Dificil envelhecer num país que cultua a juventude

Adriana Rabello, mineira, é atriz e mora no Rio de Janeiro

Adriana Rabello, atriz, atuou na peça “Cinquentei”

Adriana Rabello, Portal Uai:

Aos 40 anos, vivenciar uma personagem de 50 no monólogo ‘Cinquentei’, de Cristina Mendes, foi uma experiência muito interessante. No momento em que fui convidada para o trabalho, pensei: mas eu não tenho 50 anos! Por que não chamar uma atriz que já cinquentou para fazer a peça? Pensei também que seria necessário me envelhecer um pouco e dar um ar de mais cansada.

Quando li o texto e passei a observar as mulheres mais maduras, cheguei à conclusão de que dar esse ar de mais cansada era uma tremenda bobagem. Cansadas que nada! Estão no auge da sua produtividade, são independentes, mais seguras de si, já criaram seus filhos, gostam de se cuidar e buscam novos desafios.

Como vivemos, ainda, numa sociedade patriarcal, a maioria não aceita essa nova mulher. Ainda existe um pensamento de que, depois dos 50, a mulher já não tem mais valor, por não poder mais procriar, ou seja, deixa de ter a sua totalidade, perde sua feminilidade e passa a ser excluída.

Acredito que, aos poucos, esse pensamento está mudando. Mas ainda falta muito para que nós, mulheres, independentemente da idade, da cor, do status social, tenhamos mais espaço e igualdade de direitos. Claro, não é fácil envelhecer num país que cultua a juventude.

E isso é mais difícil ainda para nós, mulheres. Mas passar por décadas de transformações é um presente divino, que nos fortalece, nos dá mais autonomia para sermos nós mesmas e viver plenamente nossa totalidade.

Vivenciar uma mulher de 50 anos que lutou durante toda a sua vida por seus desejos e fazer também um monólogo sobre a escultora francesa Camille Claudel (1864-1943), que lutou bravamente para se estabelecer como mulher e artista numa época totalmente machista, me fizeram pensar na questão da igualdade de gênero, hoje tão discutida na nossa sociedade. Que venham os 30, os 40, os 50, os 60, os 70, os 80, os 90… E que sejamos plenas e tenhamos saúde e muita qualidade de vida.

Adriana Rabello, mineira, é atriz, radicada no Rio de Janeiro. Protagonizou o espetáculo ‘Cinquentei’

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10 comentários

  1. Perfeito!! É isso mesmo…eu fiz 6.5 domingo…e a minha cabeça é de 50…ou menos!!! rsrsrs

  2. Mesmo com os meus 50entas e também meio enrugadinha, posso garantir que ruga não é um bicho de sete cabeças. Nem de sete testas. Faz parte. Denotam no seu rosto – no mínimo – certa sabedoria, certa vida vivida, um conhecimento do mundo, um prazer de estar vivo.
    Não quero esconder minhas preocupações e muito menos meus sorrisos. Espero enfrentar a velhice que se aproxima de cara limpa.
    A grande recompensa por ter 50 anos ou mais em uma sociedade que vive e respira o culto ao corpo é que você se importa menos com a crítica e tem menos medo do confronto. Alguém duvida que seja mole mole romper mais esse tabu?

  3. Aos cinquenta e quase oito, estou ótima. Sinceramente? Melhor que nos meus 20,30,40. Claro que quem vê de fora deve pensar: Como ela envelheceu! Foda-se. Resolvi viver o tempo mais como kairós e menos como cronos, mesmo tendo compromisso e obrigações, pois ainda trabalho, e muito. Resolvi estar mais na minha percepçao interna e não na externa, porque não tenho que dar satisfação à ninguém ao não ser primeiro para mim, e se eu continuasse com a cabeça que tenho hoje eu juro que nem morrer com idade nenhuma eu queria…rsrs
    Viva os 50 e mais…rsrs…

  4. maria luiza vieira araujo

    A idade nos traz sabedoria, mais uma certa beleza magica, que só as estrelas tem pois não tem idade cronológica exata, e assim somos nós mulheres misteriosas e belas. Tenho 58 estou muito bem, as pessoas me ve assim e eu também, tenho uma trajetória de vida recheada de acontecimento bons e ruins, mais todos valerão ser vividos, 4 filhos lindos um neto e o principal o marido da minha juventude.

  5. Sandra Mara Biernacki

    Concordo com a opinião desta mulher, pois as pessoas acham que por estarmos nos 50 anos ja não som,os mais as mesmas mulheres de 30 . Não temos mais a mesma agilidade talves , mas temos muito mais a oferecer agora do tinhamos antes dos 50. Hoje tenho 54 anos e me sinto uma mulher de 30 , tenho as mesmas vontades de antes , e o mesmo animo , e mais ainda , hoje eu não voltaria aos 30 anos , a não ser que pudece voltar com a experiencia de vida que tenho hoje …. Cinquentei , mulheres com mais capacidade do que nunca ….

  6. Acho q tem muito mais a ver como a mulher se vê e menos de como a sociedade a vê. Falando por minha própria experiência, não concordo, por exemplo, quando a autora diz q “ainda existe um pensamento de que, depois dos 50, a mulher já não tem mais valor, por não poder mais procriar, ou seja, deixa de ter a sua totalidade, perde sua feminilidade e passa a ser excluída”. Ao chegar aos 50 e trabalhar meus próprios preconceitos, pude perceber que somos nós q temos essa visão de nós mesmas. Nunca me senti excluída, limitada e nem sujeita à preconceitos. Muito pelo contrário, a maturidade me trouxe a admiração de amigos, colegas e até de pessoas desconhecidas. Hoje, às vésperas de me tornar uma mulher “sexy” (sim, sexagenária!!!!!), vivo uma nova paixão e estou sendo convidada para novos desafios profissionais… devo confessar que “cinquentar” foi bem mais fácil e prazeroso que “trintar” ou “quarentar”… afinal, envelhecer é inevitável, mas ficar velho é opcional…

  7. Wilce T. Paula Silva

    Revirando na cama de “cá pra lá”, as horas vão passando, a madrugada avançando e nada do sono… Penso: o jeito é dar ” uma olhadinha” no Face e me deparei com o ” Cinquenta e mais” e este tema: ” Difícil envelhecer num país que cultua a juventude” . Ao ler Adriana Rebello, passo os olhos pelos comentários, pensando aqui ” com meus botões: Aff! cinquenta anos, velho/ velha??!! Vixi!! E eu entào??!! Uma ” Matuzalém??!! Garotas, já estou ” setentando” e em plena saùde, vigor, ” pico”, ilusões, sempre viajando, participando de eventos, ” happy hours”… ” numa boa”… não estou ” nem aí” para preconceitos de idade, para ” o que pensem ou deixem de pensar” , ” falem ou deixem de falar” ( mesmo porque sempre terá ” alguém” pensando ou falando, gostemos ou não, c’est lá vie”…) curtindo um casamento de cinquenta e três anos (idade de algumas aqui!!…) com o mesmo namoradinho láaaa da adolescência, aliás, me casei ainda adolescente… e ainda neste relacionamento de mto amor, curtição. Tenho três carinhosos filhos, casados, cinco netos, dois dos netos já cursando faculdade… E daí???!! Já se foram os anos em que uma vovó usava coquinho, saia larga e comprida, rosto bem enrugado… Hoje, com a variedade de recursos à disposição, a conscientização em relação à ” boa alimentação” , ao ” se mexer”, à prática de exercícios físicos e mentais, com o progresso da tecnologia, se tendo alcance a qualquer notícia em qualquer parte da Terra, com o progresso da medicina, da sociedade como um todo, ainda ficar questionando idade??? !! O que importa é que saibamos estar bem não somente na aparência, mas sobretudo ” dentro” de nós! Cultivarmos a solidariedade, a cumplicidade , a amizade, a dignidade, o respeito para com o outro, o amor, a positividade!! Pra frente sempre, até quando soar os “acordes finais “!!! Simples assim! Saibam curtir a vida, minha gente!! ..

    • Amei, acabo de fazer 6.0 concordo com você, sou jovem, me sinto jovem, tenho três maravilhosos filhos e cinco netos. Um amor de adolescência de 42 anos de um casamento muito feliz! A vida é bela, vamos vive-la!

  8. Claudia regina Matas Lopes

    Tenho cronologicamente 52 anos que acabei de completar, porém me sinto muito bem e motivada para viver e realizar novos projetos. Me aposentei há um ano e meio e neste tempo fiz mestrado na USP. Realizei este sonho e mesmo convivendo com alunos bem mais jovens, nunca me senti incapacitada para cursar a pós graduação. Agora quero me lançar novamente no mercado de trabalho, dando aulas na Universidade. Talvez as pessoas me vejam com outros olhos e imaginem que eu tenho que parar, mas eu ainda quero viver plenamente. Tenho saúde e disposição e apesar de não ter aquele corpo ou a mesma pele, internamente estou melhor que aos 30 anos.
    Fatalmente iremos envelhecer, mas se sentir velho é pura escolha!

  9. Muito interessante os comentários; exemplos bem legais

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