O legado das ruas

O poeta inspirando os manifestantes

O poeta inspirando os manifestantes

Rosiska Darcy

Rios de gente invadem as cidades. Transborda o descontentamento. Não foi  súbito nem inexplicável. Há muito tempo jovens lotavam as avenidas virtuais por  onde passam as redes sociais protestando contra a humilhação a que estávamos  submetidos.

Quantos assinaram a Lei da Ficha Limpa, o que de melhor se fez como ação  cidadã nesses últimos anos? Aprovada, Renan Calheiros foi eleito pelos seus  pares presidente do Congresso. E gargalhou.

Quantos festejamos o resultado do julgamento do mensalão em que o Ministério  Público teve um papel fundador? Um obscuro deputado do PT pariu um monstrengo, a  PEC 37, tentando paralisar o MP enquanto a execução das sentenças vai sendo  posta em risco por chicanas jurídicas que desmoralizam a Justiça.

Quantos pedimos a saída imediata do infelicíssimo Feliciano, cuja incurável  doença do ódio quer curar o amor alheio, na contramão da sociedade que avança no  sentido das liberdades, propulsada sobretudo pelos jovens que delas não vão  abrir mão? Feliciano preside a Comissão de Direitos Humanos, cada vez mais  cinicamente agressivo graças à inércia e à cumplicidade de todos os  partidos.

Cresceu a percepção de que a Casa em que deveriam se refletir nossos  interesses se transformara em um depósito do lixo da corrupção. Somados, somos  quantos milhões? Quantos milhões de roubados, de traídos?

O que está acontecendo é novo por sua amplitude e pela rapidez da  mobilização. Mas o desgosto e a indignação são antigos. A juventude supostamente  apática, desmiolada, desinteressada do país, sem história, está aí, fazendo a  sua e a nossa história Se a fagulha foram vinte centavos, convenhamos que menos  que isso estava valendo a dignidade da população.

Um abismo separa a sociedade brasileira de seus representantes deixando no ar  o inadiável repensar do sistema político que perverte a democracia  representativa, que já não representa ninguém como dizem, com razão, os cartazes  nas ruas. E, ao dizê-lo, longe de atacar a democracia, os manifestantes a estão  revitalizando em sua expressão contemporânea. Esse o primeiro legado do  movimento. Para continuar a ler clique aqui.

 

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