O bem que o cão faz a pessoas vítimas de doenças, como derrame

São inúmeros os benefícios de se ter um cachorro de estimação

Acredito piamente nisso: cães fazem bem aos idosos, de uma maneira geral. E aos idosos doentes mais ainda. Agora mesmo, nós da minha família estamos vivendo uma experiência que comprova isso. Meu irmão, 74 anos, sofreu num AVC – Acidente Vascular Cerebral ou derrame – em setembro. Passou muitos dias no CTI de um hospital e se recuperou o suficiente para voltar para casa, onde faz fisioterapia, massagens, exercícios com fonoaudióloga, enfim aquele monte de coisas que precisa ser feita para que volte a ter autonomia.

Nesse processo de evolução, os dois cãezinhos da casa cumprem papel fundamental. Como gostam do meu irmão, estão sempre por perto . Ele conversa com os bichinhos e fica claramente satisfeito quando deitam ao seu lado e ele pode acariciá-los – com a mão direita, pois a esquerda foi afetada pela doença. Os cachorrinhos lhe dão prazer. E, certamente, ajudam na sua recuperação.

Leia neste artigo de Ludimila Honorato, para O Estado de S.Paulo, sobre os benefícios dos cães para um enfermo:

Quem tem um animal de estimação sabe o quanto a companhia, o contato físico e a atenção recíproca fazem bem para a vida. O que é senso comum ganha cada vez mais força com estudos que comprovam os benefícios de atividades e terapias assistidas por animais para melhorar a saúde, promover bem-estar e facilitar tratamentos.

O animal auxilia no tratamento de diversas doenças e, por meio do tato e da interação com o humano, promove vantagens físicas, emocionais e acelera processos de recuperação. Especialistas afirmam que a técnica deve integrar uma abordagem interdisciplinar.

“O animal é sempre um facilitador para a gente chegar ao objetivo”, diz a psicóloga Karina Schutz. “A terapia com animais é um tratamento complementar, e isso não é só com psicólogo, mas também com fisioterapeuta. Animais dentro de consultórios promovem a geração de um monte de neurotransmissores e hormônios maravilhosos: endorfina, dopamina, ocitocina”, afirma.

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A profissional é fundadora do Pet Terapeuta, organização de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que leva animais para casas de permanência de idosos, hospitais e outros espaços onde os bichos podem ser benéficos. Em outubro, o Estado acompanhou a visita das cadelas Maria e Valentina à Casa Ondina Lobo, na zona sul de São Paulo, que foi facilitada por Karina em uma ação promovida pela Bayer.

O espaço é destinado à moradia de idosos, com média de 84 anos, e conta com o trabalho de voluntários para atividades como fisioterapia, reiki e aulas de computação. A instituição sem fins lucrativos é mantida com doações, seja financeiras, de roupas ou mantimentos. No dia em que os pets estiveram lá, de surpresa, o ambiente se encheu de sorrisos e estimulou a conversa entre os residentes.

“Nós temos 68 idosos, homens e mulheres, e a rotina é parecida com a de uma casa grande, com muitas pessoas. A quebra da rotina é muito importante e, independente do comprometimento, seja físico, social ou psicológico, os animais unificam o grupo, trazem um convívio gostoso”, conta Mariana Yamagushi, gerente da Casa Ondina Lobo.

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Ela exemplifica como o cachorro pode servir de facilitador para propostas terapêuticas. “Na parte de fisioterapia, alguns idosos são resistentes para fazer exercício. Com o animal, eles deitam, levantam, se movimentam naturalmente. A adesão é mais fácil com o pet.”

Profissão: pet terapeuta

O cachorro é o mais utilizado na terapia assistida por animais porque é o que dá mais retorno imediato, segundo Karina, seja positivo ou negativo. O cão é treinado, por exemplo, para não avançar, mas sim se retirar, quando não gosta de determinada atividade.

“Precisa ser um animal calmo, que tenha controle dos impulsos, goste de dar e receber carinho e tenha certa autonomia”, explica a fundadora do Pet Terapeuta.

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O perfil é escolhido de acordo com a proposta da atividade. Se a equipe médica precisa obter atenção de uma pessoa hiperativa, por exemplo, um pet mais calmo é o ideal. Em termos de saúde, o cachorro tem de estar com vacinas e higiene em dia, ter boa saúde bucal e estar com vermífugo e antipulga em dia.

Outras propostas de terapias envolvem gatos, aves, coelhos, tartarugas e até cobras e escargot. “São animais que não dão tanto retorno, mas também geram alguma sensação”, diz Karina.

Benefícios

Estudos avaliam a intervenção da terapia com animais em casos de pessoas com demência, que sofreram acidente vascular cerebral e crianças com autismo, por exemplo.

“A pet terapia é muito ampla, a gente consegue atingir a pessoa de diferentes maneiras por meio do animal. É muito fácil conseguir tirar o idoso de dentro do quarto para participar da atividade, porque ele tem um bichinho em que vai poder fazer carinho”, afirma Karina. “Ali se estabelece uma relação que gera benefícios terapêuticos.”

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Prova disso é a influência do método em idosos hipertensos. Um estudo feito em uma casa de repouso em Vila Velha, no Espírito Santo, observou melhor controle dos níveis de pressão arterial dessas pessoas após quatro meses de intervenção. As sessões de terapia com cães e gatos ocorriam semanalmente, com duração de uma hora cada.

“Quando as pessoas interagem com os animais, falando com eles, acariciando ou manuseando, há diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial”, afirmam os pesquisadores. Eles pontuam que a pet terapia proporcionou momentos de alegria, relaxamento e maior socialização entre pacientes e profissionais.

“Eu passei a mãozinha nele, já recebi a energia dele. O cachorrinho emite uma energia que muita gente não sabe”, reflete Antônio Tomás, que aos 104 anos é o morador mais velho da Casa Ondina Lobo. Maria de Lourdes Malheiros, de 80 anos, está há pouco mais de um ano na residência e deixou sua cadela aos cuidados de uma amiga. Quando recebe a visita dos cães, sente-se “muito feliz, muito leve”. “A visita dos cachorros faz uma diferença muito grande na sua mentalidade, mesmo quem não gosta”, afirma.

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Karina explica que os benefícios para as crianças são semelhantes. Na fisioterapia, o animal estimula os movimentos ao precisar ter o pelo escovado. O pet também pode “mediar” a comunicação entre paciente e equipe médica. “[A criança] vai lá, sorri para o cachorro, faz um carinho e você consegue fazer uma atividade.”

São poucas as contraindicações para a realização da terapia com pets. A mais importante é a pessoa não gostar do animal ou se sentir ameaçada por ele, exemplos que a reportagem presenciou na casa destinada a idosos. Fora isso, a psicóloga cita os casos de alergia, aqueles em que o médico é contra, pessoas com baixa imunidade ou com doenças de pele. “Aí, a gente vai com mais cautela”, diz a psicóloga.


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