O que o Japão faz para ter um dos povos mais magros do mundo

Com apenas 3,7% de obesidade entre a população adulta, o Japão é, de longe, a nação desenvolvida com  menos obesos

Com 3,7% de obesos entre os adultos, o Japão está na frente entre as nações desenvolvidas

Maya Santana, 50emais

Lendo esta reportagem da BBC Brasil, fica claro que o mundo deveria olhar para o Japão quando se trata de combate à obesidade, um mal que só aumenta em países ricos e também em nações como o Brasil, onde quase 18% da população é obesa. Comparada com a dos japoneses, a nossa taxa é colossal, já que eles lá têm menos de 4% de pessoas consideradas gordas. Fazendo um paralelo com outros países desenvolvidos, como a França, Grã-Bretanha e Alemanha, a coisa fica ainda mais feia: os três possuem índices de obesidade superiores a 20%. Mas os números mais estarrecedores estão nos Estados Unidos: 33% dos americanos estão muito acima do peso. Daí a importância de saber como é que o Japão faz para ter uma população magra. Todas as ações dos do país passam pela educação da população, como você vai ver na reportagem,

Leia:

A lista dos 50 países com menores índices de obesidade do mundo está cheia de nações que lutam contra a pobreza, a fome, a falta de segurança – ou tudo isso ao mesmo tempo. Mas no 38º lugar, entre Mali e Zimbábue, um país se difere do resto.

Com apenas 3,7% de obesidade entre a população adulta, o Japão é, de longe, a nação desenvolvida com taxas mais baixas.

Se o país for comparado a outros membros do G8 (grupo de nações com as economias mais industrializadas do planeta), as diferenças são gritantes: Alemanha, França e Itália têm entre 21% e 22% de obesos na população, Reino Unido tem aproximadamente 26% e os Estados Unidos, quase no outro extremo, registram 33,6%. Para efeito de comparação, o Brasil tem 17,1% de obesos entre a população.

Em muitas culturas asiáticas, a alimentação é considerada 'algo quase medicinal'

Em muitas culturas asiáticas, a alimentação é considerada ‘algo quase medicinal’

A BBC Mundo, serviço da BBC em espanhol, conversou com Katrin Engelhardt, especialista em nutrição da OMS (Organização Mundial da Saúde), sobre o sucesso japonês em manter níveis baixos de obesidade e sobrepeso em todas as idades da população.

Por trás dos bons resultados, destaca Engelhardt, há um governo comprometido com políticas para manter o sobrepeso sob controle, investindo muito em programas de nutrição e educação para a saúde.

Todas essas medidas fazem parte de uma campanha nacional chamada “Saúde Japão 21”. Para começar, entenda duas leis específicas que ajudam a garantir a boa saúde no país e a frear a obesidade: Lei Shuku Iku, para a educação das crianças.

“Essa lei tem um nome bem profundo”, explica Engelhardt. Shuku faz referência à comida, à dieta e ao ato de comer, enquanto Iku se refere à educação intelectual, moral e física.

Porções pequenas também podem colaborar para manter peso

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O objetivo dessa regra é aumentar a informação dos estudantes sobre a cadeia alimentar, a procedência e a produção dos alimentos, além de exigir educação sobre nutrição desde os primeiros anos de escola até o nível secundário.

Vigente desde 2005, a Lei Shuku Iku determina processos como cardápios saudáveis nas escolas e contratação de nutricionistas profissionais que também tenham formação como professores para dar aulas específicas sobre alimentação.

Além disso, a lei prega a promoção de uma cultura social ao redor da comida. O que isso significa: as crianças são estimuladas a preparar e compartir alimentos nos colégios.

Na hora das refeições, as salas de aula são transformadas em uma espécie de restaurante. As crianças ajudam a por a mesa, servem umas às outras e comem todas juntas.

Empresas japonesas têm um dia anual de medição da cintura dos funcionários

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A ideia é transmitir a mensagem de que “comer é um ato social”, diz Engelhardt.

Além disso, segundo a especialista, não há quiosques ou máquinas de comida dentro das escolas, o que faz com que os alunos dificilmente consigam encontrar lanches que não sejam saudáveis, com batatas fritas ou bebidas açucaradas. Clique aqui para ler mais.

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