O médico disse que não há o que fazer pelo meu joelho. Mas há sim

A quantidade de colágeno no corpo diminui à medida que se envelhece e o risco de desenvolver distúrbios articulares degenerativos aumenta. Foto: reprodução da internet

Maya Santana, 50emais

Eu vou completar 70 anos daqui a alguns meses. E me sinto muito bem. Caminho toda manhã, faço outros exercícios físicos diariamente, não me descuido da alimentação. Há um tempo, comecei a sentir que havia um problema no joelho direito. Procurei um ortopedista. Ele pediu que fizesse um raio x, receitou uma injeção e um antiinflamatório. Voltei um tempo depois com o resultado do rx, queixando-me que o incômodo havia diminuído um pouco no início, mas retornara assim que a caixa de comprimidos terminou. Saí do consultório com um pedido de ressonância magnética do joelho.

Uma semana mais tarde, lá estava eu de novo sentada em frente do médico. Agora, com a ressonância e o relatório, relativamente breve, escrito pelo profissional responsável pelo exame. Como das outras vezes, o ortopedista, aparentando ter uns 45 anos, me recebeu de maneira amistosa, com um semblante quase alegre. Abriu o envelope. Retirou apenas o relatório e leu. Devolveu o papel para dentro do envelope. Fechou e me entregou.

“Realmente a senhora tem um problema no joelho direito”, começou ele. “Foi provocado pelo desgaste da cartilagem. O que é muito comum à medida em que o envelhecimento avança,” completou e ficou me olhando. Fiz, então, a pergunta cuja resposta pôs um fim à minha relação com aquele médico: E o que posso fazer para melhorar, doutor? “Nada,” respondeu ele de pronto. Como assim? Tentei argumentar: impossível não haver nada para tornar o desgaste mais lento, por exemplo. “O problema é da idade mesmo,” reforçou ele.

Decepcionada com a displicência com que ele me comunicou que o meu joelho não tinha jeto, saí em busca da opinião de um especialista. Com os resultados do Rx e da ressonância em mãos, compareci à consulta, em um hospital de ortopedia. Contei ao novo ortopedista o que havia acontecido. Depois de ler o relatório e examinar atentamente a ressonância, ele me perguntou: “Mas ele não recomendou nem fisioterapia?” Eu disse, não. “E ele chegou a falar em cirurgia com a senhora?” Não, não falou. “Ah, pelo menos não é um mau caráter,” observou, com bom humor. O mais fantástico, porém, foi o que me disse: “Há sim um desgaste, em estágio inicial. Há muito que podemos fazer.”

Saí dali tão aliviada, pensando no acerto da minha decisão de não ter me rendido à ignorância do primeiro médico. Não paguei pelas consultas. Ambos os ortopedistas me atenderam pelo meu plano de saúde, Unimed. A diferença entre um e outro me assustou, por isso estou contando esse caso aqui no 50emais.

Navegando pelos sites de notícias, encontrei esta reportagem feita por Simone Cunha para o Uol: “Alimentos que ajudam a evitar problemas nas articulações – Cotovelos, tornozelos, punhos, joelhos, ombros…” A matéria, você vai ver, recomenda tomar colágeno – uma proteína que o segundo ortopedista me receitou.

Fala também da importância da alimentação com proteínas de boa qualidade. Elas possibilitam a reposição natural do colágeno no corpo, “essencial para o bom funcionamento das articulações.”

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Frutas e aveia, uma combinação que só beneficia a saúde

Cotovelos, tornozelos, punhos, joelhos, ombros… Todas essas são articulações importantes do nosso corpo e sabemos como dores nelas podem atrapalhar o dia a dia, já que impedem nosso movimento. Problemas comuns das articulações são dores articulares, artrose e osteoartrite. Mas sabia que uma boa alimentação pode ajudar a preveni-los?

Uma dieta balanceada é essencial para que o organismo consiga produzir colágeno. “Essa proteína ajuda a manter a integridade da cartilagem, tecido que protege as articulações. A quantidade de colágeno no corpo diminui à medida que se envelhece e o risco de desenvolver distúrbios articulares degenerativos, como a osteoartrite, aumenta”, considera a nutróloga Tamara Mazaracki, membro da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

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E é importante destacar que o colágeno tem inúmeros atributos: “protege e lubrifica as articulações, reforça tendões e ligamentos, sustenta os órgãos internos, deixa a pele resistente e elástica, atua no fortalecimento de unhas e cabelos, enquanto ossos e dentes são formados pela adição de minerais à matriz de colágeno”, informa Mazaracki. Por isso, é fundamental identificar quais são os alimentos campeões para as articulações e aprender a realizar escolhas mais corretas.

Portanto, uma alimentação com proteínas de boa qualidade possibilita a reposição natural do colágeno no organismo. “O consumo de alimentos proteicos (carne, frango, peixe, ovo, leguminosas) e alimentos fonte de vitamina C, ômega 3 e zinco oferecem o necessário para a produção de colágeno”, confirma Karin Klack, nutricionista Clínica da Divisão de Nutrição e Dietética, do Instituto Central do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

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Segundo Patrícia Campos-Ferraz, doutora em Bioquímica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), investir em uma alimentação adequada desde cedo é essencial, pois a produção de colágeno é reduzida com a idade, naturalmente. Além disso, o corpo só deve dar sinais de desgaste articular por volta dos 40-50 anos. A degeneração das articulações pode ser silenciosa, até o momento em que se faz presente com dor, inchaço e dificuldade para caminhar.

Uma lista que não pode faltar no cardápio

Geleia de mocotó e balas de colágeno: possuem colágeno em sua composição auxiliando na vitalidade das células da pele e ossos;

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Caldo de ossos: o cozimento de ossos dos animais forma um líquido rico nos tipos de colágeno I, II e III, muito importantes para manter a saúde dos tendões;

Alimentos proteicos: as carnes, vermelha e branca, contribuem com a produção de colágeno natural do organismo; já os peixes, como o salmão, auxiliam na produção do colágeno por serem ricos em zinco e ômega 3. E os ovos, além de possuírem colágeno em sua composição, ainda são fontes de enxofre, que auxiliam em sua reposição;

Aveia: cereal integral rico em cobre, que contribui na produção do colágeno;

Frutas: as vermelhas são ricas em vitaminas e minerais que participam da produção do colágeno no organismo, auxiliando na redução da perda natural do colágeno que ocorre com o tempo;

Soja: leguminosa que possui um hormônio capaz de acelerar a produção de colágeno pelo organismo. Pode ser consumida na forma de leite, tofu ou o grão natural;

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Chá branco: potente antioxidante que protege as proteínas presentes na pele, em especial, o colágeno. Ele também atua na prevenção de enzimas que destroem o colágeno.

Potencialize os alimentos campeões para as articulações

De acordo com Mazaracki, existem nutrientes que ajudam o corpo a sintetizar e a preservar o colágeno por diversos caminhos metabólicos, agindo como cofatores. Neste caso, destacam-se alimentos ricos em selênio e vitaminas C e E. O selênio, por exemplo, é um poderoso antioxidante que ajuda a reduzir a quantidade de radicais livres no organismo —eles podem causar danos como inflamações, alterações celulares e envelhecimento das células. Bons exemplos para compor o cardápio são os já citados peixes, carnes de boi, frango, além de queijos, leite desnatado, ovos, castanhas-do-Pará e de caju e o gengibre.

Já a vitamina C é muito importante na formação de colágeno, além de participar da regeneração celular. Aqui, vale apostar em frutas como laranja, limão, acerola, morango, kiwi, abacaxi), goiaba, mamão e em vegetais tais quais os verde escuros (brócolis, couve, pimentão), cenoura, coentro, salsinha.

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E a vitamina E possui forte ação antioxidante, combatendo os radicais livres que prejudicam as células, participando da formação do colágeno e ajudando a prevenir sua degradação. Na lista estão: oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoa, amendoim e avelã secos e torrados), abacate, óleos vegetais como o de girassol, de milho, de soja e de algodão; e vegetais folhosos (espinafre, couve e agrião).

Até que ponto vale suplementar?

O colágeno suplementar é usado para prevenir a degradação do colágeno corporal, ajudando a manter pele, ossos, tendões, ligamentos e articulações mais saudáveis. “Essa reposição, em geral, é feita com suplementos de colágeno hidrolisado seguindo a quantidade de 10 g ao dia”, acrescenta Ferraz. E esse colágeno hidrolisado pode ser suplementado na forma de pó, cápsulas ou balas/jujubas. Os primeiros efeitos serão notados após dois a três meses de consumo diário, e o colágeno hidrolisado não possui restrição ou contraindicação.

Evite também más escolhas!

Fazer boas escolhas alimentares precocemente só tende a ajudar na produção, manutenção e preservação do colágeno, item imprescindível para garantir a saúde das articulações. Assim como riscar do cardápio tudo que pode atrapalhar essa absorção e produção. “Também é importante evitar uma dieta em que predominem alimentos industrializados, conservantes, adoçantes químicos e corantes que podem prejudicar a absorção de vitaminas e minerais importantes para a produção de colágeno”, alerta Marina Marquart Felice, nutricionista. Além disso, uma dieta pobre em proteínas e alimentos antioxidantes pode acelerar a perda de colágeno.

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