Não à violência, já!

 Nenhum pretexto justifica incendiar, literalmente, as ruas

Nenhum pretexto justifica incendiar, literalmente, as ruas

Não à violência, já! Este é o apelo que todos de bom senso estão fazendo num Brasil que tem se mostrado cada vez mais violento. Neste artigo, a antropóloga Rosiska Darcy de Oliveira, sempre atenta, chama a atenção para o fato de que “O demônio da violência anda à solta nas avenidas reais e virtuais do país” e critica as “lideranças” que estariam torcendo para que dê tudo errado na Copa. “São sonâmbulos dançando na beira do abismo,” diz ela.

Leia o artigo:

Diz um velho ditado que não se deve falar no diabo porque o diabo aparece. Discordo. O demônio da violência anda à solta nas avenidas reais e virtuais do país.

A violência policial que pretende reprimir a fúria de um tipo minoritário de manifestante é gasolina jogada na fogueira. O problema é grave demais para ser deixado ao duvidoso bom senso das autoridades de segurança. Existe uma opinião pública democrática que é majoritária e, por isso mesmo, tem que se fazer ouvir.

O que as manifestações de junho, que refluíram sob o peso da violência, defendiam era o interesse público. Diziam uma verdade incontestável: a política não serve ao bom governo, são os governos que servem à má politica como moeda de troca, promessa ou ameaça de concessão ou retirada de privilégios. Essa lógica diabólica rege todos os partidos. Transforma governos em caixa-forte, administrações em pasto de aliados, impede que se priorize o que é do interesse dos cidadãos.

Quando pacíficas, e assim deveriam ter continuado a ser, as manifestações são a expressão mais viva da democracia contemporânea, que nos desafia a decifrar seus códigos e a reinventá-la. “Decifra-me ou te devoro”, disseram as ruas em que a internet veio desaguar.

No sábado passado, em São Paulo, dois desastres ilustraram o imenso risco que a violência que assombra as manifestações faz pesar sobre a democracia. Uma menina escapou de morrer queimada em uma barreira de fogo que interrompia o tráfego como forma de protesto. Salta aos olhos que nenhum pretexto justifica incendiar, literalmente, as ruas.

A Polícia Militar, num ato que mistura covardia, boçalidade e incompetência, baleou e feriu gravemente um rapaz de 22 anos. Antes invadira um hotel em que manifestantes tinham se refugiado. São espetáculos de truculência que lembram os malfadados tempos da ditadura, inclusive na canhestra tentativa de justificar-se culpando a vítima.

O conflito cego entre pedras e balas só pode desandar numa espiral enlouquecida em que, a História nos mostra, ao fim e ao cabo triunfa o mais forte, o mais brutal, o mais implacável.

A violência não pode se tornar a linguagem do protesto. Difícil imaginar que esse chamado à paz possa vir de lideranças políticas. Em temporada de caça aos votos, cada um se regozija quando o adversário enfrenta dificuldades. O drama das ruas, o rastro de destruição que deixa, é manipulado como arma eleitoral, o que dá a medida exata da miopia das supostas “lideranças”. Há quem torça pela aceleração desta engrenagem em todo o país, com a aproximação da Copa. São sonâmbulos dançando na beira do abismo. Clique aqui para ler mais.

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