década de 1970. Trabalhou em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Mas a maior parte da sua carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde viveu durante mais de 16 anos.

5 comentários

  1. SILVIA RIBEIRO GRANATTO

    Concordo,a mulher não precisa se vestir como uma menininha mas de repente na idadeadura leva um estilo de vida muito jovem.Já estou nos 60 e não tenho e nem nem sinto coroa de 60 e poucos.Tenho filhos com 40 e 35.Me doi bem com os amigis deles.Tenho papo constante com todos independente da idade.Tenho estilo prae vestir.Segundo minha filha não fica ruim. Isso depende muito do tipo físico e estilo de cada um.Me visto jovialmente mas não abuso de roupas jovens demais.Frequento academiac de dança..Os amigos doa meus filhos me elogiam muito.Gostam do meu jeito de viver.Portanto idade está na cabeça de cada um.Mei instagrN e face poderá ser abetto sem problemas.Bjs

  2. SILVIA RIBEIRO GRANATTO

    Desculpe erros de teclagem.Espero que tenhame entendido.Teclei rapido e troquei letras kkkk

  3. Fiz 60 anos e não tenho problema com minha idade faço questão de falar.

  4. Tenho 60 anos e, evidentemente , sinto algumas diferenças físicas de quando era mais jovem, porém não me sinto velha e muito menos tenho vergonha de mim ou do meu corpo e minha cara. Visto o que gosto, sorrio muito, conto piadas, trabalho, namoro, saio sozinha, amo meu jeito de ser e não mudaria absolutamente nada em mim. Amo a mulher que me tornei. Ah… Namoro um homem bem mais jovem (20 anos de diferença) e não tenho o mínimo problema em relação a isso, ele também não e meus filhos me apoiam em tudo que faço. Sou mesmo uma ageless e não ando por aí vestida e com comportamento de jovenzinha, fazendo papel de ridícula, também não me visto como matrona e nem me comporto como tal. Sou em toda minha essência uma egeless e adorooooo a mulher que existe em mim.

  5. Ceiça Lima, somos iguais apenas faltou o namorado, mas também não faço questão adoro morar sozinha sem dar satisfação para ninguém, apenas para meus gatos.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*